sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol



Depois de algum tempo, e dentro dos padrões políticos brasileiros até que foi rápido, foi transformada em lei a medida provisória que tratou da "moralização" do futebol brasileiro.
Trouxe avanços, mas perdemos a oportunidade de fazermos uma verdadeira revolução dentro de nossos clubes. A medida mais atendeu ao apelo emergencial dos grandes devedores do que criou condições de que o fair-play financeiro seja perene.
A partir de hoje todos os clubes que quiserem aderir ao programa de governo tornado lei, estão com suas contas perante o fisco em dia. Todos podem buscar sua sonhada CND e fazerem suas candidaturas aos patrocínios públicos federais. Todos poderão apresentar seus projetos junto ao Ministério dos Esportes e captar recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte.
Tal lei foi um tapa na cara, isso sim, de clubes que sempre honraram suas tradições de bons pagadores. Cruzeiro, São Paulo, Atlético do Paraná e recentemente o Flamengo (que tem trabalhado para sanar suas dívidas a despeito da nova lei) ganharam a fama de incautos e tolos.
A nova lei foi tocada em comissões onde os representantes dos clubes eram justamente os maiores devedores! Como se diz aqui em Minas Gerais, colocaram os lobos para administrarem o galinheiro.
Como torcedores que somos, resta-nos torcer para que, a partir de agora, os outros clubes tomem tento e passem a tratar suas obrigações como coisas sérias.
Este texto ficará registrado em meu blog por muito tempo, se Deus assim permitir. Quero ver quando eu retornarei a ele para republicá-lo em um novo, dando conta de que os clubes brasileiros estarão pedindo novos parcelamentos ou benesses, uma vez que estarão novamente atolados em dívidas.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Meu livro: A Fazenda do Rochedo.




        O livro A Imigração Italiana em Minas Gerais: A Fazenda do Rochedo (1888-1889) retrata o momento de chegada de várias famílias italianas, oriundas do Friuli (Nordeste da Itália) à fazenda onde foram assentados para trabalhar na cultura do café.
        Trata-se da reconstrução do momento histórico onde grandes transformações aconteceram no Brasil, como a extinção do trabalho escravo, o declínio do Império e também o golpe que instituiu a República Brasileira.
        O livro mostra que muitos mitos sobre o assunto imigração são derrubados. Sempre se ensinou que os italianos vieram para substituir o trabalho do negro. As pesquisas mostram que em Minas Gerais vieram para trabalhar lado a lado do trabalhador nacional. Em São Paulo, onde o café chegou depois de Minas Gerais, vieram para incrementar a produção sempre ávida por mão de obra.
        O estudo de uma fazenda específica, mostra como o fenômeno do acolhimento dos imigrantes foi similar em diversas partes do país, mas também como o ambiente em cada estado moldou de forma diversa os costumes dos recém-chegados. Aqui em Minas Gerais, o italiano se tornou brasileiro mais rápido que em outras partes do país.
        Com uma leitura bem leve o meu livro revela a importância da cultura italiana na formação da cultura política mineira. No nosso estado o italiano antecipou o fenômeno da diminuição dos latifúndios vinte anos antes do que ocorreu no resto do país com a Revolução de 1930. Os italianos em Minas representam quase dez por cento da população do estado e o PIB mineiro tem quarenta e cinco por cento de seu valor fornecido por empresas italianas ou de ítalo-descendentes.
        
        A seguir o texto que constará na aba do livro:

A imigração italiana em Minas Gerais: A Fazenda do Rochedo (1888-1889), de Anísio Ciscotto Filho, é uma fundamental pesquisa devido à importância do assunto que estava de há muito necessitando de começar a ser estudado. Desta forma, com este trabalho o autor traz uma valiosa colaboração para a historiografia brasileira, e mais especificamente à historiografia do Estado de Minas Gerais, ao tratar de um assunto relevante para o estudo da imigração italiana em nosso território.
Dentro de novos paradigmas metodológicos, enfrentando todas as dificuldades inerentes à realização de pesquisas em arquivos regionais, quase sempre ainda muito desorganizados, Anísio Ciscotto Filho nos brinda com este trabalho sobre a Fazenda do Rochedo, estudando famílias italianas que para lá afluíram como trabalhadores em 1888-1889, momento da libertação dos escravos e da consolidação da implantação da mão-de-obra livre em nosso país. 
O autor, combinando uma rigorosa pesquisa empírica e o uso de novos paradigmas metodológicos, reconstrói os caminhos percorridos pelas famílias italianas fixadas na Fazenda do Rochedo, distrito de Rochedo de Minas, município de São João Nepomuceno, desvendando uma intricada rede de relações, interesses e conflitos sociais e culturais. Embora um trabalho iniciante, que prenuncia possibilidades de pesquisas bem mais aprofundadas, já revela a exatidão do pesquisador e o trabalho em si confirma a maturidade da pesquisa histórica com o recorte regional, fundamental para proporcionar um amplo e aprofundado conhecimento da sociedade estadual e da própria sociedade brasileira.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Balanços 2014 - Comparativo Cruzeiro X Atlético

Reproduzo a reportagem do jornal O Tempo que traz uma análise comparativa dos balanços do exercício de 2014 de Cruzeiro e Atlético Mineiro.
O consultor que analisou e comparou os balanços é o competente amigo Amir Somoggi.
A reportagem do jornal O Tempo está no link abaixo:

http://www.otempo.com.br/superfc/futebol/consultor-detalha-balan%C3%A7os-financeiros-de-atl%C3%A9tico-e-cruzeiro-1.1031814

RECEITAS E GASTOS

Consultor detalha balanços financeiros de Atlético e Cruzeiro

Os dois clubes juntos terminaram 2014 com um déficit de R$ 87,4 milhões, mesmo faturando dois títulos cada um

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Gilvan de Pinho Tavares e Daniel Nepomuceno
Cruzeiro e Atlético divulgaram no mês de abril seus balanços financeiros de 2014
PUBLICADO EM 30/04/15 - 14h50
Que Cruzeiro e Atlético fecharam o ano de 2014 no vermelho, isso não é novidade. O que pode preocupar os torcedores são os gastos e os investimentos que geraram déficit na hora de fazer as contas da temporada que acabou. Os dois clubes juntos terminaram 2014 com um déficit de R$ 87,4 milhões, mesmo faturando dois títulos cada um.
O consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi analisou e detalhou os balanços financeiros dos dois maiores clubes de Minas Gerais e elucidou algumas questões importantes.
Déficit. O Cruzeiro aumentou sua conta negativa em 2014. O time celeste chegou a R$ 38,7 milhões de prejuízos. O Atlético teve desempenho pior nesse quesito e teve seu déficit total em R$ 48,4 milhões. No total, entre 2011 e 2014, a dupla mineira acumulou perdas de R$ 245,9 milhões.
Dívidas. As dívidas fiscais dos clubes mineiros também cresceram na última temporada. O Cruzeiro, que devia R$ 50,4 milhões em 2013, passou a marca de R$ 63,8 milhões, um crescimento de 27%. O Atlético retrocedeu e caiu dos R$ 258,8 milhões de 2013 para R$ 234,5 milhões no ano passado, uma queda de 9%.
No total, o Cruzeiro deve R$ 252,9 milhões de reais, um crescimento de 27% se comparados aos R$ 199,9 milhões de 2013. O Atlético também não fica atrás em relação ao aumento dessa dor de cabeça. O Galo chegou a R$ 486,6 milhões, 11% maior do que os R$ 438,4 milhões de 2013.
"O que mais me impressiona é que Cruzeiro e Atlético tiveram juntos um prejuízo de R$ 87 milhões (em 2014), sendo que o São Paulo, sozinho, teve R$ 100 milhões. Ou seja, é necessário ter uma mudança de postura no futebol", ressalta Somoggi.
Gastos. Em relação aos gastos com o futebol, os dois grandes de Minas colocaram a mão no bolso e, em 2014, desembolsaram mais do que em 2013. O Cruzeiro aumentou seus investimentos no futebol em 23%, enquanto o Atlético foi mais longe: 30%.
O clube celeste, que ao todo investiu R$ 157,5 milhões, bem menos que muitas equipes do futebol brasileiro e foi campeão nacional. Para tentar manter o elenco e a qualidade técnica, o Cruzeiro aumentou seus gastos para R$ 193,5 milhões. O Alvinegro seguiu o mesmo caminho. Gastou R$ 146,4 milhões, terminando 2014 com os vencimentos em R$189,6 milhões. Com os custos do futebol sobre a receita, o Cruzeiro cresceu em 87% e o Atlético em 106%, efeito do crescimento do valor para se fazer futebol.
"O Cruzeiro montou o time campeão brasileiro de 2013 com menos do que investiu no ano seguinte. Para manter o elenco e aumentar a qualidade, o time celeste investiu mais, porque isso teve um déficit maior e o Atlético teve um custo maior, e ainda exigiu mais das cotas de TV, coisas que todos os clubes fazem para bancar o futebol e as dívidas", explicou Somoggi.
Receitas.  O consultor verificou que o Cruzeiro teve evolução em relação as suas receitas de 2013. Em contrapartida, o Atlético, mesmo com um ano vitorioso, teve uma queda acentuada em suas receitas.
O Cruzeiro terminou 2014 com R$ 223,2 milhões e apresentou um crescimento de 19% se comparado a 2013, quando terminou a temporada com a marca de R$ 187,9 milhões. O fator preponderante para este crescimento foram as bilheterias, que renderam ao clube celeste R$ 85,8 milhões aos cofres azuis, 38% da receita cruzeirense. Em segundo lugar, as cotas de TV, que renderam R$ 66,3 milhões, 30% da composição financeira do clube.
O Atlético encerrou a temporada 2014 com R$ 178,9 milhões, tendo uma queda 21% em comparação a 2013, onde o clube teve R$ 227,9 milhões de receita total. As cotas de televisão deram ao Alvinegro R$ 80,4 milhões, 45% da receita. Em seguida, vem a bilheteria, que rendeu R$ 29,6 milhões, apenas 17%. As negociações de jogadores renderam R$ 1,6 milhão, 1% do lucro do clube.

