domingo, 6 de abril de 2014

No meu tempo era assim...

         

        No meu tempo era assim: muitos campinhos de futebol espalhados pelos bairros de Belo Horizonte e uma profusão de times de bairro que reuniam os garotos da região. Havia um campeonato  disputado no antigo campo do América Mineiro, na Alameda, que se chamava "Dente de Leite" e reunia os times de bairro com os garotos de tenra idade. Havia até transmissão de televisão de alguns jogos e ficávamos loucos com a oportunidade de jogarmos em uma partida televisionada. Havia muita vontade de se jogar nos times da base dos grandes da capital, mas os nossos timinhos satisfaziam nossa necessidade de gastar calorias e frustração de não conseguirmos vestir a camisa de nosso time favorito, pois a oferta de futuros craques era tão grande, que seria muito difícil alcançar tal glória. Somente os iluminados e fora de série conseguiam ir ao Barro Preto e fazer parte do time infantil do Cruzeiro.

         No meu tempo, sabíamos de cor e salteado os nomes de todos os jogadores do elenco do Cruzeiro. Era um time perene e que, por necessidades pontuais, modificava um dois jogadores por ano. Meu time de jogo de botão tinha as caras dos craques do Cruzeiro e duravam muito tempo, fazendo com que eu trocasse várias vezes a foto do mesmo jogador por outras mais recentes. Tostão, Raul, Dirceu Lopes, Piazza, Natal e outros duravam uma eternidade nas lentes de óculos que eu usava como botões para meu time.
          O programa de domingo era ir à missa, passear no Parque Municipal e depois ir ao Mineirão, mas não sem antes almoçar um frango, que meu pai matava na véspera e todo mundo chorava de pena (o que irritava meu pai que dizia que, se chorasse, o frango demorava a morrer...), e uma bela macarronada com suco de uva. Íamos todos da família e sempre com um pouco de receio de minha mãe, devido às brigas entre torcidas. Àquela época já aconteciam os estranhamentos entre rivais. Meu pai sempre dizia que a polícia existia para prender bandidos e proteger a sociedade, que as pessoas de bem não podiam ficar em casa por causa de baderneiros. Sábias palavras que deveriam valer até hoje...
          Após os jogos, que nunca eram transmitidos ao vivo para Belo Horizonte, voltávamos correndo para casa e ainda chegávamos a tempo de assistirmos o videotape na finada TV Itacolomi, o que fazia com que as discussões continuassem até às 10:00 da noite que era a hora de dormir. O interessante é que os públicos daquela época, eram muito, mas muito mesmo superiores aos dos dos dias de hoje. Cruzeiro x Atlético cujo público fosse menos de noventa mil presentes era considerado um fracasso de público e renda. E após os clássicos, a Polícia Militar providenciava a segunda parte do famos e extinto "Plano A", que consistia que a avenida Antonio Carlos, antes do jogo, tivesse suas três pistas liberadas no sentido centro-Mineirão e, após o término da partida, invertesse as mãos com três pistas liberadas no sentido Mineirão-centro. Era uma beleza. Chegávamos cedo em casa. Como a Catalão ainda era precária, voltavam as duas torcidas pela mesma avenida!
         As torcidas eram animadas por "Charangas". Charanga era o nome dado às bandinhas que animavam os gritos das torcidas. A do Atlético era a Charanga do Júlio. Júlio era um dono de supermercado, chamado Júlio o mais amigo, que possuía uma bandinha que animava os fregueses na porta de seu estabelecimento, que, se não me engano, ficava na Rua Guarani. Nos dias de jogos do Atlético sua bandinha se tornava a Charanga do Júlio. Tinha instrumentos de percussão e de sopro. Tocava durante todo o jogo.
          Já a do Cruzeiro era comandada por Aldair Pinto. Não possuía metais, somente a bateria. Como era animada. Havia um toque que fazia a torcida do Cruzeiro assobiar. Era muito legal, pois cinquenta mil pessoas assobiavam ao mesmo tempo. Aldair Pinto de chefe de charanga, já era apresentador de programas de auditório e radialista, virou político se elegendo vereador.

