sexta-feira, 25 de abril de 2014

Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultado 2013.

Aos leitores de meu blog disponibilizo as Demonstrações Financeiras do Cruzeiro Esporte Clube referentes ao exercício de 2013.

O que temos de mais importante a relatar a respeito das contas co Cruzeiro é o aumento significativo das receitas que chegaram ao valor de quase 190 milhões de reais, contra 120 milhões no ano passado, com um aumento em torno de 60%. Tal aumento se deve principalmente ao retorno do Cruzeiro ao Mineirão, com a arrecadação de bilheteria considerável, assim como o sucesso do programa Sócio Torcedor.
Também a premiação pela conquista do Campeonato Brasileiro aumentou as receitas.
No item receitas de TV houve um ótimo aumento do valor devido, principalmente, à boa campanha do time, o que ensejou um incremento nas vendas de pay-per-view.
Merece também atenção o aumento de nosso ativo, com a qualidade das aquisições de jogadores, valor lançado na conta "Intangível" do Ativo Não Circulante, com o aumento de quase 80%. Hoje o Cruzeiro é o time mais valioso do Brasil.
É significativo também o aumento do valor investido na formação de atletas no Centro de Treinamento Presidente Felício Brandi (Toca da Raposa I).
Houve também diminuição dos valores pertinentes ao endividamento bancário.
As contas foram aprovadas, sem ressalvas, pelo Conselho fiscal em reunião ocorrida no último dia 14/04/2014.
O Clube se encontra em condições financeiras muito boas e excelentes condições econômicas.
A expectativa é que, continuando no ritmo em que caminham as finanças do Cruzeiro, no próximo ano o balanço já apresentará lucro.












sexta-feira, 18 de abril de 2014

Proforte: infelizmente parece que agora vai...

Notícias do Proforte:
Pelo texto abaixo, tudo indica que na semana que vem teremos a aprovação do Projeto que cria o Proforte. Não será como originalmente proposto, mas ainda é um belíssimo exemplo (mau exemplo por sinal!) de como ser devedor no Brasil é um bom negócio.
O texto foi extraído do blog Olhar Crônico Esportivo e pode ser acessado no link:
http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/olhar-cronico-esportivo/post/proforte-na-reta-final-e-ainda-sujeito-mudancas.html

Boa leitura!



OLHAR CRÔNICO ESPORTIVO

 VEJA TODOS OS POSTS
por Emerson Gonçalves


É provável, segundo o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), presidente da comissão que especial que analisa o Proforte, que ele seja votado no próximo dia 22, imediatamente após os feriados da Páscoa e Tiradentes. Pelo cronograma anterior a votação deveria ter sido realizada nessa última quarta-feira, mas pedidos de vista ao projeto que foram feitos por alguns deputados forçaram o adiamento.

Nessa reta final, o relator, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), introduziu mudanças sensíveis no texto original do Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos – Proforte – PLs 5201/13 e 6753/13.
A mais importante delas transforma o que era um programa basicamente de perdão de dívidas (sim, esse termo perdão é sempre contestado com veemência por deputados e dirigentes de clubes, mas na prática era isso mesmo que significava, pelo menos para quem vive na vida real) num programa de recuperação financeira.

Basicamente, as dívidas consolidadas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Imposto de Renda, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Timemania, Banco Central, etc, terão 300 meses – 25 anos – de prazo para serem quitadas, com um escalonamento inicial que permita aos clubes sobreviverem (é, parece brincadeira, mas é verdade: se todos tiverem que pagar, de fato, como deve, tudo que devem, muitos, simplesmente, fecharão as portas). Os valores serão corrigidos pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), naturalmente, e é ponto pacífico que os tributos correntes precisarão ser pagos em dia, juntamente com os atrasados.

Entre outras medidas, o projeto torna a Timemania mais atraente para o apostador (pareceu-me que não muito, mas vamos aguardar a redação final), uma nova loteria será criada, na modalidade “instantânea”, com motivação ligada ao esporte, bem como será definida e autorizada a aposta on line

Essas duas novas modalidades de loteria e apostas financiarão um fundo, cujos recursos serão utilizados para projetos de iniciação esportiva. Pelo relator, somente as escolas públicas poderão receber esses recursos, mas outros deputados entendem que também escolas particulares possam ser incluídas.
Deputados, como Vicente Candido (PT-SP), querem que os clubes sejam incluídos nessa lista, proposta que o deputado Romário está rechaçando. Ao justificar essa posição ele foi direto: “Sei, de experiência própria, que se esse dinheiro chegar aos clubes, dificilmente será repassado um real para alguma escola.”
Eu mesmo não iria tão longe, mas, seguramente, boa parte dos recursos “perder-se-ia” antes de chegar a alguma escola.
Pelo texto do deputado Otávio Leite, a CBF deverá contribuir com esse fundo, através da destinação de 10% de seus ganhos com patrocínios. A justificativa do deputado é que a entidade explora um símbolo do país, “utilizando-se da imagem do País e obtendo lucro com essa função pública” e é justo que contribua de volta com alguma coisa, nesse caso ajudando a formação de atletas.

