quarta-feira, 5 de março de 2014

Por que não perdoar dívidas? Pela realidade como são geridos os clubes!

De há muito tempo venho batendo na tecla de que os movimentos encetados pelos dirigentes de clubes de futebol e que resultaram no Projeto de Lei 6753/13 são manobras protelatórias e que visam "empurrar com a barriga" uma situação, fruto de péssima, gestão para os sucessores resolverem ou sentirem as consequências.
O artigo que copio abaixo foi publicado no excelente blog Olhar Crônico Esportivo que traz sempre matérias interessantes sobre as finanças no mundo do futebol. É leitura obrigatória para torcedores, simpatizantes e sobremaneira dirigentes esportivos. O artigo trata sobre a reunião acontecida na Câmara Federal onde os consultores Amir Somoggi e Fernando Ferreira fizeram uma exposição a parlamentares e público em geral sobre o porquê da aplicação do Proforte não resolver os problemas financeiros dos clubes.
Meu blog já havia tratado de tal assunto ( http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2014/02/proforte-fracassa-vem-ai-nova-proposta.html ) mas é sempre bom validarmos nossas opiniões com o conhecimento de outra autoridade.
Sobre o Cruzeiro temos muito que trabalhar para melhorarmos muito nossa administração. Como dirigente do Conselho Fiscal, percebo há algum tempo que temos que trabalhar muito no que tange a especialização de nosso corpo dirigente e funcional, como trabalhar pesado no quesito Disclosure. Nesta última parte o Conselho Fiscal possui papel relevante.
Boa leitura para todos!


http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/olhar-cronico-esportivo/3.html

OLHAR CRÔNICO ESPORTIVO

  • por Emerson Gonçalves


    “...o quadro é muito pior do que a gente supunha do ponto de vista da capacidade de os clubes honrarem isso aí” – essa declaração foi feita pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) depois de assistir às apresentações feitas pelo Amir Somoggi, consultor em marketing e gestão esportiva, e Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, dois profissionais com trabalhos bem conhecidos dos leitores desse OCE, durante a audiência pública convocada pela comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a criação do Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos, o Proforte (PL 6753/13), anteontem, dia 12. O deputado Leite é o relator desse projeto, de criação do deputado Vicente Candido (PT-SP).
    Amir Somoggi e Fernando Ferreira  trabalharam com dados financeiros do ano de 2012 (os dados de público e ocupação mostrados pelo Fernando são de 2013 e foram vistos no post anterior), o que significa que a situação que o deputado conheceu é, com certeza, ainda pior do que a que foi mostrada.

    Em sua apresentação, Amir destacou os seguintes pontos:
    - a receita total dos 100 maiores clubes brasileiros foi de R$ 3,5 bilhões entre 2003 e 2012, com o endividamento atingindo o total de R$ 5,5 bilhões no mesmo período;
    - até o acordo da Timemania, as dívidas fiscais cresciam acima das demais; posteriormente, em especial a partir de 2009, o maior crescimento foi das dívidas bancárias, ao lado de outras geradas por gastos acima da capacidade de pagamento; entram nesse quesito os altos valores pagos a jogadores vindos da Europa, a maioria, quase totalidade, pouco retorno dá a seus contratantes, bem como os salários de treinadores;
    - as despesas financeiras (principalmente pagamentos de juros sobre empréstimos bancários) chegaram a R$ 300 milhões por ano.
    Na opinião de Somoggi, se os clubes continuarem pegando empréstimos para financiar suas atividades e sobreviverem, continuarão pagando enormes quantias em juros. Vale recordar que os famosos adiantamentos de direitos de transmissão, sejam eles “via Globo”, sejam “federações/confederação”, são operações bancárias e sobre elas incidem os juros cobrados pelo mercado.
    Outro ponto importante: já em setembro de 2011, post desse OCE com base em estudo elaborado por profissionais do banco Itaú BBA (aqui) apontou que os clubes brasileiros tinham péssima bancabilidade, na visão do mercado financeiro. Isso, em termos práticos, significava que os bancos de primeira linha não emprestavam dinheiro aos clubes, nem tanto pela falta de garantias e muito mais pelas péssimas gestões e balanços ainda piores. Como resultado, os clubes há anos tomam dinheiro caro em bancos de segunda linha, dispostos a maiores riscos em troca de maiores remunerações, até mesmo com a mistura de direitos de jogadores e patrocínios de camisa, num verdadeiro balaio de gatos onde o maior arranhado é justamente quem está fora do balaio: o torcedor.

