quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um personagem do Cruzeiro: Dr. Lemos.

Dr. Francisco Lemos é uma bandeira dentro do Cruzeiro. Figura ímpar e que dedicou sua vida ao Clube que sempre amou. Criado no Barro Preto, conviveu com os italianos que fundaram o Palestra, e frequentou a sede em sua infância, adolescência, juventude e agora frequenta na sua maturidade.
Não há História do Cruzeiro sem que haja a presença do Dr. Lemos. Idealista, elegeu como causa de vida a causa do Cruzeiro. A grandeza patrimonial do Clube tem a mão do Dr. Lemos.
O texto abaixo foi retirado do blog do Bruno Vicintin, Jogos Imortais, e foi escrito pelo Conselheiro Fabrício, o Mixa.
É mais uma chance dos Cruzeirenses se inteirarem das personalidades que batalham pelas cores azuis nos bastidores.
Ótima leitura!



http://www.jogosimortais.com.br/blog/index.php?id=56

Uma Vida Pelo Bem do Cruzeiro
Este espaço, vez por outra, além de falar de jogos atuais, na "Resenha do Mixa" enfrenta a necessidade de explicar algumas coisas, apresentar personagens e fazer resenhas que não são simplesmente a de narrar Jogos Imortais.
Uma destas necessidades é a de mostrar personagens que fizeram ou que fazem a história do Cruzeiro e que não são conhecidos da maioria da torcida do Cruzeiro. O personagem da vez é o "Dr. Lemos", partícipe ativo da nossa história há mais de 50 anos.
Colocaremos aqui um pouco do que ele ajudou a construir. José Francisco Lemos Filho foi o presidente mais novo da história do Cruzeiro Esporte Clube, e acreditem foi presidente pois, segundo ele mesmo, ninguém, à época, queria assumir o cargo de presidente daquele time de futebol, fato inimaginável nos dias de hoje.
O Cruzeiro era um time de pouco dinheiro em caixa e em 1954 ninguém queria assumir a responsabilidade de tocar nosso amado clube, coube ao jovem apaixonado chamar para si a responsabilidade.
Na nossa história, existem vários ídolos dentro do campo, porém, na minha opinião, não podemos nunca esquecer de lembrar a historia das pessoas que verdadeiramente construíram nosso clube. A historia de vida do Dr. Lemos esta diretamente envolvida com todas as fases da historia do clube, nunca ele teve a vaidade de querer comandar o show. Sempre trabalhou mineiramente nos bastidores, ajudando a construir nosso patrimônio, aconselhando jovens presidentes, lutando pela união e acima de tudo pelo bem da instituição.
Foram nomes como o Dr. Lemos, Carmine Furlleti, Benito Masci entre tantos outros que fizeram nossa grandeza, que engoliram muitos sapos de torcedores quase irracionais e que dificilmente dão o devido valor ao belíssimo trabalho feito por jogadores que ajudaram a construir paredes e dirigentes que sofreram como qualquer torcedor. Se hoje o Cruzeiro é um grande clube é porque homens como eles passaram por cima da vaidade, do tempo que estariam dedicando a família pelo bem acima de tudo da instituição. São estes os exemplos que temos que seguir hoje, independente de qualquer opinião ou interesse pessoal de trabalhar pelo bem do Cruzeiro.
Porque resolvi escrever esta breve coluna?
Primeiro para poder bater um papo com o Dr. Lemos sobre o passado do nosso clube que tanto me encanta. Falar sobre o "Tanque" Niginho, sobre as mudanças na história do clube, sobre  os craques como Tostão, Piazza, Dirceu Lopes. Hoje existem dentro de nossa torcida alguns torcedores profissionais, pessoas que tomam do Cruzeiro para beneficio próprio, só pensando em interesses particulares e obscuros. Sei que hoje isto é comum em todos os times brasileiros porém dificilmente aceitaremos calado ver estas pessoas tirarem proveito de coisas que não ajudam a construir, tirar proveito sem se doar e oferecer nada em troca. O Cruzeiro somos nós e ele depende de nós para viver, não o contrário.

