domingo, 29 de julho de 2012

Como surgiu a rivalidade entre Cruzeiro e Palmeiras?


Como surgiu a rivalidade entre Cruzeiro e Palmeiras?



em Curiosidades
Cruzeiro e Palmeiras se enfrentam hoje, às 18:30, no estádio Independência, em jogo válido pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Sempre me intrigou o fato de uma das maiores rivalidades dos cruzeirenses serem os palmeirenses, e vice versa. Nunca entendi. Afinal, Cruzeiro e Palmeiras têm origens semelhantes e são praticamente irmãos afastados. Os torcedores de ambos os clubes deveriam ter uma relação, se não de amizade, pelo menos de respeito. O que não acontece. A rivalidade entre o palestra paulista e o mineiro já envolveu brigas até fatais.
Como todos sabem, Cruzeiro e Palmeiras foram criados inicialmente com os nomes de Palestra Itália. Ao contrário do que muitos pensam, eles não foram idealizados por imigrantes italianos, e sim pelos consulados italianos de São Paulo e Belo Horizonte.
No final do século XIX e início do XX, a Itália enviou para o Brasil cerca de 3,6 milhões de pessoas, influenciadas por diversos motivos que não vêm ao caso agora. Na época, o dinheiro enviado pelos emigrantes italianos era muito importante para o governo da Itália, que estava promovendo algumas ações para incentivar o sentimento nacionalista dos seus cidadãos. Mesmo com os italianos sendo muito ligados à cultura do país, esses se identificavam mais pelas suas famílias e regiões, do que propriamente pela Itália.
Por causa disso, em 1914, o consulado italiano de São Paulo, juntamente com o Conde Matarazzo, criou o Palestra Itália. 7 anos mais tarde, o mesmo aconteceu no consulado mineiro, presente em Belo Horizonte desde 1904, com praticamente os mesmos ideais do Palestra de São Paulo.
Desde então, as diretorias de ambos os clubes sempre foram próximas e mantiveram relações cordiais, mesmo após a proibição do uso do nome “Palestra Itália” por causa da Segunda Guerra Mundial.
Após longos anos com as diretorias de Cruzeiro e Palmeiras sendo comandadas por descendentes italianos, a Família Masci saiu do comando cruzeirense, cedendo espaço para a Família Perrela. Isso simbolizou uma certa perda da valorização da cultura italiana no time mineiro, enquanto ela sempre esteve muito presente no time paulista. Hoje, sob o comando de Gilvan de Pinho Tavares, há um forte movimento de resgate à cultura italiana. Inclusive, o atual diretor de futebol, Alexandre Mattos, foi uma exigência dos conselheiros “italianos”, que ainda são muito fortes e presentes no conselho do Cruzeiro.
Nos jogos entre os Cruzeiro e Palmeiras, é tradição a bandeira da Itália entrar junto com os times para simbolizar a origem em comum das duas instituições.
Hoje:
Esse breve histórico serve apenas para resumir a história de Cruzeiro e Palmeiras, identificando os pontos similares e os divergentes entre as duas instituições.
Vimos que há muitos pontos em comum entre Cruzeiro e Palmeiras e, até hoje, as diretorias de ambos os clubes mantêm uma certa cordialidade entre si.
Isso, no entanto, não interfere na rivalidade entre as duas torcidas. Um jogo entre Cruzeiro e Palmeiras nos dias de hoje é praticamente certeza de conflito entre as torcidas organizadas de ambos os clubes.
É sabido que a principal torcida organizada do Cruzeiro é aliada à torcida do São Paulo e do Atlético Paranaense. Enquanto a do Palmeiras é aliada à principal torcida organizada do Atlético Mineiro e do Vasco da Gama.
É complicado entender a lógica das torcidas organizadas. Enquanto a Galoucura é praticamente co-irmã da torcida de um clube com origens tão semelhantes ao principal rival, a Mafia Azul é co-irmã de uma torcida do time homônimo ao maior rival.
Enfim, situações de torcidas organizadas que nunca entenderemos. Possivelmente nem há explicações lógicas para elas.
Mas a rivalidade entre a torcida de Cruzeiro e Palmeiras não é exclusiva às torcidas organizadas. É sabido que os torcedores que mais frequentam os estádios são pessoas entre 18 e 30 anos. Ou seja, grande parte das torcidas dos clubes se formaram na década de 90, quando os torcedores estavam na infância ou na adolescência, períodos essenciais na formação do torcedor. Muitos desses torcedores se tornaram verdadeiros palmeirense ou cruzeirenses, devido à década de 90, que foi a década mais vencedora tanto de Cruzeiro quanto de Palmeiras.
Títulos dos clubes na década de 90.
Com times tão vencedores, obviamente eles iriam acabar se confrontando. E foi o que aconteceu. Veja os números de vitórias em cada uma das competições:
Olhando esses dados nem parece que os clubes mantinham uma rivalidade acirrada. Ledo engano. Apesar de poucos confrontos, muitas das vezes que se enfrentaram estavam decidindo títulos ou classificação. Relembre.
1996 – Copa do Brasil
Em 1996, Cruzeiro e Palmeiras se enfrentaram na final da Copa do Brasil. O alviverde tinha um esquadrão fantástico, com jogadores como: CafuJunior,RivaldoDjalminha e Luizão. A imprensa praticamente já tinha dado o troféu ao time paulista. No primeiro jogo em Minas Gerais, empate por 1 a 1. No jogo de volta, em São Paulo, o Cruzeiro surpreendeu todo mundo e sagrou-se campeão em cima do time palmeirense.