    Fernando Ferreira destacou em sua apresentação que a última vez que o campeonato inglês de futebol teve uma média de público semelhante à do brasileiro, foi há mais de um século, 1904. Isso, segundo ele, dá uma boa ideia das muitas distâncias que separam nosso futebol daquele que é praticado por países europeus, principalmente Inglaterra e Alemanha.
    Ferreira também destacou uma lista com os dez maiores problemas de nosso futebol, segundo pesquisa realizada por sua empresa junto a 300 profissionais e especialistas em futebol, que reproduzo abaixo (essa pesquisa, assim como outros trabalhos da Pluri e do Amir Somoggi estão publicados no OCE):
     

    Os dois especialistas mostraram aos deputados que há necessidade urgente de mudar as gestões do futebol. Não basta mudar nomes, é necessário mudar métodos, filosofias, práticas ou de nada adiantará um Proforte em 2014. Porque será necessário outro em 2018 ou 2019 e assim por diante.
    Nada disso é novidade para quem vem acompanhando o que ocorre em nosso futebol nos últimos anos. Nossa realidade poderia ser – e merece ser – bem diferente. Aliás, esse ponto também foi levantado pelo Fernando Ferreira, ao dizer que temos uma das maiores economias (bem ou mal, é grande, sim, embora pobre) do mundo e à nossa frente há apenas três delas com tradição no futebol – Alemanha, França e Inglaterra (e com essa última o valor do PIB segue mais ou menos parelho). Já na “economia do futebol” estamos muito, muito distantes dessas três, a começar, como já falado, na presença do torcedor nos estádios.
    Ao fim da audiência, o deputado Otávio Leite, na qualidade de relator do projeto, disse ter a intenção de fazer do atual projeto algo como uma “lei de responsabilidade fiscal” no futebol, com a necessidade dos clubes beneficiados apresentarem contrapartidas. Aguardemos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval Família 2014

No sábado, dia primeiro de março, saiu para desfilar o bloco "De seu Bento a dona Lúcia", que apesar de ser pela segunda vez que se apresenta, já se tornou uma tradição no bairro de São Bento em Belo Horizonte. Mais de duas mil pessoas estiveram presentes apesar da chuva!
O bloco é uma realização de amigos  que se conheceram no Grupo de Jovens São Bento e mais alguns agregados. 
Belo Horizonte tem incrementado o seu carnaval com o surgimento de vários blocos, fruto de iniciativa da população e que conta com o apoio da Prefeitura.
O desfile deste ano foi apoiado pela Associação de Cultura Ítalo-Brasileira de Minas Gerais e da Seris.



Estandarte do Bloco.
Entrevista da Rede Globo

Diretoria do bloco
Ensaio.
O Mick Jaeger das Marchinhas!
Bateria Nota 10!

Bateria Nota 10
Muita gente bonita presente!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Superliga: Rede Globo dá uma pequena ajuda aos clubes.

Muito interessante a notícia publicada por Duda Lopes no site "Máquina do Esporte" em 25/02/2014. A partir de agora os clubes poderão estampar as marcas de seus patrocinadores em locais na quadra onde antes figuravam as marcas da CBV ou da Superliga.
É um importante passo visando aumentar a atratividade dos patrocínios perante os patrocinadores. Entretanto, considero ainda uma medida tímida perante a necessidade de caixa dos clubes. É um atrativo para possíveis patrocinadores mas não e uma garantia firme de recursos. Continuam os clubes a dependerem dos humores das empresas e do mercado.
Uma medida que seria muitíssimo bem vinda seria que os recursos, que a Rede Globo paga pelos direitos de televisionamento da Superliga, fossem distribuidos entre os clubes participantes. Com tal receita garantida em contrato, haveria mais folga nos orçamentos, evitaria calotes e propiciaria um melhor humor aos atletas e técnicos, que não proporcionariam as tristes cenas que o time do Rio de Janeiro tem provocado na presente edição da liga.
A matéria é do Máquina do Esporte e o link para leitura está evidenciado logo abaixo.


http://maquinadoesporte.uol.com.br/i/noticias/gestao/31/31875/Clubes-ganham-propriedades-comerciais-na-Superliga/index.php

GESTÃO
Clubes ganham propriedades comerciais na Superliga
DUDA LOPES
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP
Em 25/02/14 as 18:08
O Conselho Gestor da Superliga, órgão criado no fim de 2013, conseguiu uma vitória para as equipes que disputam a competição. Foi acertado com a Rede Globo que, a partir da temporada 2014/2015, os clubes terão algumas propriedades comerciais extras em suas quadras, aumentando a exposição de seus patrocinadores.

Na próxima temporada, os clubes poderão usar seus patrocinadores nas bordas das redes, nos postes e na cadeira dos árbitros. Os anúncios institucionais deverão permanecer, mas 80% desses espaços estarão reservados para patrocinadores das equipes. Além disso, em partidas sem transmissão, os times poderão usar algumas placas de campo que antes era destinadas ao logotipo da Superliga e da Globo.com.

Segundo o gestor de marketing da Confederação Brasileira de Vôlei, Renal Dal Zotto, a medida favorece principalmente as equipes com menor poder de investimento. “Os clubes menores costumam ter patrocinadores locais. Para eles, essa exposição em quadra é ainda mais importante”, afirmou.