Dr. Lemos
José Francisco Lemos foi presidente do Cruzeiro em 1954, viveu a construção do Barro Preto, da Toca da Raposa, do Centro Administrativo, da Toca 2 e de todas as reformas que vieram nestes 54 anos.
Foi engenheiro de sucesso e de carreira na CEMIG, viveu a construção do grande time da década de 60 e 70, deixou momentaneamente o clube pelas mesmas brigas internas que nos fizeram perder o domínio estadual nos anos 80, viu de longe também o ressurgimento do gigante com a família Masci e depois voltou junto com Zezé Perrella e Alvimar Oliveira Costa para ajudá-los a conquistarem tudo que um clube pode desejar e que muitos clubes centenários jamais sonham em conquistar. Para ele o nosso futuro é belíssimo, nossa torcida continua crescendo e as covardias que ele tanto viu nosso clube sofrer na mão dos rivais no passado não acontecem mais.
Que esta breve coluna sirva de exemplo aos torcedores profissionais e para quem pensa no Cruzeiro como forma de se promover, que a biografia deste e de vários outros ex-presidentes seja sempre respeitada e que eles sejam realmente tratados como merecem, como os ídolos que construíram nosso amado clube.
Abaixo um pouco da historia de uma das pessoas que mais ajudou na construção do nosso clube escrito por ele mesmo.

