terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Uma cidade em minha vida: Arnhem, Holanda.



                Sempre fui fascinado pelo assunto Segunda Guerra Mundial. Tudo o que me traz informações sobre aquele período da História do Mundo me chama a atenção e atrai. Filmes, revistas, livros, modelos de montagem de aviões, dioramas e etc. Talvez pelo fato de meu pai ter servido o Exército naquela época e, após dar baixa, ter sido convocado para a FEB ( http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2012/05/os-ciscottos-na-primeira-guerra-mundial.html ), tenha me aguçado o espírito guerreiro.
        Entre os filmes há um favorito: Uma ponte longe demais! Um filme americano de 1977, dirigido por Richard Attenborough, com roteiro baseado no livro de mesmo nome de Cornelius Ryan, adaptado por William Goldman. Um desfile de astros e uma estória emocionante.

Capa do DVD do filme!

        Em setembro de 1944 o Marechal Montgomery planejou uma operação contra a Alemanha, que visava concluir a guerra antes do natal daquele ano. Sua intenção era lançar grande número de paraquedistas atrás das linha alemãs na fronteira entre Holanda e Alemanha. Os paraquedistas tomariam as pontes que cruzavam o Rio Reno e unidades terrestres viriam pelas estradas para consolidar a ocupação feita pelos paraquedistas. Uma série de avaliações erradas fez com que milhares de paraquedistas americanos e principalmente ingleses e poloneses saltassem sobre a Holanda, pousando sobre divisões blindadas, e de elite, alemãs. No caso do ingleses, pousaram sobre a cidade de Arnhem, às margens do Rio Reno. Foi um massacre.
        Em abril de 2012 recebi a notícia de que iria conhecer a Holanda acompanhando o time sub-20 do Cruzeiro, que iria participar de campeonatos naquele país. Torneios em Terborg, Den Haag e Amsterdam. Rapidamente entrei nos sites de consulta e procurei saber sobre os locais onde jogaríamos e ficaríamos hospedados, tendo em mente que eu poderia visitar algum dos locais onde combates foram travados. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que, Terborg, ficava a poucos quilômetros de Arnhem, principal cidade da Província de Gelderland! Arnhem era justamente a cidade onde os paraquedistas ingleses desceram e onde estava a ponte que dava o título ao meu filme favorito!

O hotel de Haterstein em setembro de 1944, com o comandante dos paraquedistas ingleses, General Urguhart.

O hotel, hoje museu, nos dias atuais.

        Em maio chegamos a Terborg e minha expectativa estava no máximo. No primeiro dia de Holanda, já procurei saber como chegar a Arnhem e quais os roteiros a seguir. Fui sozinho no dia seguinte. Não convidei ninguém para ir comigo pois, não queria que nada atrapalhasse aquele momento tão especial: eu no set real de meu filme favorito. Peguei o trem e fui até Harteinstein, cidade limítrofe com Arnhem, onde os ingleses desceram e fizeram o seu quartel general em um hotel local. Atualmente, no prédio do antigo Hotel, há um museu sobre a ação dos paraquedistas britânicos na Batalha de Arnhem.  Visitei o museu e seus arredores, sempre com a sensação de que retornava no tempo e visualizava os locais mostrados no filme. Foi muito emocionante. No subsolo do museu há um local que se chama “A experiência do paraquedista” onde o campo de batalha foi reconstruído e você anda pelas ruas tendo a sensação de que está no centro da batalha. Muito real e excitante, com os ruídos de metralhadoras, granadas e gritos de soldados em alemão e inglês.
        Vizinho ao hotel/museu há o cemitério militar de Osterbeek onde 1.680 paraquedistas ingleses estão sepultados. Após visitar o museu fui conhecer o cemitério. Me impressionou a beleza do lugar e como os holandeses ajudam a preservar aquele Campo Santo: todos os anos os pais levam seus filhos para que enfeitem as tumbas, reverenciando aqueles que deram suas vidas para libertar o povo holandês do jugo nazista. Fiz várias fotos e aproveitei bastante o silêncio e a calma. Muito bom para meditar como a vida pode ser cruel. Dos 9.000 militares lançados naquela localidade, quase 20% dos paraquedistas morreram em combate! Fiz um post sobre o local em meu blog http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2012/06/cemiterio-militar-de-osterbeck.html .

Cemitério Militar de Osterbek.

        Mas o mais emocionante estava por vir: peguei o trem e fui para a vizinha Arnhem. Da estação peguei uma das ruas que passam pelo centro e terminam no boulevard às margens do Reno e caminhei até a ponte. A Ponte John Frost! Frost foi o comandante inglês a quem coube tomar a ponte, defendida por uma Divisão Panzer, dispondo de apenas algumas centenas de paraquedistas com armas leves. Estar na ponte onde tantos deram a vida para mantê-la ou tentar tomá-la, foi como estar assistindo um jogo do Cruzeiro em pleno gramado do Mineirão! Revivi e imaginei as emoções dos que participaram de página tão heroica e imortal!