O problema enfrentado é que as propriedades alteradas eram da própria CBV, mas elas eram negociadas com a Globo na venda do direito de transmissão. No fim, os patrocinadores dos clubes ficavam com exposição limitada na quadra.

Renan Dal Zotto fez questão de ressaltar que o pedido não encontrou resistência da Rede Globo. “A Globo teve um entendimento perfeito da situação e não se mostrou contrária em nenhum momento”, celebrou o dirigente.

O avanço nas propriedades em questão foi uma das primeiras vitórias do Conselho Gestor da Superliga. O órgão foi para unir os clubes e a CBV na organização do principal torneio de vôlei do país.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Este é um país que vai prá frente!

Atualmente o assunto "período militar" está muito em voga. As notícias sobre a Comissão da Verdade, relação militares x sociedade civil, Mensalão e prisão de ex-líderes esquerdistas dentre outros estão trazendo à tona as recordações daquele período.
Posto aqui no meu blog uma monografia que fiz em 2005 para um curso de especialização em História.
Para os mais novos servirá de referência para discutir quando o assunto for abordado por saudosistas do período ou para aqueles que não têm saudade nenhuma.
Boa leitura!


Este é um país que vai prá frente!
A propaganda governista durante o regime militar






                                                 Brasil: Ame-o ou deixe-o![1]
1    INTRODUÇÃO
         Impossível, para um estudante que cursou o primeiro e o segundo grau no Colégio Estadual Governador Milton Campos na década de 1970, não se recordar da propaganda política do regime militar que se instalara em nosso país em março de 1964. Isto porque o Colégio Estadual, à época, era reduto de uma elite estudantil, filhos da classe média belorizontina, muito influenciada por suas famílias. Tal elite era convencida, no colégio, de que realmente este país estava indo para frente e que a geração futura colheria os frutos do trabalho patriótico que o governo estava plantando.
         Ao mesmo tempo era reduto de resistência por parte de professores que não concordavam com a pouca democracia vigente e tentavam, através de suas aulas, veladamente, abrir os olhos dos jovens ginasianos. Professores como João Etienne Arreguy que, em suas aulas de História, fazia analogia entre a idade das trevas (Média) e a da luz (Renascimento), trazendo à atualidade os conceitos de trevas e luzes.
         Eram comuns as cerimônias de hasteamento da bandeira nacional, os desfiles cívicos e as aulas de “Educação Moral e Cívica”. Todos os hinos cívicos eram ensinados: o Nacional, o da República, o da Bandeira, da Independência, da Inconfidência Mineira e logicamente os jingles das campanhas vigentes no momento.
         Por ter vivido tal experiência, como aluno do “Estadual Central” de 1971 a 1979, escolhi como tema do presente trabalho a propaganda governamental, verdadeira “lavagem cerebral” de uma geração inteira de alunos ávidos de conhecimentos novos.
         Este trabalho tem por escopo abordar justamente tais manifestações propagandísticas que visavam, ao invés de ocultar a verdade dos “porões da ditadura” através da censura, mostrar ao povo brasileiro que toda a sua potencialidade estava sendo explorada[2].
        
2    A CLASSE MÉDIA VAI ÀS RUAS
         Às vésperas do fatídico 31 de março de 1964 a classe média era vista como massa de manobra pelos pensadores do golpe. Diversas associações visando lutar contra o espectro do comunismo internacional surgiam em todas as partes do país e sob todos os matizes, como, por exemplo, a Cruzada Brasileira Anticomunista, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, a Liga de Defesa Nacional e também o Movimento por um Mundo Cristão. Oriundas de movimentos militares, civis, católicos e tantos outros representantes da sociedade brasileira, pululavam através da consciência de que o comunismo era um perigo iminente e já presente no solo brasileiro, tendo como seu maior representante o próprio Presidente da República que era João Goulart. Em algumas partes do país surgiram os IPES dentro do sistema IBAD[3], criados por empresários e militares sob inspiração da estação da CIA na cidade do Rio de Janeiro[4]. Em Minas Gerais, com sede no Edifício Acaiaca no centro de Belo Horizonte, o IPES local ganhou o sugestivo nome de Novos Inconfidentes. Dele participavam militares, empresários, profissionais liberais, políticos e vários outros representantes da sociedade belorizontina. Criou vários núcleos destinados a propagar a cantilena anticomunista, envolvendo mulheres e também a classe média mineira. Prova disso, em 1962 recebeu um estudo intitulado “Conquista da Classe Média para a ação política em grupo, de autoria de Arlindo Lopes Correia, ensinando como arrebanhar tal classe através de apelos emocionais[5].
         Tais trabalhos e tal militância fizeram com que manifestações acontecessem por todo o território nacional, onde o apoio da Igreja Católica legitimava e encorajava a atuação de homens e mulheres da classe média. Em muitas localidades do Brasil aconteceram manifestações similares à “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” onde muitas mulheres de classe média empunharam seus rosários lutando contra o comunismo[6].
         Após o golpe de 31 de março de 1964, as autoridades sentiram a necessidade e importância de se manter viva a chama de patriotismo e nacionalismo que fora impregnado no sentimento de tais cidadãos. Nesse instante a propaganda, já muito utilizada na época do Estado Novo, foi novamente ressuscitada e colocada em prática, formando os corações e mentes da geração que iniciava seus estudos àquela época.