          Em uma determinada época, a torcida do Cruzeiro colocava pó de talco nas bandeiras e quando o Time entrava em campo nós levantávamos as bandeiras e fazíamos um efeito visual maravilhoso. Junto ao pó de talco colocávamos papel picado também. 
          Conhecer os jogadores e radialistas era um sonho acalentado por todos os meninos. Lembro-me que era criança e, para ir ao dentista, minha mãe me prometia levar à Galeria do Ouvidor na loja de discos do Raul. Eu era pequeno e o Raul um gigante. Eu, olhando para baixo, levantava o braço com um papel e caneta para receber um autógrafo. Eu não tinha coragem de encarar meu ídolo. Hoje em dia encontro demais com o Raul e a idolatria continua, agora tornada amizade.
           Bons tempos que não diminuem em nada os novos tempos. Como é bom ir ao Mineirão!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CBV engorda receitas com verba pública.

Matéria interessante do O Lance mostra que enquanto os Clubes fecham as portas por causa de falta de patrocinadores, os recursos recebidos de órgãos federais são pouco entregues às federações estaduais e menos ainda aos Clubes.

Espero que as auditorias efetuadas na CBV mostrem a realidade perversa, onde as seleções nacionais desfrutam das benesses dos repasses e os Clubes formadores e fornecedores de atletas sucumbem perante os humores do mercado.

Vale a pena a leitura.

 http://www.lancenet.com.br/volei/CBV-receitas-publica-repasse-proporcional_0_1112288779.html

 
Ari Graça

CBV engorda receitas com verba pública, mas repasse não é proporcional

Análise feita pelo L!Net mostra que a confederação não reverte os valores de maneira proporcional às federações estaduais.

LANCEPRESS! - 01/04/2014 - 09:31 Rio de Janeiro (RJ)
Salto nas receitas com verba pública e de patrocínio do Banco do Brasil, aumento em despesas pouco explicadas e queda no repasse às federações estaduais. Estas são algumas conclusões que podem ser tiradas após a análise feita pelo LANCE!Net dos balanços patrimoniais da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) entre 2011 e 2013.
A entidade divulgou o balanço referente ao ano passado há duas semanas, em meio às denúncias da ESPN Brasil do pagamento de comissão às empresas S4G (de Fábio Azevedo) e SMP (de Marcos Pina) pela renovação do patrocínio com o Banco do Brasil em 2012 que poderiam chegar à casa dos R$ 20 milhões. Os números mostram que a CBV engordou seu caixa com verba pública, mas gasta boa parte do dinheiro em sua estrutura interna e repassa apenas uma pequena parte às federações regionais.
Em 2012 aconteceu o primeiro salto nas receitas, com a renovação do patrocínio com o Banco do Brasil, um banco estatal. Segundo os balanços da CBV, o banco deu à confederação R$ 3.582.579,00 em 2011 e aumentou para R$ 24.000.000,00 no ano seguinte. No ano passado, R$ 25.751.856,00 foram repassados à entidade.
No ano passado, foi a vez de órgãos governamentais depositarem cheques polpudos nas contas da CBV. Por meio da Lei Agnelo-Piva e de convênios com as esferas federal, estadual e municipal, a confederação recebeu R$ 31.851.484,00 em 2013, quase o dobro do que em 2012 (R$ 16.651.538,00).
O crescimento nas receitas da confederação presidida atualmente por Walter Laranjeiras, o Toroca, não se refletiu no repasse às federações estaduais. Pelo contrário.
O repasse aumentou cerca de R$ 200 mil entre 2012 e 2013 (veja no gráfico ao lado), mas ainda assim a fatia do ano passado às federações diminuiu em relação a 2011.
Há três anos, quando a CBV teve uma receita de R$ 76.574.700,00, as 27 federações estaduais receberam R$ 4.041.135,00. Em 2013, a receita aumentou para R$ 128.779.727,00, mas a distribuição para as federações caiu para R$ 3.485.582,00 (média de R$ 129.095,00 para cada uma das 27 entidades estaduais).
Em 2013, a CBV gastou mais com a área de marketing do que com as federações.
TRANSPARÊNCIA
O LANCE!Net analisou os balanços da CBV com o auxílio de especialistas em contabilidade. E uma das características apontadas é que a peça patrimonial de 2013 é menos transparente que a de 2012. Veja abaixo alguns gastos da confederação.
Pessal de apoio
A entidade aumentou a despesa de R$ 18.984.128,00 (2012) para R$ 29.857.059,00 (2013) e não detalhou esta diferença nas notas explicativas.
Marketing e produçãoOutro gasto que subiu: de R$ 6.199.754,00 paraR$ 7.199.240,00, sem detalhamento. No balanço de 2012, o texto continha uma nota explicativa, dizendo que o valor foi substancialmente para a contratação de serviços que incluiam assessoria na negociação de patrocínio.
Mais gastosOutros custos significativos de 2013 que subiram e não tiveram notas explicativas foram com montagem de quadra, comunicação, equipamentos esportivos, entre outros.

