Depois de algum tempo, e dentro dos padrões políticos brasileiros até que foi rápido, foi transformada em lei a medida provisória que tratou da "moralização" do futebol brasileiro.
Trouxe avanços, mas perdemos a oportunidade de fazermos uma verdadeira revolução dentro de nossos clubes. A medida mais atendeu ao apelo emergencial dos grandes devedores do que criou condições de que o fair-play financeiro seja perene.
A partir de hoje todos os clubes que quiserem aderir ao programa de governo tornado lei, estão com suas contas perante o fisco em dia. Todos podem buscar sua sonhada CND e fazerem suas candidaturas aos patrocínios públicos federais. Todos poderão apresentar seus projetos junto ao Ministério dos Esportes e captar recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte.
Tal lei foi um tapa na cara, isso sim, de clubes que sempre honraram suas tradições de bons pagadores. Cruzeiro, São Paulo, Atlético do Paraná e recentemente o Flamengo (que tem trabalhado para sanar suas dívidas a despeito da nova lei) ganharam a fama de incautos e tolos.
A nova lei foi tocada em comissões onde os representantes dos clubes eram justamente os maiores devedores! Como se diz aqui em Minas Gerais, colocaram os lobos para administrarem o galinheiro.
Como torcedores que somos, resta-nos torcer para que, a partir de agora, os outros clubes tomem tento e passem a tratar suas obrigações como coisas sérias.
Este texto ficará registrado em meu blog por muito tempo, se Deus assim permitir. Quero ver quando eu retornarei a ele para republicá-lo em um novo, dando conta de que os clubes brasileiros estarão pedindo novos parcelamentos ou benesses, uma vez que estarão novamente atolados em dívidas.
O livro A Imigração Italiana em Minas Gerais: A Fazenda
do Rochedo (1888-1889) retrata o momento de chegada de várias famílias
italianas, oriundas do Friuli (Nordeste da Itália) à fazenda onde foram
assentados para trabalhar na cultura do café.
Trata-se
da reconstrução do momento histórico onde grandes transformações aconteceram no
Brasil, como a extinção do trabalho escravo, o declínio do Império e também o
golpe que instituiu a República Brasileira.
O livro
mostra que muitos mitos sobre o assunto imigração são derrubados. Sempre se ensinou
que os italianos vieram para substituir o trabalho do negro. As pesquisas
mostram que em Minas Gerais vieram para trabalhar lado a lado do trabalhador
nacional. Em São Paulo, onde o café chegou depois de Minas Gerais, vieram para incrementar
a produção sempre ávida por mão de obra.
O estudo
de uma fazenda específica, mostra como o fenômeno do acolhimento dos imigrantes
foi similar em diversas partes do país, mas também como o ambiente em cada
estado moldou de forma diversa os costumes dos recém-chegados. Aqui em Minas
Gerais, o italiano se tornou brasileiro mais rápido que em outras partes do
país.
Com uma
leitura bem leve o meu livro revela a importância da cultura italiana na
formação da cultura política mineira. No nosso estado o italiano antecipou o
fenômeno da diminuição dos latifúndios vinte anos antes do que ocorreu no resto
do país com a Revolução de 1930. Os italianos em Minas representam quase dez
por cento da população do estado e o PIB mineiro tem quarenta e cinco por cento
de seu valor fornecido por empresas italianas ou de ítalo-descendentes.
A seguir o
texto que constará na aba do livro:
A imigração italiana em Minas Gerais: A Fazenda do
Rochedo (1888-1889), de Anísio
Ciscotto Filho, é uma fundamental pesquisa devido à importância do assunto que
estava de há muito necessitando de começar a ser estudado. Desta forma, com
este trabalho o autor traz uma valiosa colaboração para a historiografia
brasileira, e mais especificamente à historiografia do Estado de Minas Gerais,
ao tratar de um assunto relevante para o estudo da imigração italiana em nosso
território.