* Supervisão Cândido Henrique Silva

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Demonstrações contábeis do ano de 2014

Demonstrações contábeis, do ano de 2014, do Cruzeiro aprovadas em reunião de 23/04/2015.

Ítens relevantes:

  1. Aumento considerável das receitas: destaque para Publicidade e transmissões de TV (10%) e bilheterias e premiação (30%)
  2. Aumento de 40% em gastos com futebol;
  3. Diminuição dos valores de patrocínio;
  4. Aumento de gastos com pagamentos de juros bancários;
  5. Aumento da dívida tributária;
  6. Aumento do valor do Plantel de jogadores.

















sexta-feira, 17 de abril de 2015

Memória - 2012: 70 anos de Cruzeiro!

Reproduzo aqui, a título de memória, a reportagem da Rede Globo feita pelo competente repórter Marcos Astoni, sobre os 70 anos de mudança de nome de Sociedade Esportiva Palestra Itália para Cruzeiro Esporte Clube.

O link da reportagem é:  http://globoesporte.globo.com/futebol/times/cruzeiro/noticia/2012/10/ex-palestra-italia-cruzeiro-festeja-os-70-anos-da-nova-identidade.html 

Boa leitura!


- Atualizado em

Ex-Palestra Itália, Cruzeiro festeja
os 70 anos da nova identidade

Fundado para ser somente um clube de colonos italianos, sócios
foram obrigados a mudar de nome por causa da Segunda Guerra Mundial