Mesmo sem as benesses do texto inicial, o Proforte continua sendo um excelente negócio para quem deve, especialmente dívidas mais recentes. Afinal, dinheiro que seria pago à União foi usado para o caixa dos clubes, para necessidades ou desejos imediatos.
Esses valores que não foram pagos, serão agora divididos em 300 parcelas, com uma correção que, se não é camarada, tampouco é mortífera. É o que se pode chamar de um grande e esperto negócio.

Responsabilidade fiscal

O texto de Otávio Leite vai além e propõe que os dirigentes sejam proibidos de contrair dívidas que ultrapassem seus mandatos. Sua intenção, de acordo com suas palavras, “mais que criar um programa de auxílio, é instituir a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte.”

Ótima intenção, sem dúvida, mas que pode mais complicar do que ajudar os clubes. É certo que a medida é até necessária, pois sabemos que o presidente de hoje gasta o que não tem e deixa o pepino para os sucessores, por outro lado, dada a situação dos clubes, muitas vezes há necessidade de uma negociação de prazo mais longo, o que a lei, se aprovada sem mudanças, vetaria. Parece-me que o correto, nesse caso, é determinar que comprometimentos desse tipo sejam levados para discussão e aprovação nos conselhos deliberativos dos clubes (medida que já é adotada por alguns).
Essa semana será muito curta. Na prática, terá apenas três dias úteis de fato, o que talvez acarrete novo adiamento da votação. Não ficarei surpreso com isso, como não me surpreende um eventual esforço final dos clubes tentando mudar alguns pontos doprojeto.

domingo, 6 de abril de 2014

No meu tempo era assim...

         

        No meu tempo era assim: muitos campinhos de futebol espalhados pelos bairros de Belo Horizonte e uma profusão de times de bairro que reuniam os garotos da região. Havia um campeonato  disputado no antigo campo do América Mineiro, na Alameda, que se chamava "Dente de Leite" e reunia os times de bairro com os garotos de tenra idade. Havia até transmissão de televisão de alguns jogos e ficávamos loucos com a oportunidade de jogarmos em uma partida televisionada. Havia muita vontade de se jogar nos times da base dos grandes da capital, mas os nossos timinhos satisfaziam nossa necessidade de gastar calorias e frustração de não conseguirmos vestir a camisa de nosso time favorito, pois a oferta de futuros craques era tão grande, que seria muito difícil alcançar tal glória. Somente os iluminados e fora de série conseguiam ir ao Barro Preto e fazer parte do time infantil do Cruzeiro.