1998 – Copa do Brasil
2 anos depois, os times se encontraram na mesma situação na Copa do Brasil. Novamente decidindo a final da competição. Dessa vez o Cruzeiro também possuía um grande time e o favoritismo do time paulista não se repetia para essa final. No jogo de ida o Cruzeiro venceu por 1 a 0, mas na volta o Palmeiras conseguiu se vingar e vencer por 2 a 0.

1998 – Campeonato Brasileiro
Em 1998 os dois clubes novamente se enfrentaram em um momento decisivo. O Palmeiras foi o 2º colocado da 1ª fase do Campeonato Brasileiro, enquanto o Cruzeiro foi o 7º. Por causa disso, eles se enfrentaram na quarta de final da competição. No 1º jogo, vitória do time mineiro por 2 a 1. No 2º, vitória do time paulista pelo mesmo placar. O regulamento na época previa um 3º confronto, sendo que o Palmeiras tinha a vantagem de jogar em casa e por um empate. 3 outros clubes paulistas já haviam se classificado para a semifinal. Faltava apenas o Palmeiras para transformar o Brasileirão em um Paulistão.
O 3º jogo do duelo foi um dos mais emocionantes da história dos confrontos entre Cruzeiro e Palmeiras. O time mineiro abriu 2 gols de vantagem, o time paulista conseguiu empatar e ainda contava com um jogador a mais em campo. Mas, no final, Fabio Junior marcou e classificou o time celeste.

1998 – Mercosul
Como se não bastasse tantos confrontos em 1998, no dia 29 de dezembro os dois clubes tiveram que se enfrentar valendo, novamente, um título importante. Dessa vez foi a Mercosul. O Palmeiras levou a melhor novamente e o Cruzeiro foi vice pela 3ª vez no ano.

1999 – Mercosul
Para encerrar a década com um confronto entre os dois times, Cruzeiro e Palmeiras se encontraram nas quartas de final da Mercosul. Porém, ao contrário de 1996 e 1998, o duelo não foi decidido com gols no final de maneira emocionante. No primeiro jogo o Palmeiras conseguiu fazer 7 a 3 e praticamente decretou sua classificação alí.