3    PROPAGANDA
         Don & Ravel faziam muito sucesso na década de 1971 devido às canções ufanistas que tocavam na televisão, principalmente nos programas de Silvio Santos que,  ávido em herdar os canais da extinta TV TUPI , usava a dupla para agradar os governantes militares. Todos os domingos apareciam nos programas da TVS (primeira sigla do Sistema Brasileiro de Televisão SBT), sendo que Don muitas vezes foi jurado no “Show de calouros”. Suas canções cantavam um Brasil onde mulatas brotam cheias de calor, as praias são mais ensolaradas, o céu tem mais estrelas, o sol mais esplendor, as noites mais beleza e encerrava convocando: “Ninguém segura a juventude do Brasil!”[7] Também muito famosa foi a música que compuseram para divulgar o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), “Você também é responsável” na qual cantavam: “Eu tenho a minha mão domável! Me ensine a ler e a escrever!” Isto depois de explicarem que vinham dos campos, subúrbios e vilas... “Obrigado ao homem do campo”, também tocou muito nas rádios e programas de auditório.
         Paralelamente a Don e Ravel, outros músicos aproveitaram a onda patriótica e lançaram muitos “hits” louvando o nosso país. Cantores como Wilson Simonal, Antônio Carlos e Jocafi, Ivan Lins e outros menos cotados invadiam as tardes de sábado nos programas de auditório, ou mesmo em dias da semana à noite, no “Programa Flávio Cavalcanti” ou no global “Som Livre Exportação”.
         Nos jingles executados em comerciais ou mesmo programas de rádio e TV também prevaleciam a mensagem de um Brasil em franco crescimento, isento de corrupção e fadado ao sucesso. De todos o que mais era cantado pela meninada era a marchinha que dizia que “este é um país que vai pra frente, de uma gente unida e tão contente. É um país que canta, trabalha e se agiganta, é o Brasil do nosso amor!” Também havia o que cantava que “ o Brasil merece o nosso amor” e o que alardeava que “ninguém segura o Brasil” e ainda o que entoava que éramos “noventa milhões em ação”.
         Programas de televisão também serviam como divulgadores da imagem de um “Brasil Grande”. No dia 15 de janeiro de 1967 foi criada a AERP[8] que tinha como fulcro a regulamentação de toda a propaganda política do governo militar. Tal agência promovia as inserções de propagandas nos programas que aceitavam mais facilmente tais influências. Símbolo de tal casta de programas foi “Amaral Neto: o repórter”, idealizado e apresentado na Rede Globo pelo ex-deputado udenista, fundador e ex-presidente do Clube da Lanterna[9], que prestava apoio a Carlos Lacerda na década de 1950, além de feroz combatente das hostes anticomunistas. Em seu programa as grandes obras de engenharia como a Ponte Rio – Niterói e a Transamazônica eram mostradas em detalhes, tecendo loas à genialidade e competência do brasileiro. Mas o ponto alto de seus programas era a idolatria às Forças Armadas brasileiras. A tenacidade do soldado do exército, a tecnologia de nossa aeronáutica e o garbo de nossa marinha eram sobejamente ressaltados. Aliás, cabe lembrar, que muitas obras mostradas no programa, tinham à frente a participação dos batalhões de engenharia das três armas. No auge da guerra do Vietnã, houve até um programa que relatou que os marines norte-americanos estiveram na selva amazônica, aprendendo com nossos soldados sobre os combates na selva, para fazer frente ao inimigo vietcongue.
         As forças armadas faziam parte do imaginário juvenil e não eram poucos os adolescentes que sonhavam com uma carreira militar, iniciando-a na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende-RJ, Escola Preparatória de Cadetes do Ar em Barbacena-MG ou ainda no Colégio Naval em Angra dos Reis-RJ. Uma carreira rentável, saudável e de grande influência no mercado de trabalho, onde as principais cadeiras de chefia das grandes empresas eram dominadas por coronéis, generais, almirantes ou brigadeiros.
         Também as manifestações cívicas contribuíam para motivar o espírito cívico, como o fato da volta dos restos mortais de Dom Pedro I ao Brasil no sesquicentenário da independência em 1972, fato um tanto quanto lúgubre,[10]  que provocou uma grande onda de emoção entre a população brasileira, tendo os despojos do imperador desfilado em carro de bombeiros por quase todas as capitais do país.
 Marco extraordinário, sesquicentenário da Independência! Potência de amor e paz, este Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz![11]