Por Belo Horizonte
 
O dia 7 de outubro é especial para o Cruzeiro. Afinal, foi nesta data que, há 70 anos, o clube passou a ter esse nome, em substituição ao original Palestra Itália, que era utilizado desde a fundação. Uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, na sede do clube, em 1942, referendou a mudança, que foi obrigatória e imposta pelo governo.
MONTAGEM - Cruzeiro 70 anos (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)Cruzeiro comemora 70 anos do atual nome (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)
Um decreto federal, baixado uma semana antes, obrigava que quaisquer símbolos de Itália, Alemanha e Japão, nações em guerra com o Brasil, fossem usados no país. A mudança, porém, não foi tão simples como parece hoje em dia. Ela foi repleta de episódios de violência e intolerância, dos quais os italianos e seus descendentes foram vítimas.
Palestra Itália
Anisio Ciscotto, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro e da ACIBRA-MG (Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)Anisio Ciscotto conta histórias do Palestra Itália
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
A Societá Sportiva Palestra Itália foi fundada no dia 2 de janeiro de 1921, como clube da colônia italiana em Belo Horizonte, assim como o Palestra Itália de São Paulo, atual Palmeiras, que emprestou o primeiro estatuto para o homônimo mineiro. Em uma época em que a influência dos italianos era grande na capital de Minas Gerais, o clube não demorou a se tornar popular, como conta o historiador Anísio Ciscotto, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro e da Associação Cultural Ítalo-Brasileira de Minas Gerais.
- Houve uma época que, em Belo Horizonte, havia mais italianos e descendentes do que brasileiros de outras origens. O Palestra Itália foi uma criação do consulado da Itália. O país investia muito nos italianos que viviam nos Estados Unidos, na Argentina e no Brasil, por exemplo, para que as pessoas não perdessem a identidade com a Itália. Os italianos tinham muitas atividades em Belo Horizonte e existia um orgulho muito grande disso.
O ‘time dos italianos’ conseguiu fazer frente aos maiores clubes da cidade na época, Atlético-MG e América-MG, e conquistou cinco títulos estaduais como Palestra Itália, em 1926, o tri entre 1928 e 1930 e em 1940, até que um certo conflito mundial mudou para sempre a pacata história do clube e da colônia.
Segunda Guerra Mundial
O Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do eixo, Itália, Alemanha e Japão, em janeiro de 1942. Depois disto, 19 navios brasileiros foram torpedeados no Atlântico, o que causou a morte de mais de 700 pessoas e fez com que Getúlio Vargas, o presidente da época, se juntasse aos aliados na Segunda Guerra Mundial.
A partir deste momento, a situação dos italianos em Belo Horizonte ficou complicada, já que agressões e perseguições a seus estabelecimentos comerciais passaram a ser fato comum. Além disso, muitos deles achavam que o Brasil deveria entrar ao lado da Itália na guerra, o que gerou ainda mais conflitos, como relatou Anísio Ciscotto.
- Quando o Brasil declarou guerra à Itália, para muitos italianos, foi uma traição. Aconteceram embates tremendos, brigas nas escolas. Muitos filhos de italianos foram agredidos, e o consulado foi queimado. Os brasileiros foram em cima dos italianos para se vingarem dos torpedeamentos contra os submarinos, que foi o motivo para o Brasil entrar na guerra.
Bruno Falci, ao lado da foto do avô Antônio Falci, ex-presidente do Cruzeiro (Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)Bruno Falci, ao lado da foto do avô Antônio Falci
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
O empresário Bruno Falci, neto de Antônio Falci, presidente do Palestra Itália em 1927 e entre 1929 e 1930, contou um episódio interessante, em que a loja da família escapou de ser incendiada, o que poderia ter resultado em uma tragédia de grandes proporções, já que o estoque estava repleto de dinamite.
- Houve uma retaliação muito grande contra as colônias italiana e alemã. Nossa empresa tem origem italiana, e todo mundo sabia disso. Na época, alguns vândalos incendiavam comércios e tentaram fazer isso conosco. Algumas pessoas amigas tiveram essa informação antes e, empunhando bandeiras do Brasil, conseguiram impedir, dizendo que era uma casa brasileira. Com isso, eles se dispersaram e não puseram fogo na loja. Na época, vendíamos dinamite e, se houvesse um incêndio, ele não só destruiria nosso negócio, mas o quarteirão inteiro e mataria muita gente que estivesse por perto.