Fonte histórica: Anísio Ciscotto – conselheiro do Cruzeiro e presidente da Acibra (Associação de Cultura Ítalo-brasileira)

Vale à pena conferir a pena competente de meu amigo Vinícius! Orgulho do Papai Jonas Eduardo!

I due fratelli!


Historiador relembra as origens dos dois 'Palestras', que se enfrentam hoje à noite

Pesquisador ítalo-brasileiro conta como surgiram os dois Palestras

    Thiéres Rabelo
Publicada em 29/07/2012 às 07:00
Belo Horizonte (MG)
Às vésperas do clássico entre Cruzeiro e Palmeiras, hoje, às 18h30, na Arena Independência, estarão frente a frente dois clubes de origens idênticas: Palestra Itália. O Palmeiras nasceu em 1914, como Palestra Itália-SP e serviu de exemplo à comunidade italiana mineira, para a criação do Palestra Itália-MG.
Em 1942, porém, ambos os clubes foram obrigados a abandonar as referências à Velha Bota em seus nomes, seus escudos, seus uniformes, etc. Isso se deveu à oposição do Brasil à Itália na Segunda Guerra Mundial e partiu das mãos do presidente Getúlio Vargas.
Hoje, quando os dois rivais farão o duelo de número 78 em sua história, a reportagem do LANCENET! entrevistou o historiador Anísio Ciscotto, vice-presidente da ACIBRA-MG (Associação de Cultura Ítalo Brasileira de Minas Gerais) e vice-presidente do Conselho Fiscal do Cruzeiro. O historiador contou à reportagem um pouco da origem dos dois Palestras e sobre o resgate que vem sendo feito das origens italianas dos dois clubes.
LANCENET! - Como se deu e qual foi a motivação da criação de agremiações totalmente italianas, como os dois Palestra Itália?
Ciscotto - No período entre 1880 e 1930 mais de três milhões de italianos vieram para o Brasil. Vinham atrás de oportunidades e porque os italianos, historicamente, tinham a tradição de emigrar em busca de trabalhos sazonais. Vários que vieram voltaram para a Itália e os que aqui ficaram fundaram várias instituições que tinham como fulcro a subsistência e ajuda mútua.
Entretanto, como a Itália, como nação, era muito nova, muitos dos que aqui chegaram não se sentiam italianos, mas sim “vênetos”, “toscanos”, “campânos”, entre outras regionalidades. Como o dinheiro enviado para a Itália pelos imigrantes constituía uma poderosa fonte de recursos, o Governo Italiano procurou criar nos italianos e seus dependentes o senso de “Pátria Itália”. Havia medo que, com o nascimento de novas gerações fora da península, as novas gerações perdessem os laços com a terra italiana.
L! - Como veio à existência o Palestra Itália Mineiro?
Ciscotto - Em 1914, dentro das indústrias Matarazzo, através de seus empregados mais graduados sob a cura do Consulado Italiano, nasceu o Palestra Itália paulista. Vendo o sucesso que o futebol propiciou à integração dos italianos e descendentes em São Paulo, o Cônsul italiano em Minas Gerais, o Cavaleiro de Sua Majestade Bellis di Sardis, procurou envolver a comunidade italiana de Belo Horizonte para que também fosse fundado um Clube que reunisse os italianos e descendentes em torno do sentido de Pátria Italiana.
O dia escolhido para a fundação e para a primeira reunião foi o dia 2 de janeiro de 1921, pois aquele ano era, para os italianos, um ano jubilar, pois a Itália completaria 60 anos de existência. Assim, os belo-horizontinos começaram o ano de muitas festas oferecendo à Pátria Itália a fundação de sua maior glória esportiva fora da Península, a Società Sportiva Palestra Italia. Aqui também os fundadores eram expoentes da sociedade italiana, com sobrenomes tais como Noce, Lodi, Miraglia, Anastasia, Ranieri, Falci entre tantos outros.
L! - Quais eram as relações entre o Palestra Itália-MG e o Palestra Itália-SP?