Dentro
de novos paradigmas metodológicos, enfrentando todas as dificuldades inerentes
à realização de pesquisas em arquivos regionais, quase sempre ainda muito
desorganizados, Anísio Ciscotto Filho nos brinda com este trabalho sobre a
Fazenda do Rochedo, estudando famílias italianas que para lá afluíram como
trabalhadores em 1888-1889, momento da libertação dos escravos e da
consolidação da implantação da mão-de-obra livre em nosso país.
O
autor, combinando uma rigorosa pesquisa empírica e o uso de novos paradigmas
metodológicos, reconstrói os caminhos percorridos pelas famílias italianas
fixadas na Fazenda do Rochedo, distrito de Rochedo de Minas, município de São
João Nepomuceno, desvendando uma intricada rede de relações, interesses e
conflitos sociais e culturais. Embora um trabalho iniciante, que prenuncia
possibilidades de pesquisas bem mais aprofundadas, já revela a exatidão do
pesquisador e o trabalho em si confirma a maturidade da pesquisa histórica com
o recorte regional, fundamental para proporcionar um amplo e aprofundado
conhecimento da sociedade estadual e da própria sociedade brasileira.
Reproduzo a reportagem do jornal O Tempo que traz uma análise comparativa dos balanços do exercício de 2014 de Cruzeiro e Atlético Mineiro.
O consultor que analisou e comparou os balanços é o competente amigo Amir Somoggi.
A reportagem do jornal O Tempo está no link abaixo:
Cruzeiro e Atlético divulgaram no mês de abril seus balanços financeiros de 2014
PUBLICADO EM 30/04/15 - 14h50
VINÍCIUS SILVEIRA*
@SUPER_FC
Que Cruzeiro e Atlético fecharam o ano de 2014 no vermelho, isso não é
novidade. O que pode preocupar os torcedores são os gastos e os
investimentos que geraram déficit na hora de fazer as contas da
temporada que acabou. Os dois clubes juntos terminaram 2014 com um
déficit de R$ 87,4 milhões, mesmo faturando dois títulos cada um.
O consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi analisou e
detalhou os balanços financeiros dos dois maiores clubes de Minas Gerais
e elucidou algumas questões importantes. Déficit. O Cruzeiro aumentou sua conta negativa em
2014. O time celeste chegou a R$ 38,7 milhões de prejuízos. O Atlético
teve desempenho pior nesse quesito e teve seu déficit total em R$ 48,4
milhões. No total, entre 2011 e 2014, a dupla mineira acumulou perdas de
R$ 245,9 milhões. Dívidas. As dívidas fiscais dos clubes mineiros também
cresceram na última temporada. O Cruzeiro, que devia R$ 50,4 milhões em
2013, passou a marca de R$ 63,8 milhões, um crescimento de 27%. O
Atlético retrocedeu e caiu dos R$ 258,8 milhões de 2013 para R$ 234,5
milhões no ano passado, uma queda de 9%.
No total, o Cruzeiro deve R$ 252,9 milhões de reais, um crescimento de
27% se comparados aos R$ 199,9 milhões de 2013. O Atlético também não
fica atrás em relação ao aumento dessa dor de cabeça. O Galo chegou a R$
486,6 milhões, 11% maior do que os R$ 438,4 milhões de 2013.
"O que mais me impressiona é que Cruzeiro e Atlético tiveram juntos um
prejuízo de R$ 87 milhões (em 2014), sendo que o São Paulo, sozinho,
teve R$ 100 milhões. Ou seja, é necessário ter uma mudança de postura no
futebol", ressalta Somoggi. Gastos. Em relação aos gastos com o futebol, os dois
grandes de Minas colocaram a mão no bolso e, em 2014, desembolsaram mais
do que em 2013. O Cruzeiro aumentou seus investimentos no futebol em
23%, enquanto o Atlético foi mais longe: 30%.