         No meu tempo, sabíamos de cor e salteado os nomes de todos os jogadores do elenco do Cruzeiro. Era um time perene e que, por necessidades pontuais, modificava um dois jogadores por ano. Meu time de jogo de botão tinha as caras dos craques do Cruzeiro e duravam muito tempo, fazendo com que eu trocasse várias vezes a foto do mesmo jogador por outras mais recentes. Tostão, Raul, Dirceu Lopes, Piazza, Natal e outros duravam uma eternidade nas lentes de óculos que eu usava como botões para meu time.
          O programa de domingo era ir à missa, passear no Parque Municipal e depois ir ao Mineirão, mas não sem antes almoçar um frango, que meu pai matava na véspera e todo mundo chorava de pena (o que irritava meu pai que dizia que, se chorasse, o frango demorava a morrer...), e uma bela macarronada com suco de uva. Íamos todos da família e sempre com um pouco de receio de minha mãe, devido às brigas entre torcidas. Àquela época já aconteciam os estranhamentos entre rivais. Meu pai sempre dizia que a polícia existia para prender bandidos e proteger a sociedade, que as pessoas de bem não podiam ficar em casa por causa de baderneiros. Sábias palavras que deveriam valer até hoje...
          Após os jogos, que nunca eram transmitidos ao vivo para Belo Horizonte, voltávamos correndo para casa e ainda chegávamos a tempo de assistirmos o videotape na finada TV Itacolomi, o que fazia com que as discussões continuassem até às 10:00 da noite que era a hora de dormir. O interessante é que os públicos daquela época, eram muito, mas muito mesmo superiores aos dos dos dias de hoje. Cruzeiro x Atlético cujo público fosse menos de noventa mil presentes era considerado um fracasso de público e renda. E após os clássicos, a Polícia Militar providenciava a segunda parte do famos e extinto "Plano A", que consistia que a avenida Antonio Carlos, antes do jogo, tivesse suas três pistas liberadas no sentido centro-Mineirão e, após o término da partida, invertesse as mãos com três pistas liberadas no sentido Mineirão-centro. Era uma beleza. Chegávamos cedo em casa. Como a Catalão ainda era precária, voltavam as duas torcidas pela mesma avenida!
         As torcidas eram animadas por "Charangas". Charanga era o nome dado às bandinhas que animavam os gritos das torcidas. A do Atlético era a Charanga do Júlio. Júlio era um dono de supermercado, chamado Júlio o mais amigo, que possuía uma bandinha que animava os fregueses na porta de seu estabelecimento, que, se não me engano, ficava na Rua Guarani. Nos dias de jogos do Atlético sua bandinha se tornava a Charanga do Júlio. Tinha instrumentos de percussão e de sopro. Tocava durante todo o jogo.
          Já a do Cruzeiro era comandada por Aldair Pinto. Não possuía metais, somente a bateria. Como era animada. Havia um toque que fazia a torcida do Cruzeiro assobiar. Era muito legal, pois cinquenta mil pessoas assobiavam ao mesmo tempo. Aldair Pinto de chefe de charanga, já era apresentador de programas de auditório e radialista, virou político se elegendo vereador.

          Em uma determinada época, a torcida do Cruzeiro colocava pó de talco nas bandeiras e quando o Time entrava em campo nós levantávamos as bandeiras e fazíamos um efeito visual maravilhoso. Junto ao pó de talco colocávamos papel picado também. 
          Conhecer os jogadores e radialistas era um sonho acalentado por todos os meninos. Lembro-me que era criança e, para ir ao dentista, minha mãe me prometia levar à Galeria do Ouvidor na loja de discos do Raul. Eu era pequeno e o Raul um gigante. Eu, olhando para baixo, levantava o braço com um papel e caneta para receber um autógrafo. Eu não tinha coragem de encarar meu ídolo. Hoje em dia encontro demais com o Raul e a idolatria continua, agora tornada amizade.
           Bons tempos que não diminuem em nada os novos tempos. Como é bom ir ao Mineirão!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CBV engorda receitas com verba pública.

Matéria interessante do O Lance mostra que enquanto os Clubes fecham as portas por causa de falta de patrocinadores, os recursos recebidos de órgãos federais são pouco entregues às federações estaduais e menos ainda aos Clubes.

Espero que as auditorias efetuadas na CBV mostrem a realidade perversa, onde as seleções nacionais desfrutam das benesses dos repasses e os Clubes formadores e fornecedores de atletas sucumbem perante os humores do mercado.

Vale a pena a leitura.

 http://www.lancenet.com.br/volei/CBV-receitas-publica-repasse-proporcional_0_1112288779.html

 
Ari Graça

CBV engorda receitas com verba pública, mas repasse não é proporcional

Análise feita pelo L!Net mostra que a confederação não reverte os valores de maneira proporcional às federações estaduais.