Ciscotto - As relações sempre foram muito amistosas fora de campo e o estatuto do Palestra Itália de BH foi feito sob a inspiração de seu co-irmão de São Paulo. As partidas entre as duas esquadras sempre têm clima de confraternização. É comum termos a entrada da bandeira italiana, ouvirmos os hinos da Itália e do Brasil serem tocados e torcedores ítalo-descendentes usando a camisa da seleção italiana. Dentro de campo, desde maio de 1930 a rivalidade é acirrada. É bom lembrar que, os primeiros jogadores comprados pelo Palestra de Minas, fora do estado, foram adquiridos do co-irmão paulista.
L! - Conte um pouco do que foi o período palestrino do Cruzeiro, de 1921 a 1942?
Ciscotto - A época de Palestra no período ensejado é sobremaneira bem estudada na obra de Plínio Barreto, De Palestra a Cruzeiro - Uma trajetória de Glórias. Dos anos iniciais, datam os primeiros ídolos e conquistas do Palestra, como o tricampeonato estadual de 1928, 1929 e 1930, com uma equipe que contava com os lendários Ninão, Nininho, Bengala e Piorra. Aliás, os primeiros jogadores que saíram do Brasil para jogarem na Italia, saíram do Barro Preto e foram para Roma jogar na Lazio. Eram os irmãos Niginho, Ninão e Nininho Fantoni. Foi a época da construção do estádio e dos primeiros títulos.
L! - O que o Cruzeiro faz no sentido de resgatar as origens italianas, coisa que o Palmeiras também faz?
Ciscotto - O próprio uniforme do Cruzeiro é a maior demonstração de italianidade que podemos nos referir. As cores da camisa são as mesmas da Nazionale italiana. Hoje, dentro do Cruzeiro há uma forte participação de italianos natos e ítalo-descendentes, que cobram à diretoria ações no sentido de que não se perca os laços com a Itália. A nova administração possui um vice-presidente que foi indicado pela bancada italiana, que trata-se de Márcio Ribeiro, que possui fortes laços com a Itália. Contatos e parcerias com equipes italianas têm sido formados e há um forte trabalho para que a Itália se hospede na Toca da Raposa 2, durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o que está muito bem encaminhado. Em setembro, sempre ocorre, na sede Campestre, a Festa Una notte in Italia que revive as músicas, a gastronomia e outras tradições italianas.
PALESTRA X PALESTRA
Antes de 1942 e da imposição de novas nomeclaturas, os dois clubes se enfrentaram três vezes, todas elas na década de 1930 e todas elas com vitórias do Palestra paulista.
Em 18 de maio de 1930, se enfrentaram no Estádio do Barro Preto, região centro-sul de Belo Horizonte, pelo Troféu Lineu Prestes. A vitória foi do time de São Paulo, por 4 a 2. Os mineiros, do técnico Matturi Fabbi foram a campo com Catalano, Rizzo, Nereu, Bento, Pires, Nininho, Piorra, Ninão, Carazo, Bengala e Armandinho. Os paulistas foram a campo com Russo, Loschiavo, Nigro, Giglio, Goliardo, Serafini, Ministrinho, Carrone, Heitor, Lara e Osses, sob o comando técnico de Humberto Cabelli.
O segundo foi em 23 de maio de 1937, desta vez em São Paulo, em um amistoso. Os paulistas não tomaram conhecimento do co-irmão e venceram por 5 a 1. Os donos da casa foram a campo com Jurandyr, Carnera, Begliomini, Tunga, Dudu, Del Nero, Novamanoel, Luizinho, Moacyr, Rolando e Imparato, com comando técnico de Matturio Fabbi. Os visitantes, do técnico Ninão, tiveram Geraldo II, Tião, Tueu, Carazo, Chiquito, Zama, Orlando, Niginho, Perácio e Calixto (que abriu o placar).
Por fim, menos de um mês depois, os dois times voltaram a se enfrentar, no dia 13 de junho, mas em Belo Horizonte. Desta vez, o duelo mais equilibrado, com os mineiros novamente saindo à frente no marcador, mas levando a virada. Ninão mandou o time da casa a campo com Geraldo, Tião, Tueu, Souza, Carazo, Caieira, Zama, Orlando, Niginho, Bengala e Calixto. Fabbi mandou os paulistas a campo com Jurandyr, Carnera, Begliomini, Ruiz, David, Del Nero, Frederico, Novamanoel, Moacyr, Rolando e Mathias III. O placar final foi de 3 a 2 para os visitantes.


Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/Historiador-relembra-origens-Palestras-enfrentam_0_745125652.html#ixzz220wjACle
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sábado, 21 de julho de 2012

Cruzeiro Vice-Campeão na Suécia

Mais um vez o Cruzeiro disputou uma competição internacional com uma equipe das suas tradicionais divisões de base. Desta feita a competição foi a Gothia Cup 2012 em Gotemburgo na Suécia. O Cruzeiro foi o campeão desse torneio na edição de 2011 e lutava pela manutenção de tal status.
Na foto acima vemos um lance da partida semifinal entre o nosso Cruzeiro e o Soyapango de El Salvador. Passamos para as finais após empate em 1x1 no tempo normal. Nos pênaltis vencemos pelo placar de 4x1 sendo que nosso goleiro Bruno Cipriano fechou o gol defendendo duas cobranças. É bom ressaltar que Bruno já havia defendido uma cobrança durante o tempo normal.
Na partida final o Cruzeiro enfrentou o Paris FC e foi derrotado nas penalidades após empate sem gols no tempo normal. Somos vice-campeões e voltaremos ano que vem para retomarmos a hegemonia do futebol mundial sub-16. É bom ressaltar que o Cruzeiro disputou tal torneio ao lado de centenas de clubes do mundo inteiro, com uma equipe de garotos com idade sub-15.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Uma foto que diz muito

Uma foto que mostra um pouco do mundo do futebol: dois valores. O primeiro preferiu fazer sua carreira no Clube que o revelou. O segundo vai tentar a sorte em um grande clube da Europa. Que cada um, à sua maneira, consiga se realizar e ser feliz.
Pedro Paulo, atacante profissional do Cruzeiro. Anísio, que torce para que os dois vençam no mundo do futebol.  Léo Bonatini, que vai tentar a sorte no time de juniores da Juventus.
In bocca al lupo!

sábado, 7 de julho de 2012

Como os clubes ganham e como gastam dinheiro?

     Uma boa pergunta para tentarmos responder é a do título deste post. Não tenho a pretensão de esmiuçar contas e contratos de clubes e muito menos do Cruzeiro, o time do qual faço parte do Conselho Fiscal. Mas acho que uma pequena explanação com a ajuda das figuras abaixo ajudarão ao meu leitor a entender um pouco mais sobre a realidade financeira dos clubes de futebol e vão diminuir (?) as constantes discussões sobre quem está bem financeiramente e quem está quebrado.
    Primeiramente vejamos como ganham dinheiro, o que a figura abaixo demonstra com muita clareza em relação à maioria dos clubes brasileiros:



     E o Cruzeiro? Como se distribuem as arrecadações de valores em nosso Clube? O ano passado está representado pela figura abaixo, que nos leva a tecer algumas considerações, sendo a primeira que o aumento das receitas televisivas. A exemplo de todos os outros clubes tal receita passou a ser a menina dos olhos de nossa arrecadação, sendo que estamos acima da média nacional. Também diferenciamos do percentual nacional no que se refere a patrocínio e marketing. No nosso caso, verificamos que as receitas de nosso clube social (escolinhas, festas, pagamento de mensalidades de sócios entre outros) rivalizam com o percentual de marketing. Possuímos uma diretoria comercial e um departamento de marketing muito dinâmicos e com pessoas capazes, o que nos leva a esperar que tais valores entrem, pelo menos, na média nacional.
     Merece destaque no gráfico acima a queda das receitas advindas da venda de jogadores ao exterior. Nossos últimos presidentes sempre tiveram como princípio administrativo, e por muitos anos deu certo, que a venda de jogadores era a maneira que tinham de manter as contas do Clube em dia. Há muitos anos o Cruzeiro figura no rol dos maiores exportadores entre as empresas de Minas Gerais.Está entre os cem maiores captadores de moeda estrangeira do estado.
     Em 2008, último ano do mandato de Alvimar, explodiu a crise financeira mundial que abalou tremendamente os mercados mundiais, obrigando a várias empresas que revissem suas atividades e maneiras de faturamento. Quem muito exportava sentiu mais o baque da crise. No início de 2009 alertei nosso presidente Zezé sobre tal panorama, mas acho que nossos administradores não acreditaram de imediato.
     Países como Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal foram os mais afetados. Nosso maior mercado importador sempre foi Portugal... Times de outras praças poderosas como Italia, Inglaterra, França e Alemanha passaram a investir somente em verdadeiros valores, diminuindo muito as apostas em futuras revelações como acontecia anteriormente.
     Fala-se muito da diminuição de bilheteria no total das arrecadações do Cruzeiro como a grande vilã dos prejuízos recentes no balanço. Eu entendo que prejudicou sim, mas não tanto como apregoam. Na minha visão o que mais prejudicou nosso Clube foi o fato da fonte de recursos oriunda da venda de jogadores ao exterior ter secado. Basta verificar a série histórica no gráfico anterior. As rendas de bilheteria tendem a melhorar bastante com o retorno a Belo Horizonte e com o incremento do sócio do futebol. Porém vejo que há ainda um potencial muito grande de crescimento no que tange ao nosso programa de sócios torcedores que ainda está muito tímido.
     Um ponto fundamental que está sendo trabalhado a fundo pela diretoria do Cruzeiro é a valorização das divisões de base e a revelação de jogadores em nossa própria casa. Neste ano já subimos três jogadores e, até o final do ano, chegaremos talvez a cinco jogadores criados na fantástica estrutura da Toca da Raposa I.   Um excelente resultado devido ao trabalho incansável de nosso Vice-presidente Márcio Rodrigues com a assessoria do Conselheiro Bruno Vicintin e as orientações de Alexandre Mattos e Raul Plasmann. É mais barato e viável criarmos nossos craques, do que comprarmos jogadores de resultados duvidosos. 









     Quanto às dívidas, precisamos lembrar que há uma grande tradição e até entendimento entre o público em geral de que não devemos nos preocupar com elas em nossos clubes, pois seriam impagáveis e que ninguém gosta de cobrá-las. É quase um consenso, mas a história recente nos mostra que tal entendimento deverá cair por terra à medida que a sociedade não mais aceitará a existência de ilhas de exceção no meio de um oceano de empresas e instituições castigadas pelo peso dos tributos e dos juros bancários.
     Exemplos de tal história estão espalhados por aqui e ali e até o mais incauto observador pode ver que o círculo se fecha sobre os mau pagadores. Atualmente o clube que não arca suas obrigações trabalhistas, principalmente no que tange ao FGTS, pode perder seus craques que recebem o passe livre caso aconteça tal inadimplência.
     Para reverter o problema da inadimplência tributária o Governo Federal, em conjunto com a Caixa Econômica Federal, desenvolveu a Timemania que tem como fulcro amenizar as dívidas dos clubes. O grande problema é que tal loteria não caiu no gosto popular e não tem arrecadado tanto. Se os torcedores soubessem a importância de tal loteria na vida de seus times, com certeza a arrecadação seria muito maior e as amortizações das dívidas seriam mais eficientes. É bom lembrar que o clube que se beneficia da Timemania, se continuar a pagar suas obrigações tributárias em dia, obtém suas certidões positivas, com efeito de negativas, junto aos órgão federais e passam a poder obter crédito bancário e patrocínio de entidades públicas, as famosas empresas estatais. Podemos lembrar do caso do Flamengo que perdeu o patrocínio da Petrobrás e do Cruzeiro que possui o patrocínio da CAIXA nas sua equipe de atletismo: um não possuía as certidões quando da renovação do contrato de patrocínio e o outro possuía. Mais uma prova que dever, e não pagar, não é tão bom negócio assim.
     Como o Cruzeiro está com suas dívidas federais equilibradas e parceladas, em um futuro muito próximo a Timemania passará a pagar ao nosso time pela sua participação nos sorteios ao invés de reter os valores para quitar os parcelamentos. É sempre bom lembrar que, com a Timemania quitando os parcelamentos, os recursos que usaríamos para tal fim são destinados para o Clube em outras despesas/investimentos.