O clube celeste, que ao todo investiu R$ 157,5 milhões, bem menos que
muitas equipes do futebol brasileiro e foi campeão nacional. Para tentar
manter o elenco e a qualidade técnica, o Cruzeiro aumentou seus gastos
para R$ 193,5 milhões. O Alvinegro seguiu o mesmo caminho. Gastou R$
146,4 milhões, terminando 2014 com os vencimentos em R$189,6 milhões.
Com os custos do futebol sobre a receita, o Cruzeiro cresceu em 87% e o
Atlético em 106%, efeito do crescimento do valor para se fazer futebol.
"O Cruzeiro montou o time campeão brasileiro de 2013 com menos do que
investiu no ano seguinte. Para manter o elenco e aumentar a qualidade, o
time celeste investiu mais, porque isso teve um déficit maior e o
Atlético teve um custo maior, e ainda exigiu mais das cotas de TV,
coisas que todos os clubes fazem para bancar o futebol e as dívidas",
explicou Somoggi. Receitas. O consultor verificou que o Cruzeiro teve
evolução em relação as suas receitas de 2013. Em contrapartida, o
Atlético, mesmo com um ano vitorioso, teve uma queda acentuada em suas
receitas.
O Cruzeiro terminou 2014 com R$ 223,2 milhões e apresentou um
crescimento de 19% se comparado a 2013, quando terminou a temporada com a
marca de R$ 187,9 milhões. O fator preponderante para este crescimento
foram as bilheterias, que renderam ao clube celeste R$ 85,8 milhões aos
cofres azuis, 38% da receita cruzeirense. Em segundo lugar, as cotas de
TV, que renderam R$ 66,3 milhões, 30% da composição financeira do clube.
O Atlético encerrou a temporada 2014 com R$ 178,9 milhões, tendo uma
queda 21% em comparação a 2013, onde o clube teve R$ 227,9 milhões de
receita total. As cotas de televisão deram ao Alvinegro R$ 80,4 milhões,
45% da receita. Em seguida, vem a bilheteria, que rendeu R$ 29,6
milhões, apenas 17%. As negociações de jogadores renderam R$ 1,6 milhão,
1% do lucro do clube.
Reproduzo aqui, a título de memória, a reportagem da Rede Globo feita pelo competente repórter Marcos Astoni, sobre os 70 anos de mudança de nome de Sociedade Esportiva Palestra Itália para Cruzeiro Esporte Clube.
O link da reportagem é: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/cruzeiro/noticia/2012/10/ex-palestra-italia-cruzeiro-festeja-os-70-anos-da-nova-identidade.html
Boa leitura!
- Atualizado em
Ex-Palestra Itália, Cruzeiro festeja os 70 anos da nova identidade
Fundado para ser somente um clube de colonos italianos, sócios foram obrigados a mudar de nome por causa da Segunda Guerra Mundial
Por Marco Antônio AstoniBelo Horizonte
O dia 7 de outubro é especial para o Cruzeiro. Afinal, foi nesta data
que, há 70 anos, o clube passou a ter esse nome, em substituição ao
original Palestra Itália, que era utilizado desde a fundação. Uma
reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, na sede do clube, em
1942, referendou a mudança, que foi obrigatória e imposta pelo governo.
Cruzeiro comemora 70 anos do atual nome (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)
Um decreto federal, baixado uma semana antes, obrigava que quaisquer
símbolos de Itália, Alemanha e Japão, nações em guerra com o Brasil,
fossem usados no país. A mudança, porém, não foi tão simples como parece
hoje em dia. Ela foi repleta de episódios de violência e intolerância,
dos quais os italianos e seus descendentes foram vítimas. Palestra Itália
Anisio Ciscotto conta histórias do Palestra Itália
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
A Societá Sportiva Palestra Itália foi fundada no dia 2 de janeiro de
1921, como clube da colônia italiana em Belo Horizonte, assim como o
Palestra Itália de São Paulo, atual Palmeiras, que emprestou o primeiro
estatuto para o homônimo mineiro. Em uma época em que a influência dos
italianos era grande na capital de Minas Gerais, o clube não demorou a
se tornar popular, como conta o historiador Anísio Ciscotto,
vice-presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro e da Associação
Cultural Ítalo-Brasileira de Minas Gerais.