CBV  aguarda término de auditoria

Procurada pelo LANCE!Net, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) informou por meio de sua assessoria de imprensa que irá aguardar a auditoria que está sendo feita para fazer qualquer comentário sobre o balanço patrimonial.

“O balanço é uma peça contábil, que reflete decisões gerenciais e financeiras. A CBV só comentará sobre esses temas após a auditoria que está sendo realizada pela Pricewaterhouse Coopers. Os primeiros resultados serão divulgados em cinco semanas”, respondeu a CBV à reportagem, no dia 27 de março.

O L! enviou à assessoria da CBV uma série de questões e pedido de esclarecimentos, como o aumento nos gastos em várias áreas. A confederação não explicou tais pontos.

“Os dois balanços foram submetidos ao Conselho Fiscal da CBV e, posteriormente, aprovados em Assembleia Geral Ordinária. A CBV informa que ambos os balanços não possuem incorreções contábeis, e isso inclui os questionamentos feitos pelo LANCE!”, informou a confederação, por meio de nota.
Balanço de 2012 menciona  S4G  e assessoria

A S4G, empresa de Fábio Azevedo envolvida nos supostos pagamentos irregulares de comissão pela renovação de patrocínio do Banco do Brasil com a CBV, é mencionada no balanço patrimonial da entidade do ano de 2012.

O texto explica que a S4G foi contratada em dezembro de 2010 para prestar serviços de planejamento, produção e comercialização de eventos. O balanço também traz a informação que em setembro de 2012 a S4G passou a fazer parte da CBV, já que a confederação contratou para o cargo de superintendente executivo um dos sócios da empresa, que era  Azevedo.

O balanço de 2012 também explicita que a CBV gastou parte de sua verba com "assessoria na negociação dos contratos de patrocínio", exatamente o pivô da polêmica das denúncias realizadas pela ESPN Brasil. Este custo estava dentro do item marketing e produção, que foi de R$ 6.199.754,00 naquele ano.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Romário denuncia a CBV!

Nunca fui fã de Romário. Para mim seu comportamento extra-campo sempre embaçou bastante seu desempenho como jogador. Mas tenho que reconhecer seu empenho em denunciar os desmandos no mundo esportivo. Alguns o acusam de oportunismo. Acho que se for oportunismo, está sendo muito oportuno!
Transcrevo abaixo a íntegra do seu discurso no qual denuncia o escândalo do pagamento de comissões na CBV. Muito oportuno!