     Com o advento dos novos contratos de televisão, surgiu em cena um personagem do mundo financeiro e bancário muito conhecido entre as empresas em geral: a antecipação de recebíveis. Os Clubes estão procurando os bancos para que antecipem as parcelas do contrato de televisão e estão conseguindo sair das mãos dos empresários e financistas aos poucos. Com um bom contrato, por um bom período de parcelamento, uma excelente garantia como a anuência da Rede Globo e juros mais palatáveis, o caminho das agremiações é o do trocar benfeitores (?) por casas bancárias. Entretanto, os bancos não têm a paciência que os particulares têm, exigindo os pagamentos em dia e que os compromissos sejam cumpridos, ao contrário dos particulares, que, com os juros escorchantes cobrados, preferem ver as dívidas se arrastarem. Ter crédito bancário é bom, mas exige responsabilidade por parte dos dirigentes. É mais um exemplo que os Clubes deverão deixar de lado a tradição de mau pagadores, pois o cadastro dos clubes é fundamental para a concessão de crédito. Bancos emprestam de acordo com o rating de crédito de cada cliente e, com balanços tão pífios, o crédito se restringirá a poucos clubes, se nada for feito. Bancos como o BMG, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil estão nadando de braçadas fazendo excelentes operações de crédito com os clubes sérios e bem administrados. Os mal administrados estão nas mãos de ex-presidentes, ex-diretores, empresas particulares de torcedores ilustres entre outros mecenas (?).



     Dever não é vergonha, o vergonhoso é dever e não pagar. Uma empresa que utiliza bem o crédito é bem avaliada no mercado financeiro, pois seu comportamento como pagadora pode ser avaliado à medida que honra seus compromissos.

   



     Como está a situação econômica do Cruzeiro? Bem, graças a Deus e a nossos administradores que não caíram no canto da sereia do calote fácil. Os gráficos acima mostram que o Cruzeiro se destaca positivamente entre os menores devedores e tem muito campo a crescer no que tange às receitas.
     Está nas mãos de Gilvan e sua diretoria a escolha do caminho a seguir daqui para a frente, uma vez que a fonte de receita de vendas de jogadores está secando. Particularmente acho que estamos no caminho certo, desenvolvendo as outras fontes de receita e revitalizando nossa vitrine no comércio exterior com parcerias saudáveis e rentáveis. Depois de anos rejeitando sua origem italiana, o Cruzeiro retorna à Península Itálica se apresentando aos grandes players italianos e fazendo parcerias com equipes de porte médio. O Vice-Presidente Márcio Rodrigues está cuidando muito bem desse assunto assim como da revitalização de nossa divisão de base.




Ilustrações (1) e (3) Blog do Urubu, (2) Olhar crônico esportivo (4) e (5) Lancenet