- Houve uma época que, em Belo Horizonte, havia mais italianos e
descendentes do que brasileiros de outras origens. O Palestra Itália foi
uma criação do consulado da Itália. O país investia muito nos italianos
que viviam nos Estados Unidos, na Argentina e no Brasil, por exemplo,
para que as pessoas não perdessem a identidade com a Itália. Os
italianos tinham muitas atividades em Belo Horizonte e existia um
orgulho muito grande disso.
O ‘time dos italianos’ conseguiu fazer frente aos maiores clubes da
cidade na época, Atlético-MG e América-MG, e conquistou cinco títulos
estaduais como Palestra Itália, em 1926, o tri entre 1928 e 1930 e em
1940, até que um certo conflito mundial mudou para sempre a pacata
história do clube e da colônia. Segunda Guerra Mundial
O Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do eixo, Itália,
Alemanha e Japão, em janeiro de 1942. Depois disto, 19 navios
brasileiros foram torpedeados no Atlântico, o que causou a morte de mais
de 700 pessoas e fez com que Getúlio Vargas, o presidente da época, se
juntasse aos aliados na Segunda Guerra Mundial.
A partir deste momento, a situação dos italianos em Belo Horizonte
ficou complicada, já que agressões e perseguições a seus
estabelecimentos comerciais passaram a ser fato comum. Além disso,
muitos deles achavam que o Brasil deveria entrar ao lado da Itália na
guerra, o que gerou ainda mais conflitos, como relatou Anísio Ciscotto.
- Quando o Brasil declarou guerra à Itália, para muitos italianos, foi
uma traição. Aconteceram embates tremendos, brigas nas escolas. Muitos
filhos de italianos foram agredidos, e o consulado foi queimado. Os
brasileiros foram em cima dos italianos para se vingarem dos
torpedeamentos contra os submarinos, que foi o motivo para o Brasil
entrar na guerra.
Bruno Falci, ao lado da foto do avô Antônio Falci
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
O empresário Bruno Falci, neto de Antônio Falci, presidente do Palestra
Itália em 1927 e entre 1929 e 1930, contou um episódio interessante, em
que a loja da família escapou de ser incendiada, o que poderia ter
resultado em uma tragédia de grandes proporções, já que o estoque estava
repleto de dinamite.
- Houve uma retaliação muito grande contra as colônias italiana e
alemã. Nossa empresa tem origem italiana, e todo mundo sabia disso. Na
época, alguns vândalos incendiavam comércios e tentaram fazer isso
conosco. Algumas pessoas amigas tiveram essa informação antes e,
empunhando bandeiras do Brasil, conseguiram impedir, dizendo que era uma
casa brasileira. Com isso, eles se dispersaram e não puseram fogo na
loja. Na época, vendíamos dinamite e, se houvesse um incêndio, ele não
só destruiria nosso negócio, mas o quarteirão inteiro e mataria muita
gente que estivesse por perto. De Palestra a Cruzeiro
Baixado em 31 de agosto de 1942, um decreto-lei obrigou a extinção de
símbolos e nomes relacionados aos três países do eixo. A imposição
atingiu em cheio o Palestra Itália, que teve que providenciar a mudança
de nome, não sem confusão e mais problemas. Anísio Ciscotto falou sobre
as divergências dentro do clube.
- Trinta dias depois que o Brasil entrou na guerra, saiu a lei. Isso
foi demais para os italianos. Os mais sensatos concordaram, e os mais
exaltados não queriam de jeito nenhum. Um conselheiro do Palestra chegou
a sugerir que se pegasse em armas para que o clube se tornasse um foco
de resistência. Foi uma coisa muito séria, não foi simplesmente chegar e
mudar o nome do clube. Isto mexeu com a vida das pessoas.
Bruno Falci lembrou os relatos do pai, que contou o drama vivido pelo
avô e como eles se viraram para sobreviver e escapar das perseguições.