Vôlei: Romário sugere CPI do Esporte Olímpico

Motivado pelas recentes denúncias de irregularidades financeiras na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), o deputado federal Romário (PSB-RJ) defendeu, nesta quarta-feira (19), que a Câmara dos Deputados colabore com as investigações realizadas na CBV e sugere CPI.
“Apesar da proximidade da Copa do Mundo, consulto os nobres colegas parlamentares sobre a oportunidade de uma CPI do Esporte Olímpico, a fim de passarmos a limpo a realidade das entidades gestoras que, ressalto, são todas financiadas por verbas públicas”, defendeu.
As denúncias da emissora ESPN mostraram que o superintendente da confederação, Marcos Pina, era dono da SMP Logística, empresa de marketing que negociava os contratos do vôlei com o Banco do Brasil, faturando R$ 10 milhões de comissão. Para Romário, um evidente desperdício de dinheiro público.
“Isso é gravíssimo, pois a CBV é patrocinada pelo Banco do Brasil, recebe recursos do governo federal, da Lei Agnelo Piva e da Lei de Incentivo ao Esporte”, apontou. Após as denúncias, tanto Marcos Pina como o presidente da confederação, Ary Graça, deixaram os seus respectivos cargos.
Marcos Pina e Ary Graça são ex-jogadores da seleção brasileira. “Já representaram o nosso país em competições internacionais e agora mancham as cores nacionais que já defenderam. Uma vergonha!”, declarou o parlamentar.
Leia o discurso na íntegra:
O mais recente escândalo financeiro em nosso país vem do esporte, lamentavelmente.
Reportagens publicadas por Lúcio de Castro, da ESPN, revelaram que a poderosa Confederação Brasileira de Vôlei está sob suspeitas de irregularidades financeiras.
E isso é gravíssimo, pois a CBV é patrocinada pelo Banco do Brasil, recebe recursos do governo federal, da Lei Agnelo Piva e da Lei de Incentivo ao Esporte.
Uma das denúncias mostrou que o superintendente da confederação, Marcos Pina, era, também, dono da empresa SMP Logística.
Era essa empresa de marketing que negociava os contratos do vôlei com o Banco do Brasil, faturando R$ 10 milhões de comissão, num evidente desperdício de dinheiro público.
Após as denúncias, tanto Marcos Pina como o presidente da confederação, Ary Graça, deixaram os seus respectivos cargos. E eu queria lembrar que esses dois senhores envolvidos nas denúncias de corrupção são ex-jogadores da seleção brasileira.
Já representaram o nosso país em competições internacionais e agora mancham as cores nacionais que já defenderam. Uma vergonha!
Ora, se isso ocorre com o vôlei, premiadíssima modalidade, nas quadras e na praia, escola que se tornou referência no mundo, o que não estará ocorrendo nas confederações das demais modalidades?
O interessante, Senhor Presidente, é que essas denúncias já eram feitas em 1997, através do técnico Bebeto de Freitas, conforme reportagens da época, agora recuperadas. E que providências o governo adotou para evitar que o abuso se perpetuasse?
Para piorar, soube que alguns jogadores do vôlei beneficiados pelo Bolsa Pódio – que deveria oferecer mais apoio aos atletas com chance de disputar pódio nos Jogos Rio 2016 – têm recebido apenas parte dos valores a que tem direito. Ora, para onde estão indo os recursos que deveriam ir direto para os atletas?
Sabemos que as confederações de Tênis e a de Basquete também apresentam graves irregularidades, já reveladas pelo competente jornalista José Cruz.
Mas até agora não soubemos de uma só iniciativa do Ministério do Esporte para evitar que a situação se agrave, e ambas entidades continuam recebendo verbas públicas.
Não seria oportuno esta Casa também entrar nas investigações sobre as finanças do nosso esporte, em apoio à auditoria que a Controladoria Geral da União realiza na Confederação de Vôlei?
Apesar da proximidade da Copa do Mundo, consulto os nobres colegas parlamentares sobre a oportunidade de uma CPI do Esporte Olímpico, a fim de passarmos a limpo a realidade das entidades gestoras que, ressalto, são todas financiadas por verbas públicas.
Voltarei a este assunto, mas lanço as sugestões para oportunas consultas.
O fato é que não podemos fechar os olhos à realidade. Isso significaria omissão e esta Casa tem o dever, o compromisso de também fiscalizar o bom uso das verbas públicas.
Muito obrigado

segunda-feira, 17 de março de 2014

Da base para o estrelato azul!

Matéria do O Tempo valorizando o trabalho que é feito na Toca da Raposa I!

http://www.otempo.com.br/superfc/cruzeiro/da-base-para-o-estrelato-azul-1.808695

PRATAS DA CASA

Da base para o estrelato azul

Atual plantel do Cruzeiro conta com nove jogadores que vieram das categorias iniciais

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Bem na fita. Jogadores da base do Cruzeiro estão em alta e vêm ganhando chances no time principal
PUBLICADO EM 16/03/14 - 03h00
O Cruzeiro, atual campeão brasileiro e um dos candidatos ao título da edição 2014 da Libertadores da América, investiu pesado nas últimas temporadas para montar um grupo vencedor. A diretoria do clube sob a batuta do presidente Gilvan de Pinho Tavares contratou alguns medalhões: Júlio Baptista, Dagoberto, Borges e Marcelo Moreno; apostou em Ceará e Tinga, atletas com vasta experiência, mas não esqueceu de valorizar um dos mais importantes requisitos dos grandes clubes de futebol: as categorias de base.

O plantel principal da equipe celeste tem média de idade pouco superior a 25 anos e os jovens revelados pelas categorias de base do clube, tratados como promessas pela cúpula estrelada, representam 27% do total de jogadores do grupo. Com tantos jovens em busca de espaço, alguns atletas mais rodados e com altos salários dão lugar no time para quem está começando agora.

Entre várias estrelas, o meia Tinga é unanimidade, é o que mais interage com a garotada celeste.
“O Tinga ajuda muito os pratas da casa. Ele é um cara exemplar, sensacional, muito profissional e nas oportunidades que ele tem de passar algo para nós, sempre auxilia com dicas, orientações e muita experiência”, afirma Elber. Tinga é uma espécie de “paizão”, uma referência para os mais novos na Toca II. “Ele é o cara mais brincalhão que tem. Dá moral, brinca na hora que tem que brincar, mas é sério na hora que tem que cobrar. É muito bom ter um cara bom de grupo como ele”, ressaltou volante Eurico, promovido à equipe principal no começo de 2014. Apostando na velha receita, que sempre rendeu bons resultados no mundo da bola – mesclar juventude com tarimba, a Raposa tem 33 atletas em seu grupo principal e atualmente conta com nove pratas da casa à disposição do técnico Marcelo Oliveira. São eles: os zagueiros Wallace e Alex; o lateral-direito Mayke; os volantes Lucas Silva e Eurico, além dos meias Alisson e Elber e dos goleiros Rafael e Elisson.

terça-feira, 11 de março de 2014

Matéria: mercado obscuro da bola.