Decorria o ano de 1954, o Dr. José Greco que vinha exercendo a Presidência do Clube, por vários anos, manifestou o desejo de não continuar na Presidência do Cruzeiro.
Ficando vago, o cargo, o Conselho Deliberativo, através de seu Presidente, Sr. Jerônimo Corte Real, reuniu-se várias vezes, com o objetivo de eleger o novo Presidente. As reuniões de Conselho Deliberativo, eram realizadas no vestiário de Futebol do Barro Preto, pois o Cruzeiro não possuía Sede ou outro local adequado para essas reuniões. Consultados, vários Conselheiros, principalmente os mais antigos, nenhum deles aceitou a indicação.
Outras reuniões foram realizadas sem obter êxito de conseguir um Presidente. Em uma das reuniões, o Dr. Wellington Armaneli se prontificou a tornar-se Presidente, presidindo uma chapa da qual eu, José Francisco Lemos Filho, participava como um dos Vice-Presidentes.
Lamentavelmente, após pouco mais de uma semana, o Dr. Wellington Armanelli renunciou a Presidência. Voltava assim a estaca zero, e o cargo estava sem titular. Procurado e convencido principalmente pelos Srs. Jerônimo Corte Real, Miguel Morici, Bengala, Adil de Oliveira e outros, resolvi aceitar e tornei-me Presidente do Clube em 1954.
Estava terminando o último ano na escola de Engenharia, tinha pouco mais de 25 anos de idade. Naqueles momentos difíceis, havia até proposta de um dos grandes ex-Presidentes do Cruzeiro em acabar como futebol devido as dificuldades financeiras e técnicas.
Dentre as minhas metas como Presidente estavam presentes:
O incremento do esporte especializado.
O Governo do Estado de Minas Gerais, através da Diretoria de Esportes, assumia todas as despesas, como pagamento de técnico, materiais, etc. Assim ganhamos mais títulos de que qualquer outro Clube de Minas Gerais. Aqueles atletas que vencedores se tornaram cruzeirenses e participavam da vida social do Clube, e até da Diretoria.
Incremento na Sede Social
Naquela época o Estado destinou um financiamento aos três Clubes, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG, para que os mesmos construíssem as suas Sedes Sociais. O Cruzeiro tinha iniciado a obra, mas não prestou contas dos primeiros desembolsos, os outros beneficiários faziam coisas piores.
Era imprescindível, para saque das parcelas, prestação rígida de gastos realmente efetuados. Procurei três dos principais fornecedores de materiais de construção, Casa Falci, Othon de Carvalho e outro que não me lembro, e coloquei para os mesmos a situação, propondo para que recebessem que lhes era devido seria indispensável aumentar a dívida, de forma que a obra prosseguisse, e o órgão governamental liberasse as verbas.
Assim com conseguimos dar prosseguimento a obra que foi inaugurada no inicio da Gestão do Presidente Dr. Eduardo Bambirra, que me sucedeu.
A Sede Social, localizada no Barro Preto, foi o marco decisivo na evolução social e financeira do Cruzeiro Esporte Clube, de 200 sócios passamos para 2000, os aluguéis, festas, completavam a receita necessária ao equilíbrio financeiro do Clube. Na verdade foi a alavanca do desenvolvimento do Glorioso Cruzeiro Esporte Clube.
Evidentemente, como estava para iniciar a minha carreira de Engenheiro, não poderia ficar por longo tempo como Presidente. Promovi, juntamente com o Conselho Deliberativo, quando a situação administrativa e financeira estava sob controle, com salários em dia, inclusive do futebol, a eleição para Presidente.
Ocorreu uma eleição difícil com dois candidatos de peso. Saíram vitoriosos a chapa da situação, apoiada por nós, elegendo o Dr. Eduardo Bambirra.
Infelizmente, por vandalismo, negligência ou por ato obscuro, o livro de ata de Conselho com este evento, e outros de alta importância pra o Clube desapareceram. Principalmente para não aparecer os nomes dos membros, eleitos naquela época para Conselheiros Natos. Entretanto, existem jornais da época e atas de reuniões da Diretoria, que podem ajudar na confirmação desses fatos.
Estou certo e sem constrangimento, que fui escolhido para ser Presidente por falta de outra opção. Entretanto, também posso afirmar, que prestei um bom trabalho, evitando um provável, desastroso encerramento do Futebol do nosso Clube. Por outro lado, dei inicio a uma administração planejada, organizada, tirando proveito do disponível, que certamente evoluiu, cresceu e ajudou ao Cruzeiro tornar-se uma grande Potência de Clube Mineiro e Brasileiro.
Tendo sido a minha participação mais importante na Administração do Clube, tive a oportunidade de continuar servindo.
Fui Vice-Presidente, de 1959 a 1960, ocasião em que o Cruzeiro conquistou o Bi-Campeonato Mineiro de Futebol, após 14 anos sem Títulos.
Membro, Vice-Presidente e Presidente da Comissão de Obras, que administrou a construção da Sede Campestre, oportunidade que evitei o desvio de recursos financeiros destinada aquela finalidade. Como Conselheiro, lutamos para que o terreno do parque Esportivo do Barro Preto não fosse alienado como fizeram outros clubes e se aproveitaram de forma irregular da manutenção destes terrenos.
Presidente do Conselho Deliberativo, Vice-Presidente durante a gestão do Presidente Zezé Perrella e do 1º mandato do Alvimar de Oliveira Costa, participei como coordenador do projeto e construção da Toca II e da Sede Administrativa, revitalização do Barro Preto e melhoramento da Sede Campestre.
Ainda durante a gestão do Zezé Perrella, implantamos as normas administrativas e de gestão dos sócios do Clube
São muitas as atividades que considero como positivas para a construção desta história do Cruzeiro Esport Clube. Creio que o trabalho por mim realizado, sem falsa modéstia, vem ajudando durante todos estes anos a tornar o Cruzeiro uma potência como tem sido. Este relato é um pouco da vida que tenho dedicado pelo bem do Cruzeiro.

Um personagem do Cruzeiro: Geraldo Maquiné.