         À mesma época foram realizadas em Belo Horizonte as “Olimpíadas do Exército” com várias competições, mas também com uma agenda de muitos eventos, como shows diversos, entre eles o do “Rei” Roberto Carlos no antigo Ginásio do Minas Tênis Clube. O hino nacional foi cantado por Elis Regina que conseguiu vários desafetos no meio artístico por ter participado de um evento patrocinado pela “ditadura”.
Olimpíadas do Exército, todos cantando a uma só voz, olimpíadas do exército, exército de todos nós! Belo Horizonte recebe feliz, gente de todo o país! Salve os artistas, salve os turistas, salve a torcida unida e gentil! Irmãos, cada um de seu lado, mas todos ao lado, do meu Brasil![12]
4 CONCLUSÃO
         O ufanismo sempre esteve presente nas propagandas de governo brasileiro, sendo mais explorado a partir da década de 1930 no Estado Novo. Até hoje ainda nos deparamos com campanhas governamentais que visam mostrar o valor do povo brasileiro. Seja individual ou coletivamente, “o melhor do Brasil é o brasileiro”, por exemplo. Tal massificação de conceitos patrióticos não se tratou de uma cultura política brasileira, mas, como se pode perceber, ao longo de todo o século XX foi um fenômeno mundial. Hoje a figura do profissional  de propaganda, do marketing, já foi assimilada pela nossa sociedade como profissão necessária. Todas as empresas de médio porte para cima, como todas as instituições públicas, dependem de seus departamentos de propaganda para fixarem suas marcas nas mentes das pessoas.
         Nos idos da década de 1970 não foi diferente. O inimigo comunista era muito presente e a melhor maneira de afugentá-lo das mentes dos brasileiros, tão adeptos de novidades, era mostrar que com o regime militar tudo iria bem e não haveria motivo para se querer mudanças.
         A temática usada pelos governos militares, principalmente na década de 1970 tentava propiciar à população a sensação de acerto quando da opção militar em 1964. Deve-se ressaltar que tal opção sempre foi muito presente durante o século XX e o auxílio, ou apoio, dos militares como força política, sempre foi uma cultura política muito arraigada, principalmente nas hostes elitistas, dos grandes proprietários e detentores dos meios de capital e de produção, que à época do golpe se juntavam sob a sigla partidária da UDN. Um país comprometido com o crescimento econômico, com o desenvolvimento científico, capaz de criar alternativas viáveis aos grandes problemas mundiais, como a substituição dos combustíveis derivados de petróleo pelo álcool, faziam a população realmente acreditar que o “bolo” estava crescendo e seria repartido na hora devida.
         Paralelamente à propaganda, a repressão também fazia seu trabalho de convencimento da população. Uma guerra estava sendo travada contra o inimigo comunista. Se após a Segunda Grande Guerra as sentinelas dos quartéis eram instruídas a permanecerem alertas, pois algum nazista insatisfeito com o resultado da guerra poderia atacar à traição o soldado desprevenido, toda a instrução básica fornecida nos quartéis após o golpe de 1964, apresentava o comunista como o inimigo mais imediato, dando-lhe uma posição de força muito maior do que a que realmente possuía[13]. Treinamentos de dissolução de passeatas, enfrentamento de ataques com bombas de gás e incendiárias, além de táticas anti-guerrilhas, eram muito vivenciadas nos pátios do 12º Batalhão de Infantaria no final da década de 1970[14]. Tais ações criavam verdadeiras paranóias em muitas pessoas e foram muito criticadas por vários artistas, com destaque especial para o cartunista mineiro Henfil. Foi um crítico mordaz da situação política e social do período conhecido como Ditadura Militar. Seus personagens[15] retratavam o dia a dia da sociedade brasileira, demonstrando os medos e contradições de um povo que pediu democracia e recebeu um regime autoritário.
         Disto tudo, reavivando a memória, lembro-me de uma época onde a classe média, principalmente, achava que vivia bem e tinha seus anseios atendidos e seus pleitos ouvidos pelo governo. Parecia que o golpe militar fora feito sob medida para tais pessoas. Tal sensação era confirmada pelas notícias extremamente alvissareiras trazidas pelos meios de comunicação que não cansavam em contribuir exibindo jingles e estatísticas favoráveis. As pessoas que, eventualmente, eram contra o regime, eram vistas como transviadas ou irresponsáveis e, se eventualmente alguma coisa lhes acontecia, como uma perda de emprego ou prisão eventual era mais que merecido. Dispensável dizer que a indústria da denúncia campeava, visando alcançar intentos pessoais, como por exemplo, tornar vago um cargo almejado.
         São lembranças do tempo de Colégio Estadual onde cada ginasiano valia por mil, com “a inteligência o braço pondo, sempre a serviço do Brasil!”[16]
Referências