LANCEPRESS! - 01/04/2014 - 09:31 Rio de Janeiro (RJ)
Salto nas receitas com verba pública e de patrocínio do Banco do Brasil, aumento em despesas pouco explicadas e queda no repasse às federações estaduais. Estas são algumas conclusões que podem ser tiradas após a análise feita pelo LANCE!Net dos balanços patrimoniais da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) entre 2011 e 2013.
A entidade divulgou o balanço referente ao ano passado há duas semanas, em meio às denúncias da ESPN Brasil do pagamento de comissão às empresas S4G (de Fábio Azevedo) e SMP (de Marcos Pina) pela renovação do patrocínio com o Banco do Brasil em 2012 que poderiam chegar à casa dos R$ 20 milhões. Os números mostram que a CBV engordou seu caixa com verba pública, mas gasta boa parte do dinheiro em sua estrutura interna e repassa apenas uma pequena parte às federações regionais.
Em 2012 aconteceu o primeiro salto nas receitas, com a renovação do patrocínio com o Banco do Brasil, um banco estatal. Segundo os balanços da CBV, o banco deu à confederação R$ 3.582.579,00 em 2011 e aumentou para R$ 24.000.000,00 no ano seguinte. No ano passado, R$ 25.751.856,00 foram repassados à entidade.
No ano passado, foi a vez de órgãos governamentais depositarem cheques polpudos nas contas da CBV. Por meio da Lei Agnelo-Piva e de convênios com as esferas federal, estadual e municipal, a confederação recebeu R$ 31.851.484,00 em 2013, quase o dobro do que em 2012 (R$ 16.651.538,00).
O crescimento nas receitas da confederação presidida atualmente por Walter Laranjeiras, o Toroca, não se refletiu no repasse às federações estaduais. Pelo contrário.
O repasse aumentou cerca de R$ 200 mil entre 2012 e 2013 (veja no gráfico ao lado), mas ainda assim a fatia do ano passado às federações diminuiu em relação a 2011.
Há três anos, quando a CBV teve uma receita de R$ 76.574.700,00, as 27 federações estaduais receberam R$ 4.041.135,00. Em 2013, a receita aumentou para R$ 128.779.727,00, mas a distribuição para as federações caiu para R$ 3.485.582,00 (média de R$ 129.095,00 para cada uma das 27 entidades estaduais).
Em 2013, a CBV gastou mais com a área de marketing do que com as federações.
TRANSPARÊNCIA
O LANCE!Net analisou os balanços da CBV com o auxílio de especialistas em contabilidade. E uma das características apontadas é que a peça patrimonial de 2013 é menos transparente que a de 2012. Veja abaixo alguns gastos da confederação.
Pessal de apoio
A entidade aumentou a despesa de R$ 18.984.128,00 (2012) para R$ 29.857.059,00 (2013) e não detalhou esta diferença nas notas explicativas.
Marketing e produçãoOutro gasto que subiu: de R$ 6.199.754,00 paraR$ 7.199.240,00, sem detalhamento. No balanço de 2012, o texto continha uma nota explicativa, dizendo que o valor foi substancialmente para a contratação de serviços que incluiam assessoria na negociação de patrocínio.
Mais gastosOutros custos significativos de 2013 que subiram e não tiveram notas explicativas foram com montagem de quadra, comunicação, equipamentos esportivos, entre outros.

CBV  aguarda término de auditoria

Procurada pelo LANCE!Net, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) informou por meio de sua assessoria de imprensa que irá aguardar a auditoria que está sendo feita para fazer qualquer comentário sobre o balanço patrimonial.

“O balanço é uma peça contábil, que reflete decisões gerenciais e financeiras. A CBV só comentará sobre esses temas após a auditoria que está sendo realizada pela Pricewaterhouse Coopers. Os primeiros resultados serão divulgados em cinco semanas”, respondeu a CBV à reportagem, no dia 27 de março.

O L! enviou à assessoria da CBV uma série de questões e pedido de esclarecimentos, como o aumento nos gastos em várias áreas. A confederação não explicou tais pontos.

“Os dois balanços foram submetidos ao Conselho Fiscal da CBV e, posteriormente, aprovados em Assembleia Geral Ordinária. A CBV informa que ambos os balanços não possuem incorreções contábeis, e isso inclui os questionamentos feitos pelo LANCE!”, informou a confederação, por meio de nota.
Balanço de 2012 menciona  S4G  e assessoria

A S4G, empresa de Fábio Azevedo envolvida nos supostos pagamentos irregulares de comissão pela renovação de patrocínio do Banco do Brasil com a CBV, é mencionada no balanço patrimonial da entidade do ano de 2012.

O texto explica que a S4G foi contratada em dezembro de 2010 para prestar serviços de planejamento, produção e comercialização de eventos. O balanço também traz a informação que em setembro de 2012 a S4G passou a fazer parte da CBV, já que a confederação contratou para o cargo de superintendente executivo um dos sócios da empresa, que era  Azevedo.

O balanço de 2012 também explicita que a CBV gastou parte de sua verba com "assessoria na negociação dos contratos de patrocínio", exatamente o pivô da polêmica das denúncias realizadas pela ESPN Brasil. Este custo estava dentro do item marketing e produção, que foi de R$ 6.199.754,00 naquele ano.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Romário denuncia a CBV!

