domingo, 19 de maio de 2013

Diário de Viagem - 19 de maio de 2013

       O dia de hoje foi bastante agitado. Tínhamos pela frente dois jogos muito difíceis além da expectativa do clássico decisivo do Campeonato Mineiro.
     Antes de passar ao futebol, gostaria de falar um pouco sobre nossa rotina nestes dias de torneios na Holanda. O hotel onde nos hospedamos fica na região do aeroporto de Schiphol. É o mesmo do ano passado, porém mudou de nome: era Dorint e agora é Steingerberger. No hotel se hospeda apenas a comissão técnica, pois como no Torneio de Terborg, famílias da cidade hospedam os jogadores. É uma ótima oportunidade para os jovens atletas conviverem com pessoas e culturas tão diferentes da nossa. É um hotel enorme e muito luxuoso.
Hall dos elevadores.

Recepção do hotel.
     Após o café da manhã recebemos a visita de Antônio, um simpático angolano, que nos ajuda com as traduções. Ele nos guia e explica detalhes do dia a dia dos holandeses. Já está aqui em Amsterdam há 14 anos e é uma figuraça. Ganhou um conjunto de calça e agasalho para que ficasse igual à delegação. Isto despertou a inveja dos outros guias que pediram às suas respectivas delegações igual tratamento. Hoje o guia do Fluminense, que também é angolano, apareceu com um agasalho tricolor.


Antônio, nosso guia angolano. 
     Após o café fomos para o Estádio Olímpico onde encontramos o restante da delegação. O primeiro jogo foi contra o Man United e fizemos um elástico placar que nos foi muito útil ao final do dia. No primeiro tempo Rodrigo Dias, com muita categoria, colocou a bola fora do alcance do goleiro adversário, fazendo 1 X 0, que foi o placar final do primeiro tempo. Logo no início do segundo tempo a bola foi passada para Juninho na ponta esquerda, que fez fila e passou por três adversários antes de concluir com maestria fazendo o segundo gol. Merece uma placa. 
     O técnico Cruzeirense fez mudanças e colocou em campo Bruno Lamas e Carioca e a dupla fez bem o seu serviço. Na metade final do segundo tempo Carioca deixou a sua marca assinalando o terceiro tento da equipe Cruzeirense. O Baile foi encerrado com um belo gol de Mateus que deu números finais à partida: Cruzeiro 4 X 0 United.

Jogadores do Cruzeiro e do United perfilados na cerimônia de apresentação das equipes.
     Após o jogo tratei de defender meu estômago, pois ninguém é de ferro. Ao caminhar para o refeitório, deparei com uma fila enorme em frente à lanchonete. Quis saber do que se tratava e vi que a maior parte da assistência também estava procurando se virar com a fome. Interessante que o cardápio holandês é constituído, basicamente, por batatas e frituras. Batata frita com muita maionese, croquetes, linguiças, salsichas e outros embutidos fazem o maior sucesso por aqui. A estória de Geração Saúde não pegou na Holanda.



Fila para comprar batata frita.
Batata frita com muita maionese!
     Após o almoço nos preparamos para a segunda batalha, que seria contra o Fluminense, que já havia vencido seus dois outros compromissos. A torcida Cruzeirense estava presente e empurrou muito nossa equipe. Infelizmente fomos derrotados com um gol tricolor no segundo tempo.


Presença da torcida Cruzeirense.

Protocolo de apresentação dos times.

Instantâneo do jogo Cruzeiro X Fluminense.
     Após o jogo tivemos uma reunião dos jogadores com o técnico no vestiário. O técnico Paulo Ricardo pontuou as dificuldades e defeitos de nosso time e após tal palestra, fizemos a tradicional oração.


Momento de oração e agradecimento.
     A partir do resultado adverso ficamos aguardando o jogo de United x Tottenham. Caso o Tottenham não vencesse por mais de quatro gols estaríamos classificados. Todos os jogadores ficaram nas arquibancadas e o Tottenham venceu por apenas 1x0, resultado que nos classificou.