        O Cruzeiro possui muitos personagens interessantes pertencentes a várias épocas de sua História. São os mais antigos, os que estão atuando mais ativamente e os de promissor futuro. Todos foram, são e serão muito importantes na gloriosa História Palestrina.
        A torcida do Cruzeiro sabe muito pouco a respeito de tais personagens, principalmente dos que atuaram no passado, apesar de todo o banho de informações que recebemos todos os dias através da internet.
        Encontrei o artigo, que copio abaixo, no site “Páginas Heróicas Digitais” (cujo link evidencio antes do texto) onde temos uma simpática e competente entrevista com uma das bandeiras Cruzeirenses dos bastidores do Clube: Geraldo Maquiné.
        Geraldo Maquine é um Cruzeirense de grande calado e até hoje atua nos bastidores do Clube, sempre polêmico quando acha que deve ser e intransigente com as tradições do Clube. Quando o Cruzeiro lançou uma camisa amarela em 2010, lutou ferrenhamente para que tal “heresia” não se consumasse.
        Peço desculpas ao Jorge Angrisano Santana por copiar seu artigo e peço sua autorização para publicá-lo, pois minha intenção, assim como a dele, é levar informação à grande Torcida Cruzeirense.
        Ótima leitura!


http://cruzeiro.org/blog/geraldo-maquine-memorias-de-um-radialista/

Memórias de Geraldo Maquiné, radialista que se tornou dirigente esportivo

Por Jorge Angrisano Santana | Em 21 de julho de 2011

Geraldo Maquiné, um dos dirigentes mais atuantes do Cruzeiro nas últimas décadas, é pouco conhecido do grande público.
Mas é um dos velhinhos que desmentem a tese de que o Cruzeiro tem dono. Nos bastidores, eles atuam e influem na condução da entidade.
Foi no bairro Castelo, na casa do amigo comum, João Luís Soares, atleticano, que entrevistei Maquiné, em 28ago10.