Nunca fui fã de Romário. Para mim seu comportamento extra-campo sempre embaçou bastante seu desempenho como jogador. Mas tenho que reconhecer seu empenho em denunciar os desmandos no mundo esportivo. Alguns o acusam de oportunismo. Acho que se for oportunismo, está sendo muito oportuno!
Transcrevo abaixo a íntegra do seu discurso no qual denuncia o escândalo do pagamento de comissões na CBV. Muito oportuno!



Vôlei: Romário sugere CPI do Esporte Olímpico

Motivado pelas recentes denúncias de irregularidades financeiras na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), o deputado federal Romário (PSB-RJ) defendeu, nesta quarta-feira (19), que a Câmara dos Deputados colabore com as investigações realizadas na CBV e sugere CPI.
“Apesar da proximidade da Copa do Mundo, consulto os nobres colegas parlamentares sobre a oportunidade de uma CPI do Esporte Olímpico, a fim de passarmos a limpo a realidade das entidades gestoras que, ressalto, são todas financiadas por verbas públicas”, defendeu.
As denúncias da emissora ESPN mostraram que o superintendente da confederação, Marcos Pina, era dono da SMP Logística, empresa de marketing que negociava os contratos do vôlei com o Banco do Brasil, faturando R$ 10 milhões de comissão. Para Romário, um evidente desperdício de dinheiro público.
“Isso é gravíssimo, pois a CBV é patrocinada pelo Banco do Brasil, recebe recursos do governo federal, da Lei Agnelo Piva e da Lei de Incentivo ao Esporte”, apontou. Após as denúncias, tanto Marcos Pina como o presidente da confederação, Ary Graça, deixaram os seus respectivos cargos.
Marcos Pina e Ary Graça são ex-jogadores da seleção brasileira. “Já representaram o nosso país em competições internacionais e agora mancham as cores nacionais que já defenderam. Uma vergonha!”, declarou o parlamentar.
Leia o discurso na íntegra:
O mais recente escândalo financeiro em nosso país vem do esporte, lamentavelmente.
Reportagens publicadas por Lúcio de Castro, da ESPN, revelaram que a poderosa Confederação Brasileira de Vôlei está sob suspeitas de irregularidades financeiras.
E isso é gravíssimo, pois a CBV é patrocinada pelo Banco do Brasil, recebe recursos do governo federal, da Lei Agnelo Piva e da Lei de Incentivo ao Esporte.
Uma das denúncias mostrou que o superintendente da confederação, Marcos Pina, era, também, dono da empresa SMP Logística.
Era essa empresa de marketing que negociava os contratos do vôlei com o Banco do Brasil, faturando R$ 10 milhões de comissão, num evidente desperdício de dinheiro público.
Após as denúncias, tanto Marcos Pina como o presidente da confederação, Ary Graça, deixaram os seus respectivos cargos. E eu queria lembrar que esses dois senhores envolvidos nas denúncias de corrupção são ex-jogadores da seleção brasileira.
Já representaram o nosso país em competições internacionais e agora mancham as cores nacionais que já defenderam. Uma vergonha!
Ora, se isso ocorre com o vôlei, premiadíssima modalidade, nas quadras e na praia, escola que se tornou referência no mundo, o que não estará ocorrendo nas confederações das demais modalidades?
O interessante, Senhor Presidente, é que essas denúncias já eram feitas em 1997, através do técnico Bebeto de Freitas, conforme reportagens da época, agora recuperadas. E que providências o governo adotou para evitar que o abuso se perpetuasse?
Para piorar, soube que alguns jogadores do vôlei beneficiados pelo Bolsa Pódio – que deveria oferecer mais apoio aos atletas com chance de disputar pódio nos Jogos Rio 2016 – têm recebido apenas parte dos valores a que tem direito. Ora, para onde estão indo os recursos que deveriam ir direto para os atletas?
Sabemos que as confederações de Tênis e a de Basquete também apresentam graves irregularidades, já reveladas pelo competente jornalista José Cruz.
Mas até agora não soubemos de uma só iniciativa do Ministério do Esporte para evitar que a situação se agrave, e ambas entidades continuam recebendo verbas públicas.
Não seria oportuno esta Casa também entrar nas investigações sobre as finanças do nosso esporte, em apoio à auditoria que a Controladoria Geral da União realiza na Confederação de Vôlei?
Apesar da proximidade da Copa do Mundo, consulto os nobres colegas parlamentares sobre a oportunidade de uma CPI do Esporte Olímpico, a fim de passarmos a limpo a realidade das entidades gestoras que, ressalto, são todas financiadas por verbas públicas.
Voltarei a este assunto, mas lanço as sugestões para oportunas consultas.
O fato é que não podemos fechar os olhos à realidade. Isso significaria omissão e esta Casa tem o dever, o compromisso de também fiscalizar o bom uso das verbas públicas.
Muito obrigado

segunda-feira, 17 de março de 2014

Da base para o estrelato azul!