Rodrigo Dias, Anísio e Eurico!
       Classificados, corremos todos para as casas e para o Hotel para aguardar a hora do Clássico. 
     E, por último, coloco a foto da camisa que hoje consegui trocar. Até amanhã!


sábado, 18 de maio de 2013

Diário de Viagem - 18 de maio de 2013

     Enquanto a maioria dormia em Belo Horizonte, eu já estava de pé. Afinal, são cinco horas de diferença. Me levantei da cama às 06:30 e em Belo Horizonte era 1:30 da madrugada. Tomei café, peguei o ônibus que leva hóspedes do hotel ao aeroporto e lá peguei o trem para o centro de Amsterdam. Foi ótimo ter chegado super cedo, pois o comércio estava fechado e muito pouca gente perambulava pelas ruas e becos do centro. Pude ver Amsterdam e toda sua opulência arquitetônica bem tranquilamente.

Centro de Amsterdam
  A Praça do Dam, onde o novo rei foi coroado, estava entregue às moscas. Andei muito por ali e depois perambulei pela Red Zone. Até as mocinhas de lá deviam estar dormindo...
Praça do Dam. Da sacada o novo Rei e sua esposa saudaram a população. Devia estar lotado naquele dia, pois hoje estava às traças.

   
Canal perto da Red Zone.
      Quando o comércio abriu, aproveitei para comprar os presentes de todos os que me pediram e depois me dirigi à estação central e retornei para o aeroporto e de lá para o hotel.
Estação Central de Amsterdam.
     Foi a conta de chegar no hotel e já partimos para o Estádio Olímpico, onde foram disputadas os Jogos Olímpicos de 1928. Para os padrões de hoje, é um estádio muito simples, mas que impressiona pela arquitetura e pelo espírito olímpico que espira. Em todas as instalações há retratos da época da Olimpíada e recordações, como pratos de louça e canecos de chopp.
Vista do Estádio Olímpico com a pira ao fundo.
   
Arquibancada e Tribuna.     

     A estrutura montada para o torneio impressiona e vários equipamentos são colocados para entreter a garotada que comparece com os pais. Gaiolas com futebol de duplas, chute ao alvo valendo brindes do Ajax, infláveis e muitos, muitos brindes!



     Há também uma estrutura para alimentação dos torcedores, e são de lojas rolantes pois estão presentes em todos os torneios por onde passamos na Holanda.


Uma das lojas rolantes. Este tipo de comércio é chamado de "Comida de Parede", pois você coloca moedas ao lado das vitrines que se abrem. Como parece que é uma parede, os holandeses colocaram este nome.

Um saudável e pouco calórico croquete.
      Há também um espaço reservado para empresários que vão observar os futuros craques. Aliás, há mais observadores do que torcedores. Fui muito assediado por vários que queriam informações de nossos atletas. A resposta foi padrão: "Não viemos para vender. Viemos para vencer!" É lógico que se aparecer uma proposta muito interessante, o Diretor da Base Claudiomir Rates pode negociar à vontade. Há tempos atrás era só fazer proposta.

A maior quantidade de VIPs por metro quadrado do mundo está em Amsterdam!

Cena do jogo Cruzeiro x Tottenham
     O Cruzeiro estreou no Torneio de Amsterdam jogando contra os ingleses do Tottenham. A partida terminou empatada em 0 X 0. Jogamos muita bola! Apesar da falta de entrosamento, afinal perdemos vários jogadores promovidos e outros tantos por lesões, corremos muito e assustamos os súditos da rainha.O time jogou com: Charles, Marcos, Alex, Murilo, Renan, Eurico, Juninho, Bruno, Rodrigo,, Gabriel e Willian. Entraram Bruno Lamas e Carioca. O Gabriel acertou um petardo na trave em cobrança de falta. Uma pena que não foi gol.


Após o jogo no vestiário.
      Amanhã enfrentaremos o Manchester United às 12:00 hs e às 15:00 hs teremos pela frente o Fluminense do Rio de Janeiro.
     Interessante é que temos dois times africanos disputando o torneio: Chelsea de Gana e Ajax de Cidade do Cabo. Gostaria muito que em um futuro próximo, comparecesse aqui o Cruzeiro de Angola.


De verde o Chelsea de Gana e com o uniforme igual ao do Ajax Holandês a sua filial sul africana, o Ajax de Cidade do Cabo.
      Após nosso jogo, me dirigi ao vestiário dos ingleses, me apresentei e propus a troca de camisas. Fui atendido pelo diretor Sir John, que ficou muito satisfeito em receber nosso manto azul. 