Hoje posto neste espaço a matéria publicada pela Revista Vox Objetiva de autoria do Jornalista Vinícius Grissi que trata de assunto sobre o qual gosto muito: Finanças e transparência no futebol e clubes em geral.
Tive o prazer e satisfação de ser entrevistado para tal matéria e o resultado ficou muito bom.
Neste terceiro ano de mandato do Presidente Gilvan de Pinho Tavares ocupo a Presidência do Conselho Fiscal do Cruzeiro e a temática mais abordada pelo Conselho será justamente Transparência e Governança.
Somente é importante ressaltar na matéria de Vinícius que, como ele afirmou, a maioria do clubes não se preocupa com transparência e muitas partes dos balanços não são publicadas, como por exemplo, o relatório dos conselhos fiscais. Não é o caso do Cruzeiro: publicamos os balanços completos e, atualmente, estamos com os últimos cinco exercícios, completos, à disposição do público em geral em nosso site (inclusive com os relatórios do Conselho Fiscal).
Boa leitura e parabéns ao conazionale Grissi pelo interesse em abordar assunto tão interessante e importante. O link da matéria está copiado abaixo.
Boa leitura!


http://www.voxobjetiva.com.br/noticia/647/o-mercado-obscuro-da-bola



CAPA

O mercado obscuro da bola

por Vinicius Grissi
Dívidas crescentes e transações mal-explicadas revelam a falta de transparência do futebol dentro e fora do Brasil (Foto: Divulgação Barcelona)
Uma denúncia: isso foi o suficiente para o sócio do Barcelona, Jordi Cases, ocupar a primeira página dos diários esportivos mundiais em dezembro passado. E não foi qualquer acusação. O membro da oposição do time catalão acusou a diretoria do Barcelona de apropriação indébita. Os valores foram os da transação envolvendo o atacante brasileiro Neymar. O caso explodiu após o jornal espanhol ‘El Mundo’ publicar que ocorreu uma divergência no valor da transação feita com Neymar da Silva Santos - pai de Neymar e empresário do jogador. A edição do dia 20 de janeiro dá conta que a transferência do camisa 10 canarinho custou 95 milhões de euros para os cofres do clube. Mas o valor publicado foi de 57 milhões de euros, conforme foi declarado pelo presidente do clube catalão, Sandro Rosell. Resultado: no dia 23 de janeiro, o mandatário do time deixava o cargo.
A crise instaurada após a saída de Rosell levou o empresário Neymar Santos a conceder uma longa entrevista coletiva. O pai do jogador explicou que a transferência custou, na verdade, 86,2 milhões de euros aos Brasilespanhóis. Os valores só puderam ser revelados após as partes aceitarem quebrar uma ‘cláusula de confidencialidade’ que existia no contrato. A N&N, empresa dos pais de Neymar, foi a principal beneficiada pelo negócio, levando 40 milhões de euros. O documento ainda vai ser investigado pela justiça espanhola.
Mas negócios obscuros no mundo do futebol não são exclusividade de transações internacionais nem só de clubes estrangeiros. Dos 34 clubes de maior receita do futebol brasileiro, apenas o Corinthians foi classificado como ‘bom’ no quesito nível de transparência. A informação foi revelada por uma pesquisa divulgada em novembro passado pela Pluri Consultoria. O ranking da empresa especializada em gestão e marketing esportivo coloca Atlético e Cruzeiro apenas na 24ª e 20ª posições, respectivamente. Ambos foram classificados em nível ‘básico’. É que os times mineiros não têm área específica no site para divulgar as contas. O visitante do site encontra dificuldades para localizar o balanço financeiro, e os clubes não publicam o parecer do conselho fiscal.
“Em geral, os clubes não dão muita importância para esse assunto. Nos últimos dois anos, o nível de transparência melhorou, mas ainda é básico. O que os times normalmente fazem é divulgar o balanço, alguns com maior preocupação que outros. Existem clubes montando portais de transparência, mas essa relação ainda precisa avançar muito”, analisa o economista Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.
O Presidente do Conselho Fiscal do Cruzeiro, Anísio Ciscotto, considera o ranking de transparência interessante, mas discorda de certos critérios. “A lei exige que os clubes aprovem suas contas e as publiquem até o final de abril. Nós fazemos isso. Mas há exigências que nem todas as empresas conseguem cumprir. Nós, por exemplo, esbarramos em questões tecnológicas. Tentamos colocar o estatuto do clube no site, mas, por uma questão de servidor, não foi possível”, revela.
A crescente participação de grupos de investidores nas negociações é outro fator que dificulta a divulgação de informações relativas às finanças. Normalmente esses parceiros são utilizados como ‘escudos’ para que os clubes não revelem os valores envolvidos nas principais transações. “É a parte mais nebulosa do futebol. Trata-se de um problema mundial. E a Fifa pouco tem trabalhado para combatê--lo. Mesmo que a maioria das negociações ocorra de forma lícita, não há justificativa para que as informações não sejam publicadas”, ratifica.