Matéria do O Tempo valorizando o trabalho que é feito na Toca da Raposa I!

http://www.otempo.com.br/superfc/cruzeiro/da-base-para-o-estrelato-azul-1.808695

PRATAS DA CASA

Da base para o estrelato azul

Atual plantel do Cruzeiro conta com nove jogadores que vieram das categorias iniciais

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Bem na fita. Jogadores da base do Cruzeiro estão em alta e vêm ganhando chances no time principal
PUBLICADO EM 16/03/14 - 03h00
O Cruzeiro, atual campeão brasileiro e um dos candidatos ao título da edição 2014 da Libertadores da América, investiu pesado nas últimas temporadas para montar um grupo vencedor. A diretoria do clube sob a batuta do presidente Gilvan de Pinho Tavares contratou alguns medalhões: Júlio Baptista, Dagoberto, Borges e Marcelo Moreno; apostou em Ceará e Tinga, atletas com vasta experiência, mas não esqueceu de valorizar um dos mais importantes requisitos dos grandes clubes de futebol: as categorias de base.

O plantel principal da equipe celeste tem média de idade pouco superior a 25 anos e os jovens revelados pelas categorias de base do clube, tratados como promessas pela cúpula estrelada, representam 27% do total de jogadores do grupo. Com tantos jovens em busca de espaço, alguns atletas mais rodados e com altos salários dão lugar no time para quem está começando agora.

Entre várias estrelas, o meia Tinga é unanimidade, é o que mais interage com a garotada celeste.
“O Tinga ajuda muito os pratas da casa. Ele é um cara exemplar, sensacional, muito profissional e nas oportunidades que ele tem de passar algo para nós, sempre auxilia com dicas, orientações e muita experiência”, afirma Elber. Tinga é uma espécie de “paizão”, uma referência para os mais novos na Toca II. “Ele é o cara mais brincalhão que tem. Dá moral, brinca na hora que tem que brincar, mas é sério na hora que tem que cobrar. É muito bom ter um cara bom de grupo como ele”, ressaltou volante Eurico, promovido à equipe principal no começo de 2014. Apostando na velha receita, que sempre rendeu bons resultados no mundo da bola – mesclar juventude com tarimba, a Raposa tem 33 atletas em seu grupo principal e atualmente conta com nove pratas da casa à disposição do técnico Marcelo Oliveira. São eles: os zagueiros Wallace e Alex; o lateral-direito Mayke; os volantes Lucas Silva e Eurico, além dos meias Alisson e Elber e dos goleiros Rafael e Elisson.

terça-feira, 11 de março de 2014

Matéria: mercado obscuro da bola.

Hoje posto neste espaço a matéria publicada pela Revista Vox Objetiva de autoria do Jornalista Vinícius Grissi que trata de assunto sobre o qual gosto muito: Finanças e transparência no futebol e clubes em geral.
Tive o prazer e satisfação de ser entrevistado para tal matéria e o resultado ficou muito bom.
Neste terceiro ano de mandato do Presidente Gilvan de Pinho Tavares ocupo a Presidência do Conselho Fiscal do Cruzeiro e a temática mais abordada pelo Conselho será justamente Transparência e Governança.
Somente é importante ressaltar na matéria de Vinícius que, como ele afirmou, a maioria do clubes não se preocupa com transparência e muitas partes dos balanços não são publicadas, como por exemplo, o relatório dos conselhos fiscais. Não é o caso do Cruzeiro: publicamos os balanços completos e, atualmente, estamos com os últimos cinco exercícios, completos, à disposição do público em geral em nosso site (inclusive com os relatórios do Conselho Fiscal).
Boa leitura e parabéns ao conazionale Grissi pelo interesse em abordar assunto tão interessante e importante. O link da matéria está copiado abaixo.
Boa leitura!