Para deleite de meu amigo Fabio Pinel, eis a camisa que levarei para casa como troféu de guerra!
        Mas a melhor do dia foi ter encontrado no lobby do hotel o casal Jucélia e Wellington Rinco, de Juiz de Fora. Ele trabalha em Macaé e é Cruzeirense fanático! Estava muito feliz em encontrar nossa delegação aqui em Amsterdam. Acho que ele nem prestou muita atenção na atrações da cidade, pois a camisa que ganhou o impressionou muito mais! E o mais incrível: ele é de Guarani e conhece o berço da família Ciscotto que é Rochedo de Minas!
       Amanhã postarei mais notícias, novidades e curiosidades sobre o Torneio de Amsterdam! 
     Tot Ziens!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Diário de viagem - Holanda 2013 - Amsterdam

     Estamos iniciando o Diário de Viagem de 2013 com as notícias da excursão do sub-20 do Cruzeiro Esporte Clube por terras holandesas. Neste ano disputaremos novamente os três torneios mais importantes do futebol holandês na categoria sub-20: Amsterdam, Terborg e Den Haag. Nos dois primeiros torneios o Cruzeiro defenderá a sua primazia, uma vez que foi campeão no ano passado. Já no torneio de Den Haag ficamos com o segundo posto e tentaremos vencê-lo desta feita.
     A delegação Cruzeirense chegou ontem à noite em Amsterdam desembarcando no aeroporto de Schiphol após uma viagem cansativa, saindo de Confins, fazendo escala em Lisboa e após algum tempo naquele aeroporto, embarcou para seu destino final que foi a capital econômica e financeira da Holanda. Eu cheguei somente no dia de hoje, tendo embarcado em BH para o Rio de Janeiro e de lá, às 20:00 parti para um vôo de onze horas, direto para Amsterdam.

     Ontem não houve atividade para os jogadores, que ficam hospedados em casas de famílias na cidade. A comissão técnica fica no Hotel Steingerberger, que se localiza ao lado do aeroporto. Hoje, às 14:00 (hora de Amsterdam) nos dirigimos às instalações do Clube A.S.V. Arsenal, que disputa amadoristicamente a quarta divisão holandesa, onde a equipe de juniores efetivou um treino de descontração visando o campeonato que começa amanhã, continua no domingo e se encerra na segunda-feria, feriado aqui na Holanda.

     Merecedora de nota é a estrutura que um time da quarta divisão holandesa possui. Coisa que muitos times da primeira, principalmente aqueles se localizam na antiga capital do país, não tem. Uma sede com vestiários, academia, instalações de medicina e fisioterapia no andar inferior e um bar temático no andar superior. Dois campos oficiais e mais um local para treinamento de goleiros.






     Ainda em Belo Horizonte, fui à uma loja de esportes na região da Rua dos Caetés e comprei vinte camisas de temporadas passadas ao preço de R$.40,00 cada uma. Trouxe as camisas para cá e vou trocá-las com o pessoal dos diversos times que aqui participarão dos torneios. A primeira a ser trocada foi uma do Palestra por uma do A.S.V. Arsenal. Esta, com certeza, nem o Fabio Pinel tem.
     
      Enquanto os atletas se esforçavam e suas atividades em um dos campos, eu inaugurei minha temporada holandesa de experimentação de chopps. Um Amstel bem cremoso, que afinal, ninguém é de ferro.
     Amanhã teremos nossa estreia contra o Tottenham e à tarde postarei as considerações sobre o jogo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dívidas dos clubes ultrapassam 4,5 bi de reais.


Análises interessantes são reproduzidas aqui. A análise abaixo é sobre as dívidas dos clubes no ano de 2012, e mostram que a maneira como gastam continua do mesmo modo que sempre foi feita: muito além do que arrecadam, irresponsavelmente e sem consequências maiores. Aliás. o Ministério dos Esportes está com uma MP a ser publicada "perdoando" as dívidas fiscais dos clubes. Os poucos que sempre honraram seus compromissos serão taxados de bôbos.