De Palestra a Cruzeiro
Baixado em 31 de agosto de 1942, um decreto-lei obrigou a extinção de símbolos e nomes relacionados aos três países do eixo. A imposição atingiu em cheio o Palestra Itália, que teve que providenciar a mudança de nome, não sem confusão e mais problemas. Anísio Ciscotto falou sobre as divergências dentro do clube.
- Trinta dias depois que o Brasil entrou na guerra, saiu a lei. Isso foi demais para os italianos. Os mais sensatos concordaram, e os mais exaltados não queriam de jeito nenhum. Um conselheiro do Palestra chegou a sugerir que se pegasse em armas para que o clube se tornasse um foco de resistência. Foi uma coisa muito séria, não foi simplesmente chegar e mudar o nome do clube. Isto mexeu com a vida das pessoas.
Bruno Falci lembrou os relatos do pai, que contou o drama vivido pelo avô e como eles se viraram para sobreviver e escapar das perseguições.
- O clube teve que mudar de nome, o que não findou o problema, mas amenizou. O uniforme do Palestra era nas cores da bandeira italiana, o que teve que ser mudado. Meu avô e vários amigos dele, da colônia, eram muito conhecidos. Não havia como apagar essa identificação com a Itália do dia para a noite. O que eles conseguiram foi dar uma abrandada. Disseram que moravam aqui e já se consideravam brasileiros. O italiano já tem todo aquele jeito e aquele jogo de cintura de administrar situações de conflito, tipo o brasileiro.
Após usar, provisoriamente, os nomes Palestra Mineiro e Ypiranga, os conselheiros finalmente decidiram por Cruzeiro. Um ex-presidente do clube usou um jeitinho de agradar a italianos e brasileiros, ao usar um símbolo do Brasil, a constelação do Cruzeiro do Sul, em uma camisa idêntica à da Itália.
- Um conselheiro, Osvaldo Pinto Coelho, ex-presidente do clube, sugeriu o nome Cruzeiro. E ele foi muito político. Pra agradar à ala italiana, falou: “olha, nós vamos deixar de ser Palestra Itália e vamos virar Cruzeiro. Nós vamos mostrar para o governo brasileiro que nós somos brasileiros. Somos patriotas, porque o Cruzeiro, as cinco estrelas, está presente na bandeira nacional, nas armas da república, no selo da república. Tudo o que representa o Brasil é o Cruzeiro do Sul. A principal honraria que o governo brasileiro dá para uma pessoa, um estrangeiro, é a ordem do Cruzeiro do Sul. Então, o Cruzeiro é o Brasil. Então vamos botar o nome Cruzeiro. Agora, vamos colocar em uma camisa azul. Agora, para nós, italianos, é o uniforme da seleção italiana. Vai ser um tapa de luvas”. Os italianos se sentiram valorizados e aprovaram o nome Cruzeiro.
Clube do mundo
Antes restrito à colônia italiana, o Cruzeiro virou um clube do mundo, com torcida estimada em quase oito milhões de pessoas e com um currículo de conquistas invejável, que conta com duas Taças Libertadores, duas Supercopas, uma Recopa Sul-Americana, dois Campeonatos Brasileiros e quatro Copas do Brasil, além de vários torneios interestaduais e estaduais. Para Anísio Ciscotto, o 7 de outubro, data em que surgiu o Cruzeiro, deve ser comemorado com a mesma intensidade do 2 de janeiro, data de fundação do Palestra Itália.
torcida cruzeiro comemora título mineiro (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Torcida do Cruzeiro comemora um dos títulos de sua história (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
- O 7 de outubro é tão importante quanto o 2 de janeiro. No dia 2 de janeiro nasceu o clube, a instituição, e, no dia 7 de outubro, a instituição assumiu sua personalidade, não de clube italiano, não de clube de Belo Horizonte, mas de um clube do Brasil, que, depois, virou um clube do mundo.
De fato, o torcedor cruzeirense tem muito que comemorar, pois o clube é símbolo de união, já que agregou todas as raças e classes sociais em torno de si, sendo um dos mais populares do Brasil. O Cruzeiro foi forte e venceu um episódio de intolerância, saindo fortalecido de uma guerra mundial.
Parabéns ao Cruzeiro, que começou como um clube somente de italianos, mas que hoje é de milhões de brasileiros de todas as origens.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Pesquisa minha, sobre Imigração Italiana, publicada na Italia!