O comportamento das diretorias só reforça essa tendência. Nenhuma das três contratações em que houve investimento celeste na temporada – Marlone, Rodrigo Souza e Miguel Samudio – teve os valores divulgados pelo clube. No entanto, Ciscotto vê com naturalidade a confidencialidade contida nos contratos. “O clube está sujeito às penas da lei como qualquer empresa. E esse tipo de cláusula não é exclusividade do futebol. Geralmente isso é divulgado no balanço do clube. Se você buscar nas notas explicativas, vai acabar descobrindo facilmente onde a empresa colocou e tirou dinheiro”, justifica.
Para Ciscotto, a tendência é que os clubes sejam obrigados a divulgar os valores das transferências, a exemplo do que acontece no futebol português. “Em breve, os times vão virar clube-empresa, e o departamento de futebol vai funcionar como uma sociedade anônima. A própria comissão de valores mobiliários vai passar a verificar isso”, acredita o dirigente. Esse controle faria com que as dívidas dos clubes brasileiros não se multiplicassem ano após ano. Desde 2007, os 23 times com a maior receita do país somam R$ 1,8 bilhão em prejuízos, como aponta outro estudo da Pluri Consultoria.
As perdas aconteceram mesmo com o substancial aumento na arrecadação nas últimas temporadas. “Em geral, a folha dos elencos está inflada. Está entre 30% e 40% acima da capacidade dos clubes. A renegociação dos contratos de TV elevou a receita dessas equipes, mas os clubes não foram prudentes. Se tivessem sido, teriam controlado os gastos para amortizar o endividamento. Assim bastaria algum tempo para ficarem em situação mais confortável. No entanto, os clubes simplesmente elevaram brutalmente suas despesas”, observa Ferreira.
O governo federal tem a intenção de reduzir essas dívidas em 2014, principalmente com o fisco. O Banco Central vai cobrar judicialmente quase R$ 40 bilhões de multas devidas por empresas, pessoas físicas e clubes de futebol, como traz a primeira edição de fevereiro do jornal O Estado de São Paulo. E o futebol deve R$ 110 milhões desse valor. Somando todas as dívidas dos clubes com o Estado, os valores se aproximam de R$ 4 bilhões. Isso inclui débitos com Cofins, Imposto de Renda, INSS e PIS.
As primeiras audiências para a criação do Proforte, projeto de lei para refinanciamento das dívidas públicas dos clubes, já aconteceram na Câmara dos Deputados. Agora há uma discussão para que os clubes que atrasarem os pagamentos sejam punidos na esfera esportiva. As equipes podem perder pontos ou até mesmo ser rebaixadas. A punição faria evitar que o projeto naufrague como a Timemania. Essa loteria criada em 2007 é considerada um fracasso. Vinte dos 55 clubes que aderiram ao sistema já foram excluídos por atrasos e inadimplência. É o caso do Atlético. A dívida do Galo com a loteria foi estimada em R$ 147 milhões.
Desde agosto de 2013, o atual campeão da Copa Libertadores sofre com o bloqueio parcial do dinheiro relativo à venda de Bernard. Um dos destaques do time na conquista continental, o meia foi negociado no fim de julho com o Shahktar Donetsk, da Ucrânia, por 25 milhões de euros. Desse valor, cerca de R$ 40 milhões foram retidos pelo Banco Central por conta de três processos de execução fiscal movidos pela Fazenda Nacional contra o clube. E o Atlético está envolvido em 36 pendências, além dessas ações. Na reta final da última temporada, a equipe chegou a ficar dois meses em débito com seus jogadores. Isso ocorreu pouco antes da disputa do Mundial de Clubes em que o time acabou na terceira posição.
Mesmo com as constantes cobranças do presidente Alexandre Kalil, o caso parece longe de uma solução. No dia 12 de fevereiro, um novo bloqueio, agora referente a uma dívida contraída em 1999, revoltou o dirigente do Atlético. “Acho que só o Atlético deve impostos no Brasil. Qual o nosso pecado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)?”, questionou Kalil em sua conta no twitter. Para o diretor jurídico do Atlético, Lásaro da Cunha, o clube está sendo vítima de perseguição. “Por que Vasco, Botafogo e Flamengo conseguiram o parcelamento? Por que não podemos continuar pagando a dívida em condições razoáveis?”, pergunta antes de revelar a necessidade do clube. “A dívida precisa ser parcelada para que o Atlético funcione. É como uma bicicleta. Se você para, ela cai”.
Com tantas dificuldades, os principais clubes brasileiros começaram 2014 com o pé no freio. Campeão brasileiro, o Cruzeiro manteve os principais jogadores, mas pouco contratou. Situação semelhante vive o Atlético, que encontra dificuldades para reforçar o time rumo ao bicampeonato da Libertadores. “Por diversos motivos, a corda esticou num nível que se tornou quase obrigatório fazer um ajuste. Além disso, desde o ano passado, o movimento Bom Senso Futebol Clube começou a escancarar para a mídia convencional e para o torcedor os atrasos salariais de alguns clubes e suas consequências futuras. Em alguns times, o nível de endividamento chegou a tal ponto que não é mais possível contratar”, lamenta Ferreira.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Por que não perdoar dívidas? Pela realidade como são geridos os clubes!