A reportagem foi extraída do site da revista Veja e pode ser acessado no link abaixo, onde há muito mais informações sobre o assunto.

http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/mesmo-com-receita-maior-divida-de-clubes-vai-a-r-4-5-bi

Futebol

Mesmo com receita maior, dívida de clubes vai a R$ 4,5 bi

O rombo cresceu menos que nos anos anteriores, mas continua alto. Estudo do consultor Amir Somoggi revela uma melhora na relação entre dívida e receitas

Giancarlo Lepiani
Torcida botafoguense durante partida entre Botafogo x Fluminense
Torcida do Botafogo: clube carioca melhorou muito sua situação financeira no ano passado, mas ainda amarga a pior relação entre suas dívidas e receitas (Celso Pupo/Fotoarena)
Com o incremento das receitas obtidas pelas equipes em 2012, a relação entre dívida total e receita média melhorou na última temporada, mostra Amir Somoggi
A temporada de receitas recorde dos grandes clubes brasileiros em 2012 não impediu que as dívidas das agremiações continuassem crescendo, ainda que num ritmo menor do que nos anos anteriores. Na quarta-feira, o site de VEJA mostrou os números da nova edição do estudo do consultor Amir Somoggi, um dos principais especialistas em gestão e marketing esportivo do país, sobre as finanças das vinte maiores equipes brasileiras. Eles revelam que no ano passado, pela primeira vez na história, o faturamento conjunto desse pelotão de elite do futebol nacional passou dos 3 bilhões de reais (as receitas totais subiram 38% em apenas um ano). Mesmo com o reforço considerável nas receitas, o endividamento dos clubes continuou em alta. Ou seja: mesmo com a injeção adicional de recursos - provenientes, em boa medida, das luvas dos novos contratos para transmissão dos jogos pela TV pela Rede Globo -, os clubes não conseguiram reduzir suas dívidas. Entre as exceções estão o Vasco, o Santos, o Grêmio e o Corinthians. Somados, os vinte principais clubes do país deviam nada menos que 4,5 bilhões de reais no ano passado, uma alta de 16% na comparação com 2011 (e de 120% desde 2008). O lado positivo do estudo é que esse crescimento nas dívidas é o menor desde 2009. Em 2010 e 2011, o endividamento dos clubes cresceu 19% a cada temporada.



O endividamento dos maiores clubes brasileiros (em milhões de reais)

Clube Endividamento em 2012 ENDIVIDAMENTO EM 2011 variação
Flamengo                       741,7 355,5 109%
Botafogo 614,5 563,9 9%
Fluminense 434,9 404,9 7%
Atlético-MG 414,5 367,6 13%
Vasco da Gama 410 422,6 -3%
Palmeiras 287,2 240,5 19%
Internacional 214 197,4 8%
São Paulo 199,7 158,5 26%
Santos 194,4 207,7 -6%
Grêmio 187,2 198,9 -6%
Corinthians 177,1 178,5 -1%
Cruzeiro 143 120,3 19%
Portuguesa 135,4 138,3 -2%
Coritiba 122,8 111 11%
Goiás 80,4 79,9 1%
Náutico 66,2 63,7 4%
Bahia 61,2 58,4 5%
Figueirense 46,1 27 71%
Vitória 15,6 10,4 49%
Atlético-PR* -82,4 4,1 -2089%




*O balanço do Atlético-PR inclui R$ 123,1 milhões de repasses de títulos a venda do potencial construtivo de sua arena, que provocou essa variação muito fora da média nos números do clube.

Fonte: Amir Somoggi

2012 2011
Botafogo
5
9,6
Flamengo
3,5
1,9
Vasco da Gama
2,9
3,1
Fluminense
2,9
5,1
Portuguesa
2,7
4,7
Goiás
1,6
4,7
Náutico
1,6
3,3
Coritiba
1,5
1,7
Cruzeiro
1,2
0,9
Outro aspecto positivo revelado pelos números reunidos no estudo é a redução da relação entre dívida e receita total dos clubes (na tabela ao lado). Com o incremento das receitas obtidas pelas equipes, o indicador melhorou. Quanto menor ele for, mais positiva é a situação. A relação entre dívida e receita total média dos vinte clubes avaliados por Somoggi era de 1,78 em 2011. No ano passado, ela caiu para 1,44. O Botafogo ainda é o clube cuja dívida é mais distante de seu faturamento anual, mas o abismo ficou menor em 2012. Em 2011, a dívida do clube alvinegro era quase dez vezes maior que a receita total do clube carioca na temporada. Em 2012, a dívida estava cinco vezes maior que o faturamento. Depois do Botafogo aparecem os outros três grandes do Rio: Flamengo, Vasco e Fluminense. Por causa de suas enormes receitas (é o líder nesse quesito) e de uma gestão financeira mais profissional do que na década passada, quando viveu fortes turbulências, o Corinthians tem uma relação dívida/receita total de apenas 0,5. O São Paulo, vice-campeão em receitas em 2012, aumentou sua dívida, mas mesmo assim está numa situação mais confortável que os grandes do Rio, por exemplo. Suas dívidas correspondiam a 70% de sua receita total anual na última temporada.