Em 2010 minha filha Ana Luiza foi para a Italia, especificamente Trieste, com o escopo de estudar e realizar um estágio em uma firma italiana.
Estagiou na Câmara de Comércio de Trieste e apresentou uma pesquisa minha, que se tornará livro ainda neste ano de 2015, sobre a imigração friulana/italiana para Minas Gerais.
A resenha foi publicada na revista Amicci del Caffè em duas partes, que ora reproduzo aqui.
Para mim, uma honra ter um trabalho meu publicado em uma revista importante no meu país de origem.
A reportagem pode ser vista no site que evidencio logo abaixo da foto.
Boa leitura!






amicidelcaffe.ithttp://www.amicidelcaffe.it/amicidelcaffe/index.php/2011/06/10/flussi-migratori-brasile-e-caffe-i-parte/

Dall’Italia al Brasile per coltivare caffè – I parte

Flussi migratori, Brasile e caffè: questi gli elementi che si intrecciano e formano il filo rosso della tesi in storiografia di Anisio Ciscotto Filho “L’immigrazione italiana nel Minas Gerais. La fazenda Do Rochedo negli anni 1888-1889”, discussa nel 2004 come Bachelarado em Historia, all’Universidade Federal de Minas Gerais.
VIA GLI SCHIAVI, ARRIVANO GLI ITALIANI
A cavallo tra la fine dell’Ottocento e l’inizio del Novecento sono molti gli italiani che lasciano la Penisola per cercare fortuna in Brasile. I migranti erano spinti dalla miseria, conseguenza della depressione agricola della fine del XIX secolo; sull’altro fronte l’impero brasiliano aveva bisogno di manodopera bianca. Perché? Il 13 maggio 1888 fu abolita la schiavitù e si rese necessario accogliere nuovi lavoratori che potessero sostituire o fiancheggiare i neri ormai affrancati, a fronte di un lavoro nei campi che andava sempre più aumentando. Si trattò anche di una questione di ordine pubblico: la massa degli uomini di colore, divenuti liberi, veniva considerata pericolosa e “schiarire la popolazione”, favorendo l’afflusso di europei bianchi, fu una mossa preventiva utile a scongiurare squilibri razziali imprevedibili. Così, già dal 1887, l’impero brasiliano iniziò a favorire l’ingresso degli europei, con biglietti sovvenzionati e speciali agevolazioni per interi gruppi famigliari.
Lo studio di Ciscotto si focalizza, tuttavia, su un’area specifica, quella del Minas Gerais, la provincia che possedeva il maggior numero di schiavi impiegati sì nei lavori delle miniere, ma anche nei campi. Soprattutto nella “Zona da Mata” cominciarono a sorgere molte fazendas che producevano caffè ed è proprio qui che vennero accolti gli italiani.
Ciscotto evidenzia come in questa regione la maggior parte dei migranti fosse giunta da un’area geografica italiana: la provincia di Udine in Friuli Venezia Giulia. Sfogliando i registri delle autorità migratorie, scopre i nomi delle famiglie, i Cristofori, gli Scotto, i Danellon…, che toccarono le sponde del nuovo continente a bordo di navi che malinconicamente portavano il nome di simboli della patria italiana, “Città di Roma”, “Mazzini”, “Po”…
LA FAZENDA
Gli italiani furono il gruppo di migranti più numeroso che si stanziò nella regione. Ebbero un ruolo cruciale nella vita e nell’ampliamento delle piantagioni, e nella costruzione degli insediamenti dell’area. Prima del loro arrivo, la Fazenda do Rochedo di Joaquim Clemente de Campos, la più importante, era costituita solo da un piccolo nucleo residenziale di lavoratori che poi si ampliò molto, tanto che negli anni attorno al 1920 le sue abitudini e i suoi metodi divennero un modello di produttività per l’intero Paese.
Ciscotto si sofferma lungamente sulla descrizione della fazenda e della vita dei suoi lavoratori: vi erano gli immensi terreni coltivati, ma anche gli impianti per il trattamento del caffè. Nella corte venivano messi a essiccare i chicchi, a fianco le rimesse dove venivano riposti gli strumenti per la loro lavorazione.
Allora, nella tenuta, vivevano fino a 350 coloni, tra brasiliani e stranieri, con una produzione di caffè che raggiungeva i 18mila “arrobas” di caffè pulito e lavorato (un arroba corrisponde a 25kg). La tenuta era costituita da più edifici, tutte costruzioni realizzate con il legno estratto dalle foreste abbattute per piantare il caffè.
La fortuna della Fazenda fu determinata dalla creazione di un nuovo collegamento ferroviario che la metteva in diretto contatto con la capitale dell’impero, trasformando la piantagione di caffè in un prospero investimento. Sui treni, che giungevano fino alla fazenda, vi erano vagoni riservati esclusivamente ai carichi di caffè.
Articolo pubblicato su il Notiziario Torrefattori