http://www.voxobjetiva.com.br/noticia/647/o-mercado-obscuro-da-bola



CAPA

O mercado obscuro da bola

por Vinicius Grissi
Dívidas crescentes e transações mal-explicadas revelam a falta de transparência do futebol dentro e fora do Brasil (Foto: Divulgação Barcelona)
Uma denúncia: isso foi o suficiente para o sócio do Barcelona, Jordi Cases, ocupar a primeira página dos diários esportivos mundiais em dezembro passado. E não foi qualquer acusação. O membro da oposição do time catalão acusou a diretoria do Barcelona de apropriação indébita. Os valores foram os da transação envolvendo o atacante brasileiro Neymar. O caso explodiu após o jornal espanhol ‘El Mundo’ publicar que ocorreu uma divergência no valor da transação feita com Neymar da Silva Santos - pai de Neymar e empresário do jogador. A edição do dia 20 de janeiro dá conta que a transferência do camisa 10 canarinho custou 95 milhões de euros para os cofres do clube. Mas o valor publicado foi de 57 milhões de euros, conforme foi declarado pelo presidente do clube catalão, Sandro Rosell. Resultado: no dia 23 de janeiro, o mandatário do time deixava o cargo.
A crise instaurada após a saída de Rosell levou o empresário Neymar Santos a conceder uma longa entrevista coletiva. O pai do jogador explicou que a transferência custou, na verdade, 86,2 milhões de euros aos Brasilespanhóis. Os valores só puderam ser revelados após as partes aceitarem quebrar uma ‘cláusula de confidencialidade’ que existia no contrato. A N&N, empresa dos pais de Neymar, foi a principal beneficiada pelo negócio, levando 40 milhões de euros. O documento ainda vai ser investigado pela justiça espanhola.
Mas negócios obscuros no mundo do futebol não são exclusividade de transações internacionais nem só de clubes estrangeiros. Dos 34 clubes de maior receita do futebol brasileiro, apenas o Corinthians foi classificado como ‘bom’ no quesito nível de transparência. A informação foi revelada por uma pesquisa divulgada em novembro passado pela Pluri Consultoria. O ranking da empresa especializada em gestão e marketing esportivo coloca Atlético e Cruzeiro apenas na 24ª e 20ª posições, respectivamente. Ambos foram classificados em nível ‘básico’. É que os times mineiros não têm área específica no site para divulgar as contas. O visitante do site encontra dificuldades para localizar o balanço financeiro, e os clubes não publicam o parecer do conselho fiscal.
“Em geral, os clubes não dão muita importância para esse assunto. Nos últimos dois anos, o nível de transparência melhorou, mas ainda é básico. O que os times normalmente fazem é divulgar o balanço, alguns com maior preocupação que outros. Existem clubes montando portais de transparência, mas essa relação ainda precisa avançar muito”, analisa o economista Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.
O Presidente do Conselho Fiscal do Cruzeiro, Anísio Ciscotto, considera o ranking de transparência interessante, mas discorda de certos critérios. “A lei exige que os clubes aprovem suas contas e as publiquem até o final de abril. Nós fazemos isso. Mas há exigências que nem todas as empresas conseguem cumprir. Nós, por exemplo, esbarramos em questões tecnológicas. Tentamos colocar o estatuto do clube no site, mas, por uma questão de servidor, não foi possível”, revela.
A crescente participação de grupos de investidores nas negociações é outro fator que dificulta a divulgação de informações relativas às finanças. Normalmente esses parceiros são utilizados como ‘escudos’ para que os clubes não revelem os valores envolvidos nas principais transações. “É a parte mais nebulosa do futebol. Trata-se de um problema mundial. E a Fifa pouco tem trabalhado para combatê--lo. Mesmo que a maioria das negociações ocorra de forma lícita, não há justificativa para que as informações não sejam publicadas”, ratifica.
O comportamento das diretorias só reforça essa tendência. Nenhuma das três contratações em que houve investimento celeste na temporada – Marlone, Rodrigo Souza e Miguel Samudio – teve os valores divulgados pelo clube. No entanto, Ciscotto vê com naturalidade a confidencialidade contida nos contratos. “O clube está sujeito às penas da lei como qualquer empresa. E esse tipo de cláusula não é exclusividade do futebol. Geralmente isso é divulgado no balanço do clube. Se você buscar nas notas explicativas, vai acabar descobrindo facilmente onde a empresa colocou e tirou dinheiro”, justifica.