Haveria uma segunda sessão de perguntas, que a agenda apertada de todos nós ainda não tornou possível.
Enquanto ela não acontece, vamos conhecer a história deste faz-tudo, que virou radialista e, depois um diretor faz-tudo no Cruzeiro.
  1. Personagem – Geraldo Maquiné de Freitas nasceu na fazenda do avô, Saco dos Cochos, em Cordisburgo, em 15jun34.
  2. Família – O pai, João Henrique de Freitas Sobrinho, era agente da Central do Brasil. A mãe, Marta Silva de Freitas, dona de casa.
  3. Cidades – A família morou em Sete Lagoas, Belo Horizonte (bairro Venda Nova), Esmeraldas e Sete Lagoas. Aos 11 anos, Maquiné mudou-se com os irmãos pra Belo Horizonte. Em 1953, os pais mudaram-se, definitivamente, para Belo Horizonte e ele voltou a morar com a família.
  4. Escolas – Ginásio Tristão de Athayde, em Belo Horizonte, em 1945. Em 1961, Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, matriculado pelo DER.
  5. Empregos – Começou antes dos 10 anos como ajudante de padeiro. Quando morou em Venda Nova, foi ajudante de oleiro. Aos 11 anos, trabalhava como servente o Ginásio Tristão de Athayde. Em 1951, aos 17 anos, passou a trabalhar no DER como bilheteiro na antiga rodoviária de Belo Horizonte. Depois, foi auxiliar de escritório, técnico de administração, chefe de serviços e chefe do departamento de cargos e salários.
  6. Jornalismo – Aos 20 anos começou a trabalhar no rádio. Foi repórter e narrador das rádios Guarani e Inconfidência. Em 1958, foi contratado como locutor de futebol pela Rádio Itatiaia. Trabalhou, sem seguida, na TV Itacolomi como apresentador do repórter Esso. Também foi chefe de reportagem no Diário de Minas até 1966, quando foi promovido pelo Diretor-Geral do DER, Eliseu Resende, a Chefe de Serviço. Depois, com a fundação da Corbel, trabalhou com Maurício Bizotto na coordenação da Constru e não teve mais tempo para a atividade jornalística.
  7. Cruzeiro – Em 1957, foi escalado para setorista do Cruzeiro, cujo presidente, Manoel de Carvalho, tornou-se seu amigo. Ele associou-se ao clube e tornou-se amigo, também, de Felício Brandi, Carmine Furletti, Eduardo Bambirra, Edmundo Lambertucci e Céu Azul Soares. O clube era paupérrimo. O departamento Médico, quase uma ficção. Havia um clínico geral, mas o atendimento durante as partidas era feito por Amaury de Castro que, além de jogar, cuidava das contusões dos atletas.
  8. Maior jogo dessa épocaCruzeiro 2×1 Botafogo, sábado, 02fev57, 21h15, Estádio JK, no Barro Preto, Belo Horizonte, amistoso. Público: 6.000 (estimativa) – Renda: Cr$56.160,00 – Juiz: Honver Bilate (RJ) – Bandeiras: Manoel do Couto Ferreira Pires e Carlos Henrique Alves Lima (RJ) – Gols: Didi, 17, Gilberto, 33 e 44 do 2º tempo – Cruzeiro: Mussula, Gerson dos santos e Nozinho; Adelino Torres, Elio Lazzarotti e Pireco (Salvador); Raimundinho, Gilberto, Pelau, Cabelinho e Aírton (Dario). Tec: Colombo (interino) / Botafogo: Amauri (Pereira Natero), Orlando Maia e Nílton Santos, Bob, Pampolini e Juvenal; Neivaldo, Didi, Gato (Paulinho Valentim), Garrincha e Canete. Tec: João Saldanha – Notas: 1. A renda da partida ficou com Gerson dos Santos, como pagamento de atrasados que lhe devia o clube carioca. 2. Em 1957, o Botafogo foi campeão carioca vencendo o Fluminense, na decisão por 6×2 com 5 gols de Paulinho Valentim. 3. Pampolini e Juvenal (Cruzeiro), Neivaldo (Asas), Paulinho Valentim (Sete de Setembro e Atlético-MG) e Gato (Villa Nova) eram os mineiros do Botafogo. 4. No dia seguinte, à tarde, no Estádio Independência, o Botafogo venceu o Atlético-MG por 3×1. 5. Colombo, treinador dos juvenis estava substituindo Niginho e seria substituído na semana seguinte por Aírton Moreira.
  9. Um fanático“O repórter policial Fialho Pacheco foi dirigente do Cruzeiro. E dos mais radicais. Alto, corpulento, cigarro sempre aceso num canto da boca, ele criava caso com a imprensa se julgasse que o Cruzeiro estava sendo prejudicado. Nos Anos 50, desentendeu-se com a TV Itacolomi e, pra impedir a transmissão de um jogo no Barro Preto, espetou bambus no muro, colocou um arame por cima e esticou cobertores para impedidr que s câmeras da emissora, colocadas no telhado de um prédio vizinho, pudessem transmitir a partida.”