DULLES, John W. F.. Carlos Lacerda: a vida de um lutador. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.
FICO, Carlos. A pluralidade das censuras e das propagandas da ditadura. In: REIS, Daniel Aarão; RIDENTI, Marcelo & MOTTA, Rodrigo Patto Sá (orgs.). O golpe e a ditadura militar: quarenta anos depois (1964-2004). Bauru, SP: EDUSC, 2004.
HENFIL. Fradim. Rio de Janeiro: Editora Codecri Ltda; Petrópolis: Vozes, 1973.
JARDIM, Eduardo. Que país é este? In: CAVALCANTE, Berenice, STARLING, Heloísa Maria Murgel, EISENBERG, José (Orgs.), Decantando a República, v2: inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.
MORAES, Dislane Zerbainatti. “E foi proclamada a escravidão!”: Stanilaw Ponte Preta e a representação satírica do golpe militar. Revista Brasileira de História., 2004, vol. 24, no. 47, p. 61-102.
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil(1917-1964). São Paulo: Perspectiva: FAPESP, 2002.
STARLING, Heloísa Maria Murgel. Os Senhores das Gerais – os novos inconfidentes e o golpe militar de 1964. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 1986.


[1] Slogan criado no fim da década de 1960 pela Operação Bandeirantes (embrião do sistema  DOI-CODI).
[2] FICO, Carlos. A pluralidade das censuras e das propagandas da ditadura. In: REIS,Daniel Aarão; RIDENTI, Marcelo & MOTTA, Rodrigo Patto Sá (Orgs.). O golpe e a ditadura militar: quarenta anos depois (1964-2004). Bauru, SP: EDUSC, 2004. p.266.
[3] IPES: instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. IBAD: Instituto Brasileiro de Ação Democrática.
[4] STARLING, Heloísa Maria Murgel. Os Senhores das Gerais – os novos inconfidentes e o golpe militar de 1964. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 1986. p. 44-46.
[5] Idem, p. 195.
[6] MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil(1917-1964). São Paulo: Perspectiva: FAPESP, 2002. p.266.
[7] JARDIM, Eduardo. Que país é este? In: CAVALCANTE, Berenice, STARLING, Heloísa Maria Murgel, EISENBERG, José (Orgs.), Decantando a República, v2: inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004. pp.48-49.
[8] Assessoria Especial de Relações Públicas.
[9] DULLES, John W. F.. Carlos Lacerda: a vida de um lutador. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992. p. 163.
[10] FICO, op. cit. p.273.
[11] Hino comemorativo aos 150 anos da Independência, repetidamente tocado na semana da Pátria de 1972 no rádio e televisão.
[12] Jingle das Olimpíadas do Exército realizadas em 1972 em Belo Horizonte.
[13] MOTTA, op. cit. p.276.
[14] Servi como fuzileiro em 1980.
[15] HENFIL. Fradim. Rio de Janeiro: Editora Codecri Ltda; Petrópolis: Vozes, 1973.
[16] Hino da Escola Estadual Governador Milton Campos – Colégio Estadual Central.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Investimentos no futebol: Contratação x Formação.

Excelente reportagem mostrando como os clubes têm apostado nas divisões de base com fulcro em revelar mais e contratar menos.
Observem que os números do Cruzeiro são muito modestos mas mesmo assim os resultados são muito bons!
link da matéria:  http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/06/sao-paulo-e-timao-lideram-gastos-com-reforcos-e-divisoes-de-base.html

 - Atualizado em 

São Paulo e Timão lideram gastos com reforços e divisões de base

Estudo aponta que investimento dos clubes na formação de atletas cresceu proporcionalmente mais do que em contratações de 2011 para 2012

Por Rio de Janeiro

937 comentários
Meio bilhão de reais. Esse é o gasto que os 16 clubes que tradicionalmente arrecadam mais no futebol brasileiro tiveram com contratações em 2012. Juntos, São Paulo e Corinthians gastaram cerca de um terço do valor, que vem aumentando anualmente, acompanhando as receitas cada vez maiores. Algo que também permite aos clubes investirem como nunca na formação de jogadores.

De 2011 para 2012, o aumento do investimento na base foi, proporcionalmente, até maior do realizado nos profissionais. É o que mostra o estudo feito por Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva, com base nos balanços financeiros divulgados no mês passado pelos próprios clubes. O gasto com a garotada nesse período cresceu 26%, contra 15% nas contratações. Contudo, o número bruto ainda traz enorme diferença: R$ 231,5 milhões da base contra R$ 516,8 milhões em contratações.
Info_CONTRATACAO-FORMACAO_Jogadores-3 (Foto: Infoesporte)
- Estamos falando de meio bilhão de reais. É muita grana. Mas cresceram muito também os gastos na formação. Isso me faz crer que os clubes sempre entenderam como algo importante (investir na base). Com mais dinheiro entrando, seja de recurso da TV, sócio-torcedor e patrocínios fortes, o momento impulsiona esse projeto, de colocar cada vez mais recursos investidos na formação - comentou Amir Somoggi, responsável pelo estudo.