Receitas de Clubes superam 3 bilhões de reais!

Análises interessantes são reproduzidas aqui. A análise abaixo é sobre o faturamento dos clubes no ano de 2012, e mostram que a maneira que arrecadam continua do mesmo modo que sempre foi feita: sem imaginação e não aproveitando o enorme mercado que a paixão proporciona.

  A reportagem foi extraída do site da revista Veja e pode ser acessado no link abaixo, onde há muito mais informações sobre o assunto.

Futebol

http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/receita-dos-clubes-dispara-e-passa-dos-3-bilhoes-de-reais

Receita dos clubes dispara e passa dos 3 bilhões de reais

Estudo do especialista Amir Somoggi mostra um salto de 38% no faturamento das 20 maiores agremiações do país. Mas dependência da TV fica ainda maior

Giancarlo Lepiani
Guerrero comemora gol do Corinthians contra o San Jose da Bolívia
O Corinthians de Guerrero: receita inédita de 358,5 milhões de reais em 2012 - Ivan Pacheco

"Foi um ano atípico e positivo, mas os clubes não aproveitaram a oportunidade para criar estruturas diferenciadas e convencer o mercado a enxergar o futebol como grande negócio", diz o autor do estudo
O futebol brasileiro está cada vez mais rico - mas isso não quer dizer que os grandes clubes do país já estejam aproveitando todo o potencial econômico da grande paixão nacional. Um novo estudo do consultor Amir Somoggi, um dos principais especialistas em gestão e marketing esportivo do país, revela que os vinte maiores clubes brasileiros ultrapassaram a barreira dos 3 bilhões de reais de faturamento no ano passado, um crescimento de 38% em relação a 2011. O aumento da receita consolidada conjunta dessas agremiações - de 2,24 bilhões para 3,08 bilhões - é inédito, mas a principal explicação para esse salto não é a modernização do nosso futebol, mas sim a renegociação dos direitos de transmissão de TV. No ano passado, os clubes encheram os cofres com as luvas dos novos contratos assinados com a Rede Globo, que teve de abrir o bolso para driblar a concorrência da Record e manter o Campeonato Brasileiro em sua grade de programação. Os clubes ficaram ainda mais dependentes do dinheiro da TV: as cotas de transmissão, que correspondiam a 36% das receitas totais em 2011, passaram a representar 40% do faturamento conjunto dos clubes no ano passado. Enquanto isso, as fatias correspondentes às arrecadações com bilheteria, patrocínio e publicidade, fontes importantes de receitas nas ligas mais lucrativas do planeta, encolheram na temporada passada.

As finanças dos maiores clubes brasileiros


"Foi um ano atípico e positivo, mas os clubes não aproveitaram a oportunidade para criar estruturas diferenciadas e convencer o mercado a enxergar o futebol como grande negócio", diz Somoggi. "O nosso modelo ainda pode ser considerado arcaico. Temos muito a evoluir, e o mercado espera isso." O autor do estudo mostra preocupação com os resultados financeiros da temporada 2013. Afinal, os montantes generosos recebidos pelos clubes que assinaram contratos com a Globo correspondem às luvas de acordos de longa duração. Os clubes parecem não ter planejado o uso escalonado desses recursos - muitos torraram todo o dinheiro ou boa parte dele com gastos imediatos. O levantamento feito por Amir Somoggi revela que o montante investido pelos grandes clubes no ano passado atingiu 1,89 bilhão de reais (sem contar os gastos do Flamengo, que não apresentou em seu balanço os custos de seu departamento de futebol). A alta estimada nas despesas foi de cerca de 26% em apenas um ano. Como a tendência é de que os investimentos nos departamentos de futebol continuem elevados - conforme o consultor, só os times rebaixados ou mergulhados em graves crises costumam realizar cortes significativos de gastos -, muitos clubes deverão enfrentar dificuldades para cobrir suas despesas na atual temporada. A saída seria variar e ampliar as fontes de receita, explorando melhor áreas como o gasto do torcedor no estádio e as ações de marketing.
 