  10. Januário Carneiro“O dono da Itatiaia e torcedor do Villa Nova, Januário era isento na cobertura do futebol. A emissora funcionava no Balança Mas Não Cai, edifício na esquina de Tupis com Amazonas (que esteve fechado por motivos de segurança durante muitos e anos e está sendo reaberto, agora, em 2010). O dinheiro era curto. Quando entrava algum, Januário dividia entre os colaboradores. Os anunciantes eram Alka Seltzer (antiácido), BF Goodrich (pneus), Akamoto (vitamina). A emissora só começou a faturar bem quando teve patrocínio da Gillette para o futebol e o carnaval.”
  11. Chegada à Itatiaia“Foi o Vander de Oliveira, do Estado de Minas, quem me apresentou a Céu Azul Soares, chefe de esportes da Itatiaia, após ouvir Maquiné lendo uma carta enviada por uma professora ao jornal. Ele começou dividindo um programa às 11h com José Lino de Souza Barros. Às 18h, dividia o horário esportivo com Emanuel Carneiro.”
  12. Cobertura de carnaval “Quando começou a ser patrocinada pela Gillette, a Itatiaia ampliou sua capacidade de cobertura de eventos populares. No carnaval, ela chegou a ter oito postos na cidade: Pronto Socorro, Polícia, Avenida Afonso Pena de nos clubes que organizam bailes. Num desses carnavais, ocorreu um desastre de trem em Sarzedo e, a pedido de uma irmã de caridade, organizei uma campanha apoio à s vítimas e seus familiares. As doações foram tantas que, por problemas logísticos, a Igreja pediu que ela cessasse. Foi aí que percebi o alcance da rádio.”
  13. Colegas de trabalho“Céu Azul Soares era cruzeirense, Hamílton Macedo, americano, Jairo Anatólio Lima, atleticano. Osvaldo Faria, Lucélio Gomes,Valdir Rodrigues e outros não declaravam time de coração. Milton Colen foi o maior profissional da locução esportiva nessa época. Era sério e rígido na busca e divulgação de notícias. Foi meu ídolo no rádio mineiro até se transferir para a Bahia. Fernando Sasso foi outro grande narrador. Nenhum deles se deixava trair pela preferência clubística.”
  14. Atividades sociais“Isaac Federmam, funcionário do Banco Hipotecário (um dos antecessores do Bemge) foi o maior diretor social do Cruzeiro. Foi muito atuante nos Anos 50 e 60. Pelo palco do salão de baile da sede social do Barro Preto, passaram Mílton Nascimento, Dalva de Oliveira e Clara Nunes.”
  15. Grupo do Barro Preto“Mário Grosso e Eduardo Bambirra, ex-presidentes, Bengala, ex-jogador e treinador, Milo Nicolai, Edmundo Lambertucci, José Paulo Carioca, Miguel Morici e outros viviam no Barro Preto. Eram temidos pelos treinadores e demais dirigentes, pois cornetavam muito. Felício Brandi administrava o clube diretamente do escritório de sua empresa a Massas Orion.”
  16. Cruzeiro de Todos os tempos“Horst, Nelinho, Vavá, Procópio e Geraldino; Amaury de Castro, Dirceu Lopes e Tostão; Pelau, Evaldo Cruz e Joãozinho. Tec: Yustrich. Presidente: Benito Masci. Diretor de Futebol: Pedro Assunção.”
  17. Ídolos: “Joãozinho, Nelinho e Abelardo Flecha Azul.”
  18. Obras“Participei das comissões de construção da Toca II, de reforma da Toca I, da Sede Administrativa do Barro Preto e da revitalização do Parque JK, no Barro Preto.”
  19. Toca II “A comissão de obras era formada por mim, pelo José Francisco Lemos, vice-presidente, e pelo Nélio Lopes. A idéia inicial era a de se construir um centro de  treinamentos para as categorias de base. Mas logo verifiquei que seria difícil o acesso dos garotos ao um lugar tão ermo e sem condução. Propus ao Zezé Perrela que a construção fosse destinada aos profissionais, que têm carros, ficando a Toca I para a base. O presidente topou. Chamei o arquiteto Fernando Graça e ele alterou o projeto. José Francisco Lemos, que administrava o clube enquanto Zezé estava no Congresso Nacional, gostou do projeto. Quem não aprovou a mudança foi o treinador Levir Culpi e o supervisor Benecy Queiroz.”
  20. Uma crise“Quando Benito ficou doente, houve uma articulação para colocar em seu lugar o diretor Domingos Costa, que teria como diretor de futebol, Pedro Assunção, um adversário do treinador Ênio Andrade. Eu entrei na jogada e articulei o que era correto, a posse do vice-presidente Salvador Masci, irmão de Benito.”
Esse post foi publicado de quinta-feira, 21 de julho de 2011 às 9:25 am,