- O clube teve que mudar de nome, o que não findou o problema, mas
amenizou. O uniforme do Palestra era nas cores da bandeira italiana, o
que teve que ser mudado. Meu avô e vários amigos dele, da colônia, eram
muito conhecidos. Não havia como apagar essa identificação com a Itália
do dia para a noite. O que eles conseguiram foi dar uma abrandada.
Disseram que moravam aqui e já se consideravam brasileiros. O italiano
já tem todo aquele jeito e aquele jogo de cintura de administrar
situações de conflito, tipo o brasileiro.
Após usar, provisoriamente, os nomes Palestra Mineiro e Ypiranga, os
conselheiros finalmente decidiram por Cruzeiro. Um ex-presidente do
clube usou um jeitinho de agradar a italianos e brasileiros, ao usar um
símbolo do Brasil, a constelação do Cruzeiro do Sul, em uma camisa
idêntica à da Itália.
- Um conselheiro, Osvaldo Pinto Coelho, ex-presidente do clube, sugeriu
o nome Cruzeiro. E ele foi muito político. Pra agradar à ala italiana,
falou: “olha, nós vamos deixar de ser Palestra Itália e vamos virar
Cruzeiro. Nós vamos mostrar para o governo brasileiro que nós somos
brasileiros. Somos patriotas, porque o Cruzeiro, as cinco estrelas, está
presente na bandeira nacional, nas armas da república, no selo da
república. Tudo o que representa o Brasil é o Cruzeiro do Sul. A
principal honraria que o governo brasileiro dá para uma pessoa, um
estrangeiro, é a ordem do Cruzeiro do Sul. Então, o Cruzeiro é o Brasil.
Então vamos botar o nome Cruzeiro. Agora, vamos colocar em uma camisa
azul. Agora, para nós, italianos, é o uniforme da seleção italiana. Vai
ser um tapa de luvas”. Os italianos se sentiram valorizados e aprovaram o
nome Cruzeiro. Clube do mundo
Antes restrito à colônia italiana, o Cruzeiro virou um clube do mundo,
com torcida estimada em quase oito milhões de pessoas e com um currículo
de conquistas invejável, que conta com duas Taças Libertadores, duas
Supercopas, uma Recopa Sul-Americana, dois Campeonatos Brasileiros e
quatro Copas do Brasil, além de vários torneios interestaduais e
estaduais. Para Anísio Ciscotto, o 7 de outubro, data em que surgiu o
Cruzeiro, deve ser comemorado com a mesma intensidade do 2 de janeiro,
data de fundação do Palestra Itália.
Torcida do Cruzeiro comemora um dos títulos de sua história (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
- O 7 de outubro é tão importante quanto o 2 de janeiro. No dia 2 de
janeiro nasceu o clube, a instituição, e, no dia 7 de outubro, a
instituição assumiu sua personalidade, não de clube italiano, não de
clube de Belo Horizonte, mas de um clube do Brasil, que, depois, virou
um clube do mundo.
De fato, o torcedor cruzeirense tem muito que comemorar, pois o clube é
símbolo de união, já que agregou todas as raças e classes sociais em
torno de si, sendo um dos mais populares do Brasil. O Cruzeiro foi forte
e venceu um episódio de intolerância, saindo fortalecido de uma guerra
mundial.
Parabéns ao Cruzeiro, que começou como um clube somente de italianos,
mas que hoje é de milhões de brasileiros de todas as origens.
Em 2010 minha filha Ana Luiza foi para a Italia, especificamente Trieste, com o escopo de estudar e realizar um estágio em uma firma italiana.
Estagiou na Câmara de Comércio de Trieste e apresentou uma pesquisa minha, que se tornará livro ainda neste ano de 2015, sobre a imigração friulana/italiana para Minas Gerais.
A resenha foi publicada na revista Amicci del Caffè em duas partes, que ora reproduzo aqui.