"Nosso futebol está em evolução, mas os dirigentes brasileiros ainda têm uma visão muito limitada do futebol como negócio", explica Somoggi, que completou uma década de acompanhamento detalhado dos balanços financeiros dos clubes. Em seu primeiro estudo, realizado em 2003, as fatias correspondentes a cada fonte principal de receita dos clubes não eram muito diferentes do que são hoje. Quem previa um grande salto nas ações de patrocínio e publicidade em função da proximidade da Copa do Mundo, por exemplo, se decepcionou. Entre 2011 e 2012, o crescimento absoluto do marketing como fonte de receita dos vinte principais times do país foi de apenas 10,4 milhões de reais. Ao mesmo tempo, as cotas de TV tiveram um incremento espantoso: 435,8 milhões de reais. No decorrer da década analisada pelo consultor, a dependência dos grandes clubes mudou em um aspecto importante: antes, eles apostavam nas transferências de atletas ao exterior para equilibrar as contas; hoje, se escoram no dinheiro repassado pela TV para bancar suas despesas. Com o crescimento econômico do país, os clubes já conseguem manter seus grandes craques no futebol brasileiro e até repatriar grandes nomes que atuavam havia anos no exterior. Ainda assim, a venda de jogadores continua sendo uma fonte importante de recursos (14% do total das receitas dos grandes clubes). Graças ao salto no dinheiro proveniente da TV, as vinte principais agremiações brasileiras fecharam 2012 mais perto do azul (quando são contabilizadas receitas extraordinárias recebidas por Palmeiras e Atlético-PR em função das reformas de suas arenas, há superávit de 23 milhões de reais nesse pelotão de elite do futebol nacional). Os gastos excessivos e sem planejamento e a manutenção de um modelo obsoleto devem levar os números de volta ao vermelho depois de apenas uma temporada.


Um modelo antiquado - e que ainda persiste

Em uma década, a distribuição das fontes de receitas mudou pouco. A participação da bilheteria no faturamento total, por exemplo, ficou no mesmo patamar. Em 2007, auge do êxodo de jogadores brasileiros para o exterior, as transferências de atletas eram fundamentais para pagar as contas. Agora, a dependência é dos direitos de TV.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Repasse de Pay Per View

 Alguns Cruzeirenses me questionam sobre uma alegação de que um determinado time da série "A" teria recebido um valor de repasse do pay per view em torno de 30 milhões de reais. Procurei pela internet sobre o assunto e, o que de mais didático e esclarecedor encontrei, o tomo como fonte e reproduzo parte aqui no meu blog. 
A minha teoria é que, se algum time faturou um valor tão alto, o Cruzeiro deveria ter faturado também, o que não aconteceu. Os valores de pay per view do Cruzeiro não alcançaram tal valor, e pela tabela abaixo, deveria ter recebido mais do que 30 milhões, pois na média do repasse, está acima do time alegado.
Publico o ranking de assinantes do pay per view.
O percentual da última coluna é o de repasse ao clube deduzidos os custos de produção e a parte correspondente a Globosat. A diferença percentual entre Flamengo e Corinthians é inferior a 1. Não sei qual a margem de erro da pesquisa, se é que há, mas creio que exista um empate técnico.
Com a conquista do Mundial de Clubes e a péssima fase flamenguista, pode ser que tenhamos uma alteração nas posições quando divulgado o ranking de 2013.
A pesquisa é realizada pelo Ibope e Datafolha. A porcentagem é uma média aritmética entre os dois resultados.
A fórmula e os critérios são:
Em consenso, Clube dos 13, os clubes e a Globosat, concluíram que essa seria a melhor forma de pesquisa. Os dados são por amostragem e não censitários.
Ibope e Datafolha fazem a pesquisa simultaneamente. O Ibope é sediado no Rio de Janeiro e o Datafolha em São Paulo.
A amostra é calculada a partir do número total de assinantes, com participação proporcional de cada estado. Os entrevistados são sorteados eletronicamente respeitando a proporção de assinantes por região. As entrevistas são feitas por telefone, com o titular da conta.
Os dados da coluna “% repasse” são estimativas.
O post aqui é bastante resumido. Para informações mais detalhadas:




Fonte:http://globoesporte.globo.com/sp/torcedor-corinthians/platb/2013/04/09/ranking-do-pay-per-view-flamengo-lidera-e-corinthians-vem-na-cola/