A tendência, de acordo com ele, é haver um equilíbrio cada vez maior entre o gasto com as contratações e os investimentos na base. Contudo, a distância ainda é grande. Ações como a do Grêmio, que no começo de 2013 fez contratações de impacto, tendem a prevalecer.
Na teoria teremos mais investimentos na base, mas na prática ainda são feitas loucuras"
Amir Somoggi
- O enriquecimento dos clubes possibilita que se invista no jogador. Eles estão se beneficiando claramente deste "boom" de receitas, usando-as nos profissionais e na base. Veja o que o Grêmio fez: só vai aparecer no estudo do ano que vem. O caso do Pato no Corinthians é outro exemplo do que ainda não está impactado. Na teoria teremos mais investimentos na base, mas na prática ainda são feitas loucuras.
O termo “loucura” é rechaçado pelo Corinthians, que gastou R$ 40,5 milhões (US$ 19,7 mi) para tirar Alexandre Pato do Milan no começo da temporada, na segunda contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Gerente de futebol corintiano, Edu Gaspar afirmou que não serão corriqueiras contratações deste porte no Brasil. Para ele, o que contribuiu, além do poderio econômico do Timão, foi o potencial enxergado em Alexandre Pato para uma futura negociação.

- Tudo depende da situação econômica de cada clube. Tem momentos em que a receita está melhorando e proporciona isso ao clube. A contratação do Pato foi um grande investimento, mas feito com bastante análise. Pela idade do atleta, pensamos que futuramente poderemos ter um retorno financeiro. Foi uma coisa bem estudada antes de fazer uma grande contratação.

No topo do ranking está o rival São Paulo. Se há alguns anos o Tricolor paulista preferia investir em jogadores que estavam com seus contratos no fim, a custo bem baixo, ultimamente a receita permite ousadia. No ano passado, o clube contratou, por exemplo, Paulo Henrique Ganso, pagando R$ 23,8 milhões ao Santos.

- O São Paulo investe em razão da sua confortável situação financeira. Temos superávit desde 2003. Contratamos, pois sabemos que a nossa base, que é referência, não tem condição de formar em todas as posições dos profissionais. Será sempre necessário ter jogadores contratados. Ano após ano, acredito que esse número vai diminuindo, mas sempre haverá necessidade de buscar fora - disse o vice de futebol são-paulino, João Paulo de Jesus Lopes.

Ao falar da base, o dirigente do São Paulo se refere ao maior investimento no Brasil. Em 2012, o Tricolor destinou R$ 38,4 milhões na formação de jogadores. Nos últimos anos, os demais clubes seguiram essa tendência.
Alexandre Pato, Corinthians e Portuguesa (Foto: Marcos Ribolli)A contratação de Pato só não é mais cara que a de Tevez, que valeu US$ 22 mi em 2005 (Foto: Marcos Ribolli)
- O modelo ideal é conseguir equilibrar entre jogadores da base, que vão gerar frutos no futuro, com os medalhões, que dão equilíbrio ao time. Mas o medalhão dificilmente vai gerar receita de venda. Para o clube é importante que surjam novos nomes, para ganhar torcedores, dinheiro, poder investir em CT, contratar jogador de renome. Ainda que haja outras receitas hoje em dia, é importante a venda - comentou Amir Somoggi.

Na segunda posição também nos gastos com a formação, o Corinthians não é tido como um clube com fama na hora de negociar seus atletas. Embora consiga ótimas campanhas na base, sendo o maior vencedor da Copa São Paulo de Futebol Júnior, tem sido raro ver algum jogador sendo aproveitado entre os profissionais. Edu Gaspar defende o clube e diz que é difícil encaixar um jovem em um elenco tão qualificado com contratações.

- Pouquíssimas pessoas sabem, mas hoje temos 11 atletas que estão em nosso elenco profissional que vieram da base. É óbvio que você precisa dar tempo para o jogador atingir um nível de concentração, de disponibilidade tática, de ritmo de jogo, que são diferentes dos da base. Precisa de um tempo para evoluir, e o nível dos nossos atletas profissionais é muito alto tecnicamente falando. Então, um jogador que chega da equipe sub-20 precisa de tempo e paciência.

Na pesquisa, é possível notar a má colocação de clubes que são tidos como referências no trabalho da base, casos de Inter, Cruzeiro e Fluminense, o último do ranking. Amir Somoggi explica que o gráfico retrata apenas os gastos com a formação dos jogadores de todas as categorias de base, e que nem todas as agremiações disponibilizam esses custos da maneira adequada.
Contratamos, pois sabemos que a nossa base, que é referência, não tem condição de formar em todas as posições dos profissionais"
João Paulo de Jesus Lopes
- O estudo mostra o que o clube gasta com o jogador na base. Isso está no ativo intangível de cada clube. Nem todos colocam esses gastos lá, outros começaram há muito pouco tempo a fazer isso, daí essa diferença. Os gastos com CT, reformas de CT, por exemplo, não estão na pesquisa, pois são ativos tangíveis (concretos).