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cescotto/Ciscotto - 125 anos de Brasil!

                 Em 14 de janeiro de 2014 a família Cescotto comemora 125 anos que chegou ao Brasil. Vieram de Maron di Brugnera a bordo do vapor Pacífica. Embarcaram no porto de Gênova e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, sendo remetidos à hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores em Niterói. De lá, foram embarcados em um trem da Leopoldina Railway e levados até Rochedo de Minas, àquela época distrito de São João Nepomuceno.  Na verdade, desembarcaram em uma estação de trem que existia no interior da própria fazenda, uma vez que, naquela estação, eram embarcadas as sacas de café que a fazenda produzia e eram levadas até Juiz de Fora.
                Os membros da família Cescotto chegados ao Brasil naquela data eram dois irmãos com suas esposas e filhos. O mais velho se chamava Angelo e tinha 57 anos de idade. Veio com sua esposa Maria, de 44 anos, e seus filhos Pasissina (19), Giovachinno (16), Regina (14), Pasqualle (13), Pietro (10), Benedetto (07) e Caterina (04). O casal Angelo e Maria perdeu um filho, Giovanni, que morreu durante a viagem. O jovem Giovanni era gêmeo de Bennedetto e embarcou com a família em Gênova mas, por algum motivo desconhecido, faleceu a bordo do Pacifica e teve seu corpo lançado ao mar. O outro irmão chamava-se Felice e tinha 50 anos quando chegou ao Brasil. Veio acompanhado de sua esposa Angela de 47 anos de idade. Com eles vieram sete filhos, a mais velha, com 17 anos era Maria. Depois vinham Luizia (15), Antonia (14), Giovanni Battista (11), Anna (09), Antonio (05) e Giulietta com apenas dois anos.
                A viagem durou perto de 30 dias e os passageiros eram divididos em grupos de dez, havendo um que seria responsável pelo contato com a tripulação para organizar a alimentação do grupo. As acomodações eram no fundo do barco e os italianos dormiam em beliches de quatro andares, com várias pessoas em cada cama, que constava apenas de colchão; nada de travesseiros, roupa de cama ou banho. Devido ao medo de peste, roedores e outras pragas, passavam a maior parte do dia no convés do navio expostos primeiramente ao frio do hemisfério norte (como saíram de Gênova em meados de dezembro, saíram em pleno inverno), e depois ao calor extremo do hemisfério sul. Comiam biscoitos e sopa.
Italianos no convés do navio.

                Quando chegaram ao Brasil foram direto para a Hospedaria da Ilha das Flores onde passavam um período de quarentena para adaptação ao clima e verificação do estado de saúde dos imigrantes. Eram identificados, recebiam documentos e eram encaminhados ao seu local de destino, no caso, Rochedo de Minas.
                No caso dos Cescottos foram recebidos na Fazenda do Rochedo pelo proprietário com uma demonstração dos produtos da terra e os que mais agradaram os italianos foram os derivados da cana de açucar, uma vez que havia um grande engenho de cana. Melado, garapa, a própria cana, rapadura, açúcar e todos os derivados que provocaram grande contentamento entre os recém-chegados, principalmente as mulheres que viram a possibilidade de produção de doces em geral. As frutas da região também foram apresentadas e a goiaba foi a que mais agradou. Um dos imigrantes, o chefe de um ramo da família Cescotto, Angelo, quebrou alguns de seus dentes ao confundir uma touceira de bambu com um pé-de-cana. Cortou um bambu, descascou-o e tentou comer. Também há o caso de outro que comeu uma moranga que começava a desabrochar pensando tratar-se de uma goiaba. Tiveram também o primeiro contato com o motivo de sua vinda: o café.

                É importante ressaltar: o italiano em Minas Gerais não veio substituir o escravo, isto é um erro histórico. Veio trabalhar ao lado do escravo. Com o aumento contínuo da produção de café e a extinção da vinda de negros para o trabalho nas lavouras, a maneira de complementar a mão de obra foi a importação de europeus. Os ex-escravos foram os professores e técnicos dos italianos. Cada família recebia um lote de pés de café e era responsável pela colheita, limpeza do cafezal e entrega das frutas nos pontos onde os carros de boi recolhiam a produção para ser levada aos terreiros e armazéns na sede da fazenda. O local onde a família de Felice Cescotto se instalou chamava-se Pedra do Ôco.
A colheita do café. Até as crianças trabalhavam.