sábado, 20 de dezembro de 2014

Algumas considerações sobre... regularidade fiscal, patrocínios e futebol.




           Tenho visto e lido muitas coisas a respeito do lado financeiro dos clubes de futebol faladas e discutidas em programas de televisão. Muitas enquetes, opiniões de comentaristas e demonstrações de desconhecimento do assunto são vistas e ouvidas diariamente nos programas esportivos. Também o assunto patrocínio por parte de empresas estatais também grassa na mídia esportiva. Discorrerei sobre ambos os assuntos no presente texto, tentando mostrar de maneira simples e didática a minha opinião, que se baseia no fato de ter sido (e ainda ser até abril 2015) Conselheiro Fiscal no Cruzeiro e empregado da Caixa Econômica Federal, que é a estatal que mais apoia o futebol com patrocínio nas camisas.

Medida provisória aprovada pela Câmara e pelo Senado:

                Na semana compreendida entre 14 de dezembro e 20 de dezembro deste ano foi votada na Câmara Federal e no Senado da República uma medida provisória que discorre sobre a situação fiscal dos clubes brasileiros. Tal medida foi aprovada e, a partir daí, foi encaminha à sanção da presidência da República, isto é, aguarda a aprovação do Poder Executivo. Várias partes interessadas, e que participaram das negociações, se sentiram traídas, pois a medida provisória não incluiu em seu texto alguns tópicos que interessavam aos jogadores, aos clubes e também ao governo, o Fair Play financeiro. Da maneira como a medida foi votada, ficou a sensação de que o que aconteceu foi a aprovação de um novo REFIS específico, que tem como foco simplesmente a negociação da dívida fiscal dos clubes. É bom lembrar que, recentemente, foi aprovado outro REFIS, o chamado REFIS da Copa, ao qual muitos clubes aderiram, cansados de esperar a Lei de Responsabilidade Fiscal dos Clubes ser votada.
                Ao que me consta, a parte que mais interessava aos movimentos envolvidos na questão, ficou por conta do regulamento das competições, o que repassa à CBF, a tarefa de fiscalizar, acompanhar e punir os clubes que não cumprirem o regulamento. Entendo que assim realmente não agradou a todos, pois sabemos que o lado político, econômico e geográfico sempre influenciou a CBF em suas decisões. Melhor seria que uma lei federal fizesse a regulamentação de tal assunto e estipulasse punições e responsabilidades aos que estivessem com a tarefa de fazer cumpri-la.
                Quanto aos descontos dados nos juros e correções das dívidas são comuns em renegociações de débitos, em bancos, financeiras, cartões de crédito e mesmo em dívidas fiscais em prefeituras, estados e na União. Não se dá desconto em dívida (o valor inicial devido). Dá-se um desconto na taxa de juros e outros emolumentos. Adequa-se o percentual de juros à realidade do momento econômico que o país vive. Como as dívidas são antigas, alguns índices poderiam ser exorbitantes e não corresponder à estabilidade econômica que vivemos.
Não foi favor específico e inventado para nenhum clube de futebol. Se houve algum favor foi o fato de se ampliar o prazo de pagamento para 240 meses (20 anos), pois no REFIS da Copa o prazo foi menor. Assim sendo, os valores das prestações diminuem, pois o prazo aumenta.
Como a medida provisória foi votada agora, os débitos fiscais até a data da aprovação são passíveis de serem incluídos no parcelamento. Levarão vantagem os clubes que estavam com dívidas recentes, como Cruzeiro, São Paulo e até mesmo o Flamengo, que vem cumprindo à risca os acordos anteriores. Assim sendo, tais clubes poderão receber suas certidões negativas de tributos com maior agilidade que os outros que levarão um tempo maior para conciliar seus débitos, a não ser que concordem com os valores cobrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e os reconheçam.