Para mim, uma honra ter um trabalho meu publicado em uma revista importante no meu país de origem.
A reportagem pode ser vista no site que evidencio logo abaixo da foto.
Boa leitura!
Dall’Italia al Brasile per coltivare caffè – I parte
Flussi migratori, Brasile e caffè:
questi gli elementi che si intrecciano e formano il filo rosso della
tesi in storiografia di Anisio Ciscotto Filho “L’immigrazione italiana
nel Minas Gerais. La fazenda Do Rochedo negli anni 1888-1889”, discussa
nel 2004 come Bachelarado em Historia, all’Universidade Federal de Minas
Gerais.
VIA GLI SCHIAVI, ARRIVANO GLI ITALIANI
A cavallo tra la fine dell’Ottocento e l’inizio del Novecento sono
molti gli italiani che lasciano la Penisola per cercare fortuna in
Brasile. I migranti erano spinti dalla miseria, conseguenza della
depressione agricola della fine del XIX secolo; sull’altro fronte
l’impero brasiliano aveva bisogno di manodopera bianca. Perché? Il 13
maggio 1888 fu abolita la schiavitù e si rese necessario accogliere
nuovi lavoratori che potessero sostituire o fiancheggiare i neri ormai
affrancati, a fronte di un lavoro nei campi che andava sempre più
aumentando. Si trattò anche di una questione di ordine pubblico: la
massa degli uomini di colore, divenuti liberi, veniva considerata
pericolosa e “schiarire la popolazione”, favorendo l’afflusso di europei
bianchi, fu una mossa preventiva utile a scongiurare squilibri
razziali imprevedibili. Così, già dal 1887, l’impero brasiliano iniziò a
favorire l’ingresso degli europei, con biglietti sovvenzionati e
speciali agevolazioni per interi gruppi famigliari.
Lo studio di Ciscotto si focalizza, tuttavia, su un’area specifica,
quella del Minas Gerais, la provincia che possedeva il maggior numero di
schiavi impiegati sì nei lavori delle miniere, ma anche nei campi.
Soprattutto nella “Zona da Mata” cominciarono a sorgere molte fazendas
che producevano caffè ed è proprio qui che vennero accolti gli italiani.
Ciscotto evidenzia come in questa regione la maggior parte dei
migranti fosse giunta da un’area geografica italiana: la provincia di
Udine in Friuli Venezia Giulia. Sfogliando i registri delle autorità
migratorie, scopre i nomi delle famiglie, i Cristofori, gli Scotto, i
Danellon…, che toccarono le sponde del nuovo continente a bordo di navi
che malinconicamente portavano il nome di simboli della patria italiana,
“Città di Roma”, “Mazzini”, “Po”…
LA FAZENDA
Gli italiani furono il gruppo di migranti più numeroso che si stanziò
nella regione. Ebbero un ruolo cruciale nella vita e nell’ampliamento
delle piantagioni, e nella costruzione degli insediamenti dell’area.
Prima del loro arrivo, la Fazenda do Rochedo di Joaquim Clemente de
Campos, la più importante, era costituita solo da un piccolo nucleo
residenziale di lavoratori che poi si ampliò molto, tanto che negli anni
attorno al 1920 le sue abitudini e i suoi metodi divennero un modello
di produttività per l’intero Paese.
Ciscotto si sofferma lungamente sulla descrizione della fazenda e
della vita dei suoi lavoratori: vi erano gli immensi terreni coltivati,
ma anche gli impianti per il trattamento del caffè. Nella corte venivano
messi a essiccare i chicchi, a fianco le rimesse dove venivano riposti
gli strumenti per la loro lavorazione.
Allora, nella tenuta, vivevano fino a 350 coloni, tra brasiliani e
stranieri, con una produzione di caffè che raggiungeva i 18mila
“arrobas” di caffè pulito e lavorato (un arroba corrisponde a 25kg). La
tenuta era costituita da più edifici, tutte costruzioni realizzate con
il legno estratto dalle foreste abbattute per piantare il caffè.