A segunda geração dos Cescottos já se ocupou da operação de maquinário e criação de novas técnicas de produção. O caçula de Felice, Antonio, tornou-se o administrador geral da fazenda e chegou a tal ponto sua eficiência, que foi convidado pelo Presidente da República, Arthur Bernardes, a fazer parte de uma comissão que cuidaria da fundação da Escola Agrícola de Viçosa, hoje a prestigiosa Universidade Federal de Viçosa. Em suas viagens da Capital Federal para sua terra natal (Viçosa) Bernardes passava com seu trem pela Fazenda do Rochedo e muito se impressionava. O convite para fazer parte da comissão foi feito na cozinha da casa de Antonio, pois os trilhos da Leopoldina passavam rentes à entrada da casa. Maria, a esposa de Antonio, teve o prazer de servir um café ao Presidente da República. Quando de sua vinda a Belo Horizonte para participar de uma reunião sobre a Escola Agrícola, Antonio teve o convite de participar de uma reunião da comunidade italiana. Era o dia 02 de janeiro de 1921 e Antonio fez parte da reunião que fundou a Società Sportiva Palestra Italia, que depois se transformou em Cruzeiro Esporte Clube.
Foto da reunião de fundação do Palestra
Hoje a família Cescotto está espalhada por grande parte do território nacional: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Já virou Ciscotto, Ciscouto e até Assis Couto. Na Itália, são poucos os Cescottos remanescentes. Em recente viagem ao país de origem, fui conhecer a terra de nossos antepassados, cuja região se chama Friuli-Venezia-Giulia. Maron di Brugnera é um distrito (paese) pertencente à cidade de Brugnera, que fica na província de Pordenone. Procurei saber sobre como era a região à época da vinda da família Cescotto para o Brasil. Ficou difícil estabelecer uma causa satisfatória, pois pude constatar que, à época da vinda, não havia desemprego e que a região estava altamente industrializada, sendo uma das mais ricas do norte italiano. Havia muitas indústrias têxteis. Talvez a migração de mão de obra do campo para a indústria, tenha impulsionado a vinda dos trabalhadores agrícolas italianos. Com certeza houve um trabalho de convencimento por parte de um representante do fazendeiro Joaquim Clemente de Campos, dono da Fazenda do Rochedo. É importante ressaltar que, o Rei da Itália, recém-unificado país europeu, somente permitiu que os friulanos viessem para Minas Gerais. Após se instalarem em Rochedo as novas gerações se espalharam pelo Brasil afora.
Na data dos 125 anos de chegada da Famiglia Cescotto ao Brasil, presto esta singela homenagem a Angelo e ao Vovô Felice que tiveram a coragem de atravessar o Atlântico e vir tentar a sorte no Brasil. Escolheram bem a região onde se instalariam, pois Rochedo, terra de montanhas, em muito lembra a pequena Maron aos pés dos Alpes. A gente mineira da zona da Mata também lembra muito os italianos friulanos. Enfim, foi uma combinação que deu certo. Colocarei algumas fotos de Maron para que os interessados possam conhecer nossa terra. Aliás, colocarei um link com uma propaganda institucional sobre a Região do Friuli-Venezia-Giulia. Vale a pena assistir e colocar o Friuli como destino em um passeio pela Italia. Quem vai a Veneza com certeza pode dar uma “esticada” até Trieste (capital da reião friulana). É como Rio de Janeiro e Niterói, uma em frente à outra.
Chegada de Maron di Brugnera

Os Pré-Alpes
Matriz de Maron
Área urbana.
Centro de Maron




Matriz de Maron com o Monumento aos soldados mortos na Primeira e Segunda guerras mundiais.
Monumento aos mortos de Maron nas guerras mundiais. Os Verardos Felice, Giovanni Ricardo e Silvio eram filhos de Catterina Cescotto. http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2012/05/os-ciscottos-na-primeira-guerra-mundial.html