Patrocínio de empresas estatais:

                Antes de tudo devo me manifestar a favor dos patrocínios de empresas estatais, não só no esporte, como em qualquer atividade que possa lhes oferecer visibilidade. Muitas empresas estatais estão disputando mercado com empresas privadas e o sucesso de suas atividades decorre também da exposição de suas marcas. Entendo que uma empresa pública que não oferece seus produtos esta incorrendo em favorecimento da marca concorrente.
                Assim sendo, sou um defensor ferrenho dos bancos públicos exporem suas marcas em diversos clubes esportivos. Coube à Caixa Econômica Federal a primazia de estampar sua marca nas camisas dos times de futebol.
                Muito tenho visto na imprensa as afirmações de que a Caixa está comprometida com o patrocínio de diversos times que se encontram sem o patrocinador máster. Já li que a Caixa patrocinará o Cruzeiro, o Atlético Mineiro, o América Mineiro, o Santos, o Palmeiras, o Fluminense e vários outros expoentes do futebol. Gostaria que assim fosse. Mas não é assim que funciona.
                Primeiramente temos que lembrar que, a Caixa, por ser uma Empresa Pública está sujeita à legislação competente que rege os patrocínios públicos. Um dos primeiros preceitos é que não se pode patrocinar uma entidade que esteja em dívida com o governo federal. Para colocar a marca da Caixa em sua camisa, é necessário estar com a situação fiscal em dia e também, para receber as parcelas mensais do contrato, mensalmente deve-se comprovar que os tributos estão em dia. De que adianta aderir ao REFIS, fechar um patrocínio com a Caixa e não manter os pagamentos de tributos em dia? A Caixa depositará os valores bloqueados em conta corrente e não os liberará. Isso acontece atualmente com o Vasco da Gama, patrocinado pela Caixa: fechou um patrocínio de muitos milhões de reais por ano e não pode colocar a mão no dinheiro, pois está bloqueado. O próprio Cruzeiro tem um recurso bloqueado em conta (do patrocínio do atletismo) por não apresentar as certidões. Outro fator dificultador é que os recursos somente serão liberados caso haja uma prestação de contas mensal do gasto do dinheiro. Muitos clubes não conseguem prestar contas, pois nem sempre possuem notas de despesas. Difícil de acreditar, mas acontece.
                Vários clubes veem em tais exigências um dificultador, pois o patrocínio privado não prevê prestação de contas e somente cláusulas de desempenho.  Gasta-se como bem lhes convém, o que, com certeza, é mais propício para gastos ilícitos e também para desvios.
                É bom ressaltar que a Caixa, como empresa pública, deve se pautar pelo regime da transparência de seus atos e, para tanto, deve definir uma previsão de gastos com patrocínios e ter seu orçamento aprovado pelo Conselho Diretor. Estamos em uma época do ano e principalmente em uma época política, na qual não se sabe ainda os destinos das empresas estatais no ano que virá. Dúvidas como os nomes dos dirigentes (haverá mudanças na direção da empresa?), o foco a ser dado pela área de marketing (continuará ensejando o futebol?), o fato de ser necessário o  contingenciamento dos gastos públicos e a orientação do novo Ministro da Fazenda podem fazer com que a Caixa deixe de patrocinar até os atuais clubes por ela patrocinados.
                Assim sendo, as eventuais reuniões de clubes com a Caixa, não são definitivas. São apenas visitas nas quais se mostram as intenções de cada parte, e nas quais se demonstram os potenciais mercadológicos que cada marca de clube possui. É impossível, no dia de hoje, assegurar que patrocínios estão bem encaminhados ou fechados.

                Qualquer informação dada, além disto, é mera especulação.