De há muito tempo venho batendo na tecla de que os movimentos encetados pelos dirigentes de clubes de futebol e que resultaram no Projeto de Lei 6753/13 são manobras protelatórias e que visam "empurrar com a barriga" uma situação, fruto de péssima, gestão para os sucessores resolverem ou sentirem as consequências.
O artigo que copio abaixo foi publicado no excelente blog Olhar Crônico Esportivo que traz sempre matérias interessantes sobre as finanças no mundo do futebol. É leitura obrigatória para torcedores, simpatizantes e sobremaneira dirigentes esportivos. O artigo trata sobre a reunião acontecida na Câmara Federal onde os consultores Amir Somoggi e Fernando Ferreira fizeram uma exposição a parlamentares e público em geral sobre o porquê da aplicação do Proforte não resolver os problemas financeiros dos clubes.
Meu blog já havia tratado de tal assunto ( http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2014/02/proforte-fracassa-vem-ai-nova-proposta.html ) mas é sempre bom validarmos nossas opiniões com o conhecimento de outra autoridade.
Sobre o Cruzeiro temos muito que trabalhar para melhorarmos muito nossa administração. Como dirigente do Conselho Fiscal, percebo há algum tempo que temos que trabalhar muito no que tange a especialização de nosso corpo dirigente e funcional, como trabalhar pesado no quesito Disclosure. Nesta última parte o Conselho Fiscal possui papel relevante.
Boa leitura para todos!


http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/olhar-cronico-esportivo/3.html

OLHAR CRÔNICO ESPORTIVO

  • por Emerson Gonçalves


    “...o quadro é muito pior do que a gente supunha do ponto de vista da capacidade de os clubes honrarem isso aí” – essa declaração foi feita pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) depois de assistir às apresentações feitas pelo Amir Somoggi, consultor em marketing e gestão esportiva, e Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, dois profissionais com trabalhos bem conhecidos dos leitores desse OCE, durante a audiência pública convocada pela comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a criação do Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos, o Proforte (PL 6753/13), anteontem, dia 12. O deputado Leite é o relator desse projeto, de criação do deputado Vicente Candido (PT-SP).
    Amir Somoggi e Fernando Ferreira  trabalharam com dados financeiros do ano de 2012 (os dados de público e ocupação mostrados pelo Fernando são de 2013 e foram vistos no post anterior), o que significa que a situação que o deputado conheceu é, com certeza, ainda pior do que a que foi mostrada.