Para Ciscotto, a tendência é que os clubes sejam obrigados a divulgar os valores das transferências, a exemplo do que acontece no futebol português. “Em breve, os times vão virar clube-empresa, e o departamento de futebol vai funcionar como uma sociedade anônima. A própria comissão de valores mobiliários vai passar a verificar isso”, acredita o dirigente. Esse controle faria com que as dívidas dos clubes brasileiros não se multiplicassem ano após ano. Desde 2007, os 23 times com a maior receita do país somam R$ 1,8 bilhão em prejuízos, como aponta outro estudo da Pluri Consultoria.
As perdas aconteceram mesmo com o substancial aumento na arrecadação nas últimas temporadas. “Em geral, a folha dos elencos está inflada. Está entre 30% e 40% acima da capacidade dos clubes. A renegociação dos contratos de TV elevou a receita dessas equipes, mas os clubes não foram prudentes. Se tivessem sido, teriam controlado os gastos para amortizar o endividamento. Assim bastaria algum tempo para ficarem em situação mais confortável. No entanto, os clubes simplesmente elevaram brutalmente suas despesas”, observa Ferreira.
O governo federal tem a intenção de reduzir essas dívidas em 2014, principalmente com o fisco. O Banco Central vai cobrar judicialmente quase R$ 40 bilhões de multas devidas por empresas, pessoas físicas e clubes de futebol, como traz a primeira edição de fevereiro do jornal O Estado de São Paulo. E o futebol deve R$ 110 milhões desse valor. Somando todas as dívidas dos clubes com o Estado, os valores se aproximam de R$ 4 bilhões. Isso inclui débitos com Cofins, Imposto de Renda, INSS e PIS.
As primeiras audiências para a criação do Proforte, projeto de lei para refinanciamento das dívidas públicas dos clubes, já aconteceram na Câmara dos Deputados. Agora há uma discussão para que os clubes que atrasarem os pagamentos sejam punidos na esfera esportiva. As equipes podem perder pontos ou até mesmo ser rebaixadas. A punição faria evitar que o projeto naufrague como a Timemania. Essa loteria criada em 2007 é considerada um fracasso. Vinte dos 55 clubes que aderiram ao sistema já foram excluídos por atrasos e inadimplência. É o caso do Atlético. A dívida do Galo com a loteria foi estimada em R$ 147 milhões.
Desde agosto de 2013, o atual campeão da Copa Libertadores sofre com o bloqueio parcial do dinheiro relativo à venda de Bernard. Um dos destaques do time na conquista continental, o meia foi negociado no fim de julho com o Shahktar Donetsk, da Ucrânia, por 25 milhões de euros. Desse valor, cerca de R$ 40 milhões foram retidos pelo Banco Central por conta de três processos de execução fiscal movidos pela Fazenda Nacional contra o clube. E o Atlético está envolvido em 36 pendências, além dessas ações. Na reta final da última temporada, a equipe chegou a ficar dois meses em débito com seus jogadores. Isso ocorreu pouco antes da disputa do Mundial de Clubes em que o time acabou na terceira posição.
Mesmo com as constantes cobranças do presidente Alexandre Kalil, o caso parece longe de uma solução. No dia 12 de fevereiro, um novo bloqueio, agora referente a uma dívida contraída em 1999, revoltou o dirigente do Atlético. “Acho que só o Atlético deve impostos no Brasil. Qual o nosso pecado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)?”, questionou Kalil em sua conta no twitter. Para o diretor jurídico do Atlético, Lásaro da Cunha, o clube está sendo vítima de perseguição. “Por que Vasco, Botafogo e Flamengo conseguiram o parcelamento? Por que não podemos continuar pagando a dívida em condições razoáveis?”, pergunta antes de revelar a necessidade do clube. “A dívida precisa ser parcelada para que o Atlético funcione. É como uma bicicleta. Se você para, ela cai”.
Com tantas dificuldades, os principais clubes brasileiros começaram 2014 com o pé no freio. Campeão brasileiro, o Cruzeiro manteve os principais jogadores, mas pouco contratou. Situação semelhante vive o Atlético, que encontra dificuldades para reforçar o time rumo ao bicampeonato da Libertadores. “Por diversos motivos, a corda esticou num nível que se tornou quase obrigatório fazer um ajuste. Além disso, desde o ano passado, o movimento Bom Senso Futebol Clube começou a escancarar para a mídia convencional e para o torcedor os atrasos salariais de alguns clubes e suas consequências futuras. Em alguns times, o nível de endividamento chegou a tal ponto que não é mais possível contratar”, lamenta Ferreira.