La fortuna della Fazenda fu determinata dalla creazione di un nuovo
collegamento ferroviario che la metteva in diretto contatto con la
capitale dell’impero, trasformando la piantagione di caffè in un
prospero investimento. Sui treni, che giungevano fino alla fazenda, vi
erano vagoni riservati esclusivamente ai carichi di caffè.
Articolo pubblicato su il Notiziario Torrefattori
Tenho visto e lido muitas coisas a respeito do lado
financeiro dos clubes de futebol faladas e discutidas em programas de
televisão. Muitas enquetes, opiniões de comentaristas e demonstrações de
desconhecimento do assunto são vistas e ouvidas diariamente nos programas
esportivos. Também o assunto patrocínio por parte de empresas estatais também
grassa na mídia esportiva. Discorrerei sobre ambos os assuntos no presente
texto, tentando mostrar de maneira simples e didática a minha opinião, que se
baseia no fato de ter sido (e ainda ser até abril 2015) Conselheiro Fiscal no
Cruzeiro e empregado da Caixa Econômica Federal, que é a estatal que mais apoia
o futebol com patrocínio nas camisas.
Medida provisória aprovada pela Câmara e pelo Senado:
Na
semana compreendida entre 14 de dezembro e 20 de dezembro deste ano foi votada
na Câmara Federal e no Senado da República uma medida provisória que discorre
sobre a situação fiscal dos clubes brasileiros. Tal medida foi aprovada e, a partir
daí, foi encaminha à sanção da presidência da República, isto é, aguarda a
aprovação do Poder Executivo. Várias partes interessadas, e que participaram
das negociações, se sentiram traídas, pois a medida provisória não incluiu em
seu texto alguns tópicos que interessavam aos jogadores, aos clubes e também ao
governo, o Fair Play financeiro. Da maneira como a medida foi votada, ficou a
sensação de que o que aconteceu foi a aprovação de um novo REFIS específico,
que tem como foco simplesmente a negociação da dívida fiscal dos clubes. É bom
lembrar que, recentemente, foi aprovado outro REFIS, o chamado REFIS da Copa,
ao qual muitos clubes aderiram, cansados de esperar a Lei de Responsabilidade
Fiscal dos Clubes ser votada.
Ao que
me consta, a parte que mais interessava aos movimentos envolvidos na questão,
ficou por conta do regulamento das competições, o que repassa à CBF, a tarefa
de fiscalizar, acompanhar e punir os clubes que não cumprirem o regulamento.
Entendo que assim realmente não agradou a todos, pois sabemos que o lado
político, econômico e geográfico sempre influenciou a CBF em suas decisões.
Melhor seria que uma lei federal fizesse a regulamentação de tal assunto e
estipulasse punições e responsabilidades aos que estivessem com a tarefa de
fazer cumpri-la.
Quanto
aos descontos dados nos juros e correções das dívidas são comuns em
renegociações de débitos, em bancos, financeiras, cartões de crédito e mesmo em
dívidas fiscais em prefeituras, estados e na União. Não se dá desconto em
dívida (o valor inicial devido). Dá-se um desconto na taxa de juros e outros
emolumentos. Adequa-se o percentual de juros à realidade do momento econômico
que o país vive. Como as dívidas são antigas, alguns índices poderiam ser
exorbitantes e não corresponder à estabilidade econômica que vivemos.
Não foi favor específico e
inventado para nenhum clube de futebol. Se houve algum favor foi o fato de se ampliar
o prazo de pagamento para 240 meses (20 anos), pois no REFIS da Copa o prazo
foi menor. Assim sendo, os valores das prestações diminuem, pois o prazo
aumenta.
Como a medida provisória foi
votada agora, os débitos fiscais até a data da aprovação são passíveis de serem
incluídos no parcelamento. Levarão vantagem os clubes que estavam com dívidas
recentes, como Cruzeiro, São Paulo e até mesmo o Flamengo, que vem cumprindo à
risca os acordos anteriores. Assim sendo, tais clubes poderão receber suas
certidões negativas de tributos com maior agilidade que os outros que levarão
um tempo maior para conciliar seus débitos, a não ser que concordem com os
valores cobrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e os reconheçam.