Outra explicação, de acordo com o especialista, é que há clubes que preferem contratar jovens para a categoria de juniores, por volta dos 17 ou 18 anos, o que diminui o gasto total na formação dos atletas. O Inter se encaixa nesse quadro.

- Investimos na contratação de jogadores jovens, aqueles que ainda não se firmaram como jogador. Temos há tempos um projeto do nosso time sub-23. Não tem como todos os meninos dos juniores subirem, nem todos estão prontos, só os fora de série. Então temos esse período de dois, três anos para avaliar melhor. Um bom exemplo é o Leandro Damião, que hoje vai render uma boa receita numa futura venda. O Oscar não foi bem nos primeiros jogos do profissional, foi para o sub-23, foi campeão brasileiro da categoria, aí subiu e explodiu - disse Roberto Melo, diretor das categorias de base do Internacional.

Ótima propaganda para a FIAT!





http://youtu.be/Kxfm3nIN404

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Proforte fracassa. Vem aí nova proposta!



Tenho transformado este meu blog em uma trincheira contra as tentativas de tornarem oficiais os calotes através da máscara de renegociação de dívidas de clubes de futebol.

Os que me acompanham sabem que tal ProForte, na minha opinião, não resolverá o problema das dívidas dos clubes, apenas passará para os próximos presidentes as contas que os atuais não quiseram pagar. O grande problema é exatamente este: não há vontade de pagar, mas de empurrar o problema para o futuro. A solução? Fair-Play financeiro!
Reproduzo abaixo o texto do Blog do José Cruz que repercute a palestra de Amir Somoggi em audiência sobre o assunto na Câmara dos Deputados em Brasília.
o link é: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2014/02/proforte-fracassa-vem-ai-nova-proposta/

Proforte fracassa. Vem aí nova proposta

José Cruz

De todos os jogos realizados no Brasil em 2013, em competições internacionais, nacionais, regionais, e estaduais, a média de público foi de 4.771 torcedores, apenas 26% de ocupação da capacidade dos estádios. A última vez que o Campeonato Inglês teve média de público como essa no Brasil foi em 1904!
Depois da exposição de dois consultores em administração e marketing do futebol a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que debate sobre a dívida fiscal de R$ 4 bilhões dos clubes mudou de rumo e deverá apresentar nova proposta ao Projeto de Lei 6753/13.
Com base em números oficiais dos balanços financeiros dos clubes o paulista Amir Somoggi disse que o maior endividamento é de empréstimos bancários. Em 2013, os 20 principais clubes do Brasil pagaram R$ 300 milhões de juros, além de compromissos com a Justiça do Trabalho. Os empréstimos servem para contratar jogadores, mas comprometem a capacidade de pagamento dos clubes.
“O proforte resolverá estes problemas”? –  indagou Amir. “O mercado do futebol deve se preparar para andar com as próprias pernas e para isso é preciso um modelo de gestão profissional. Caso contrário, daqui a dez anos estaremos novamente debatendo como o governo poderá ajudar o futebol”, defendeu.
Segundo Amir, a gestão melhorou nos últimos anos, mas ainda estamos ruim, com conceitos errados de gestão, clubes maus-pagadores que passam a imagem de que o futebol não é um ambiente sério e isso afasta os investidores. “Precisamos mudar esta imagem”, defendeu.
Estarrecedor
Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, também apresentou alguns motivos que mostram o fracasso na atual gestão dos clubes: calendário ruim, baixa qualidade dos jogos, queda na formação de talentos, violência e insegurança nos estádios, clubes insolventes e estádios vazios. Essa realidade desmotiva o torcedor.
Em 2013, de todos os jogos realizados no Brasil em competições internacionais, regionais, nacionais e estaduais a média de público foi de 4.771 torcedores, isto é, apenas 26% de ocupação da capacidade dos estádios.
“A última vez que o Campeonato Inglês teve média de público como esse no Brasil foi em 1904!” – disse Fernando Ferreira. O relatório da Pluri Consultoria está aqui
Os números apresentados por Amir e Fernando já tinham sido divulgados no final do ano passado, mas surpreenderam os parlamentares, que  aplaudiram a apresentação dos dois consultores, fato inédito na Comissão Especial do Proforte. Os deputados também solicitaram o apoio dos especialistas para a redação do novo texto do projeto de lei.
Para o deputado Romário, que convidou Amir e Fernando para a exposição, “é preciso uma revisão geral no texto do projeto de lei do Proforte. Só continuaria o nome, pois o que temos hoje não serve para nada”, afirmou.
O relator do Proforte, deputado Otávio Leite (PSDB/RJ) reconheceu a gravidade da financeira dos clubes. Responsável pela redação do novo texto do projeto, ele admitiu transformar o Proforte numa “lei de responsabilidade fiscal do futebol, com contrapartidas claras para os clubes beneficiados”.