    Em sua apresentação, Amir destacou os seguintes pontos:
    - a receita total dos 100 maiores clubes brasileiros foi de R$ 3,5 bilhões entre 2003 e 2012, com o endividamento atingindo o total de R$ 5,5 bilhões no mesmo período;
    - até o acordo da Timemania, as dívidas fiscais cresciam acima das demais; posteriormente, em especial a partir de 2009, o maior crescimento foi das dívidas bancárias, ao lado de outras geradas por gastos acima da capacidade de pagamento; entram nesse quesito os altos valores pagos a jogadores vindos da Europa, a maioria, quase totalidade, pouco retorno dá a seus contratantes, bem como os salários de treinadores;
    - as despesas financeiras (principalmente pagamentos de juros sobre empréstimos bancários) chegaram a R$ 300 milhões por ano.
    Na opinião de Somoggi, se os clubes continuarem pegando empréstimos para financiar suas atividades e sobreviverem, continuarão pagando enormes quantias em juros. Vale recordar que os famosos adiantamentos de direitos de transmissão, sejam eles “via Globo”, sejam “federações/confederação”, são operações bancárias e sobre elas incidem os juros cobrados pelo mercado.
    Outro ponto importante: já em setembro de 2011, post desse OCE com base em estudo elaborado por profissionais do banco Itaú BBA (aqui) apontou que os clubes brasileiros tinham péssima bancabilidade, na visão do mercado financeiro. Isso, em termos práticos, significava que os bancos de primeira linha não emprestavam dinheiro aos clubes, nem tanto pela falta de garantias e muito mais pelas péssimas gestões e balanços ainda piores. Como resultado, os clubes há anos tomam dinheiro caro em bancos de segunda linha, dispostos a maiores riscos em troca de maiores remunerações, até mesmo com a mistura de direitos de jogadores e patrocínios de camisa, num verdadeiro balaio de gatos onde o maior arranhado é justamente quem está fora do balaio: o torcedor.

    Fernando Ferreira destacou em sua apresentação que a última vez que o campeonato inglês de futebol teve uma média de público semelhante à do brasileiro, foi há mais de um século, 1904. Isso, segundo ele, dá uma boa ideia das muitas distâncias que separam nosso futebol daquele que é praticado por países europeus, principalmente Inglaterra e Alemanha.
    Ferreira também destacou uma lista com os dez maiores problemas de nosso futebol, segundo pesquisa realizada por sua empresa junto a 300 profissionais e especialistas em futebol, que reproduzo abaixo (essa pesquisa, assim como outros trabalhos da Pluri e do Amir Somoggi estão publicados no OCE):
     

    Os dois especialistas mostraram aos deputados que há necessidade urgente de mudar as gestões do futebol. Não basta mudar nomes, é necessário mudar métodos, filosofias, práticas ou de nada adiantará um Proforte em 2014. Porque será necessário outro em 2018 ou 2019 e assim por diante.
    Nada disso é novidade para quem vem acompanhando o que ocorre em nosso futebol nos últimos anos. Nossa realidade poderia ser – e merece ser – bem diferente. Aliás, esse ponto também foi levantado pelo Fernando Ferreira, ao dizer que temos uma das maiores economias (bem ou mal, é grande, sim, embora pobre) do mundo e à nossa frente há apenas três delas com tradição no futebol – Alemanha, França e Inglaterra (e com essa última o valor do PIB segue mais ou menos parelho). Já na “economia do futebol” estamos muito, muito distantes dessas três, a começar, como já falado, na presença do torcedor nos estádios.
    Ao fim da audiência, o deputado Otávio Leite, na qualidade de relator do projeto, disse ter a intenção de fazer do atual projeto algo como uma “lei de responsabilidade fiscal” no futebol, com a necessidade dos clubes beneficiados apresentarem contrapartidas. Aguardemos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval Família 2014

No sábado, dia primeiro de março, saiu para desfilar o bloco "De seu Bento a dona Lúcia", que apesar de ser pela segunda vez que se apresenta, já se tornou uma tradição no bairro de São Bento em Belo Horizonte. Mais de duas mil pessoas estiveram presentes apesar da chuva!
O bloco é uma realização de amigos  que se conheceram no Grupo de Jovens São Bento e mais alguns agregados. 
Belo Horizonte tem incrementado o seu carnaval com o surgimento de vários blocos, fruto de iniciativa da população e que conta com o apoio da Prefeitura.
O desfile deste ano foi apoiado pela Associação de Cultura Ítalo-Brasileira de Minas Gerais e da Seris.



Estandarte do Bloco.
Entrevista da Rede Globo

Diretoria do bloco
Ensaio.
O Mick Jaeger das Marchinhas!
Bateria Nota 10!

Bateria Nota 10
Muita gente bonita presente!