Patrocínio de empresas estatais:
Antes
de tudo devo me manifestar a favor dos patrocínios de empresas estatais, não só
no esporte, como em qualquer atividade que possa lhes oferecer visibilidade.
Muitas empresas estatais estão disputando mercado com empresas privadas e o sucesso
de suas atividades decorre também da exposição de suas marcas. Entendo que uma
empresa pública que não oferece seus produtos esta incorrendo em favorecimento
da marca concorrente.
Assim
sendo, sou um defensor ferrenho dos bancos públicos exporem suas marcas em
diversos clubes esportivos. Coube à Caixa Econômica Federal a primazia de
estampar sua marca nas camisas dos times de futebol.
Muito
tenho visto na imprensa as afirmações de que a Caixa está comprometida com o patrocínio
de diversos times que se encontram sem o patrocinador máster. Já li que a Caixa
patrocinará o Cruzeiro, o Atlético Mineiro, o América Mineiro, o Santos, o
Palmeiras, o Fluminense e vários outros expoentes do futebol. Gostaria que
assim fosse. Mas não é assim que funciona.
Primeiramente
temos que lembrar que, a Caixa, por ser uma Empresa Pública está sujeita à
legislação competente que rege os patrocínios públicos. Um dos primeiros
preceitos é que não se pode patrocinar uma entidade que esteja em dívida com o
governo federal. Para colocar a marca da Caixa em sua camisa, é necessário
estar com a situação fiscal em dia e também, para receber as parcelas mensais do
contrato, mensalmente deve-se comprovar que os tributos estão em dia. De que
adianta aderir ao REFIS, fechar um patrocínio com a Caixa e não manter os
pagamentos de tributos em dia? A Caixa depositará os valores bloqueados em
conta corrente e não os liberará. Isso acontece atualmente com o Vasco da Gama,
patrocinado pela Caixa: fechou um patrocínio de muitos milhões de reais por ano
e não pode colocar a mão no dinheiro, pois está bloqueado. O próprio Cruzeiro
tem um recurso bloqueado em conta (do patrocínio do atletismo) por não
apresentar as certidões. Outro fator dificultador é que os recursos somente
serão liberados caso haja uma prestação de contas mensal do gasto do dinheiro.
Muitos clubes não conseguem prestar contas, pois nem sempre possuem notas de
despesas. Difícil de acreditar, mas acontece.
Vários
clubes veem em tais exigências um dificultador, pois o patrocínio privado não prevê
prestação de contas e somente cláusulas de desempenho. Gasta-se como bem lhes convém, o que, com
certeza, é mais propício para gastos ilícitos e também para desvios.
É bom
ressaltar que a Caixa, como empresa pública, deve se pautar pelo regime da
transparência de seus atos e, para tanto, deve definir uma previsão de gastos
com patrocínios e ter seu orçamento aprovado pelo Conselho Diretor. Estamos em
uma época do ano e principalmente em uma época política, na qual não se sabe
ainda os destinos das empresas estatais no ano que virá. Dúvidas como os nomes
dos dirigentes (haverá mudanças na direção da empresa?), o foco a ser dado pela
área de marketing (continuará ensejando o futebol?), o fato de ser necessário
o contingenciamento dos gastos públicos
e a orientação do novo Ministro da Fazenda podem fazer com que a Caixa deixe de
patrocinar até os atuais clubes por ela patrocinados.
Assim sendo,
as eventuais reuniões de clubes com a Caixa, não são definitivas. São apenas
visitas nas quais se mostram as intenções de cada parte, e nas quais se demonstram
os potenciais mercadológicos que cada marca de clube possui. É impossível, no
dia de hoje, assegurar que patrocínios estão bem encaminhados ou fechados.
Qualquer
informação dada, além disto, é mera especulação.