A Ponte John Frost vista das margens do Rio Reno.

Placa nomeando a Ponte como John Frost.

A Ponte longe demais!

        Após o ano de 2012, retornei a Arnhem em 2013 e 2014. A cidade passou a fazer parte da minha vida e a conservo sempre com carinho em minhas lembranças e no meu coração. Não me canso de visitá-la, hoje com sua calma e seu centro histórico lindo e conservado, mesmo após tanta destruição.
        Espero retornar a Arnhem novamente. Cada vez que lá vou, descubro um pouco mais da História da Segunda Guerra Mundial e do espírito de luta do povo holandês e da bravura dos ingleses!

domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre o fascismo em Belo Horizonte nos idos de 1923...

Um certo blogueiro escreveu, e outro exultou pois havia provas de uma edição de jornal, que dentro do Palestra Italia de Belo Horizonte, havia em 1923, simpatizantes do governo de Benito Mussolini.
Ora, não precisavam ter pesquisado tanto! Bastava me perguntar! Eu afirmaria que sim. Havia uma boa quantidade de adeptos do governo fascista no Palestra e, com certeza, nos outros clubes de Belo Horizonte, àquela época. A admiração a Mussolini e seu governo promissor, que se iniciara poucos meses antes, era global! Em todo o mundo se discutia a maneira como aquele ex-socialista de Milão endireitara a Itália após as agruras da Primeira guerra Mundial. O mundo ainda atônito com a Revolução Russa ocorrida seis anos antes, via naquele governante de gestos amplos e teatrais, com um discurso de reerguimento do antigo Império Romano como um dos baluartes contra a ação comunista que crescia por várias partes do mundo.
Mussolini e seu governo fizeram muitos adeptos pelo mundo. Àquela época, os governos centralizadores e fortes atraiam a atenção por várias partes do mundo. A Alemanha desenvolveu o seu modelo de fascismo, Portugal, Espanha, Argentina e até o Brasil com Getúlio Vargas e seu Estado Novo. Havia aqui também os Integralistas. Se os adeptos de Mussolini eram identificados por suas camisas negras, o alemães eram identificados por suas camisas cor cáqui, os integralistas brasileiros eram por suas camisas verdes.
Várias edições de jornais brasileiros anunciavam as melhorias e progressos que os italianos de Mussolini faziam. Várias instituições brasileiras adotavam modelos de administração dos italianos. A nossa Previdência Social, com seus institutos, e nossa legislação trabalhista, tiveram inspiração nos modelos italianos.
Nos idos do início da década de 1920, a partir de outubro de 1922, admirar o governo fascista não era pouco comum não. Aliás, era muito comum. A partir do final da década de 1930 e início da de 1940, quando Mussolini mostrou sua política externa se aliando a Hitler e aderindo ao eixo Berlim-Roma-Tóquio, aí sim, o mundo viu o engano da propaganda fascista e nazista.
É sempre bom lembrar que, mesmo em países extremamente resistentes a tais modelos autoritários, existiram partidos fascistas, como no caso da Inglaterra, onde os nazistas ingleses desfilavam e faziam a saudação com o braço ereto, sob a liderança de um senhor cujo filho se tornou muito famoso nas corridas de Fórmula Um.
Querer transformar a Società Sportiva Palestra Italia em um antro de fascistas sanguinolentos é querer mudar a História. Aliás, se não sabem, os italianos também ficaram famosos pela liderança no movimento sindical e pela exportação de ideias como o anarquismo. Com muita certeza, como um time oriundo de pessoas humildes e trabalhadoras, dentro do Palestra deviam existir adeptos do anarquismo e muitos líderes sindicais. A imprensa mineira também foi povoada por muitos pioneiros italianos. Minas deve muito aos italianos pelos bons jornais que tem. Aliás, há excelentes teses de doutorado sobre o assunto nos anais da UFMG. Como nos mostrou o nosso blogueiro, é muito fácil consultar. Pena que nosso amigo tostou suas pestanas apenas na procura de provas de sua sórdida teoria.
De dentro do Palestra Italia não ouvia-se conspirações. Ouvia-se o murmúrio dos planos de construção de hospitais, escolas de medicina e engenharia e arquitetura. Muitos foram os benefícios para a comunidade da nova capital que saíram do labor e genialidade dos sócios do Palestra.
Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu, além de adotar um nome que representava a Pátria Brasileira, o antigo Palestra doou todos seus troféus para que o metal fosse derretido e transformado em armas para nossas forças armadas.
Comparar o passado com os olhos do presente é um erro crasso. Infelizmente as pessoas erram, ao votar, ao comprar ou vender algum bem, ao escolher o time pelo qual torce e até qual colunista lê.
Àquela época, a Itália já era muito presente em toda Belo Horizonte, inclusive nos clubes adversários. É só pegar as escalações dos vários times de futebol da capital e lá veremos vários sobrenomes italianos. Um dos mais famosos foi Guaracy Januzzi, o lendário Guará (que dá nome ao troféu da Rádio Itatiaia) e que, na década de 1930, não jogava no Palestra. No início do século, a população de Belo Horizonte possuía mais italianos e descendentes do que qualquer outra nacionalidade. Mais uma prova que já nasceu sendo o TIME DO POVO!
O que o blogueiro e seu ajudante talvez não saibam é que a atual Escola Estadual Pandiá Calógeras, nasceu, batizada pelo Governo de Minas Gerais como Grupo Escolar Benito Mussolini. Só falta acusar os dirigentes de nosso estado de Fascistas empedernidos. E, um grande presente que Mussolini deu a Belo Horizonte, foi o Colégio Marconi, um magnífico edifício que tem como planta baixa o desenho da águia fascista. Os belorizontinos devem ter ficado impressionados com o presente, e com certeza devem ter elogiado muito o gesto do ditador italiano.
Assim sendo, senhor blogueiro e senhor assistente de blogueiro, provavelmente os vossos avós devem ter discutido com os amigos sobre os progressos dos fascistas de Mussolini nos anos entre 1922 e 1930. E quem sabe, àquela época, não foram simpatizantes também...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol



Depois de algum tempo, e dentro dos padrões políticos brasileiros até que foi rápido, foi transformada em lei a medida provisória que tratou da "moralização" do futebol brasileiro.
Trouxe avanços, mas perdemos a oportunidade de fazermos uma verdadeira revolução dentro de nossos clubes. A medida mais atendeu ao apelo emergencial dos grandes devedores do que criou condições de que o fair-play financeiro seja perene.
A partir de hoje todos os clubes que quiserem aderir ao programa de governo tornado lei, estão com suas contas perante o fisco em dia. Todos podem buscar sua sonhada CND e fazerem suas candidaturas aos patrocínios públicos federais. Todos poderão apresentar seus projetos junto ao Ministério dos Esportes e captar recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte.
Tal lei foi um tapa na cara, isso sim, de clubes que sempre honraram suas tradições de bons pagadores. Cruzeiro, São Paulo, Atlético do Paraná e recentemente o Flamengo (que tem trabalhado para sanar suas dívidas a despeito da nova lei) ganharam a fama de incautos e tolos.
A nova lei foi tocada em comissões onde os representantes dos clubes eram justamente os maiores devedores! Como se diz aqui em Minas Gerais, colocaram os lobos para administrarem o galinheiro.
Como torcedores que somos, resta-nos torcer para que, a partir de agora, os outros clubes tomem tento e passem a tratar suas obrigações como coisas sérias.
Este texto ficará registrado em meu blog por muito tempo, se Deus assim permitir. Quero ver quando eu retornarei a ele para republicá-lo em um novo, dando conta de que os clubes brasileiros estarão pedindo novos parcelamentos ou benesses, uma vez que estarão novamente atolados em dívidas.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Meu livro: A Fazenda do Rochedo.




        O livro A Imigração Italiana em Minas Gerais: A Fazenda do Rochedo (1888-1889) retrata o momento de chegada de várias famílias italianas, oriundas do Friuli (Nordeste da Itália) à fazenda onde foram assentados para trabalhar na cultura do café.
        Trata-se da reconstrução do momento histórico onde grandes transformações aconteceram no Brasil, como a extinção do trabalho escravo, o declínio do Império e também o golpe que instituiu a República Brasileira.
        O livro mostra que muitos mitos sobre o assunto imigração são derrubados. Sempre se ensinou que os italianos vieram para substituir o trabalho do negro. As pesquisas mostram que em Minas Gerais vieram para trabalhar lado a lado do trabalhador nacional. Em São Paulo, onde o café chegou depois de Minas Gerais, vieram para incrementar a produção sempre ávida por mão de obra.
        O estudo de uma fazenda específica, mostra como o fenômeno do acolhimento dos imigrantes foi similar em diversas partes do país, mas também como o ambiente em cada estado moldou de forma diversa os costumes dos recém-chegados. Aqui em Minas Gerais, o italiano se tornou brasileiro mais rápido que em outras partes do país.
        Com uma leitura bem leve o meu livro revela a importância da cultura italiana na formação da cultura política mineira. No nosso estado o italiano antecipou o fenômeno da diminuição dos latifúndios vinte anos antes do que ocorreu no resto do país com a Revolução de 1930. Os italianos em Minas representam quase dez por cento da população do estado e o PIB mineiro tem quarenta e cinco por cento de seu valor fornecido por empresas italianas ou de ítalo-descendentes.
        
        A seguir o texto que constará na aba do livro:

A imigração italiana em Minas Gerais: A Fazenda do Rochedo (1888-1889), de Anísio Ciscotto Filho, é uma fundamental pesquisa devido à importância do assunto que estava de há muito necessitando de começar a ser estudado. Desta forma, com este trabalho o autor traz uma valiosa colaboração para a historiografia brasileira, e mais especificamente à historiografia do Estado de Minas Gerais, ao tratar de um assunto relevante para o estudo da imigração italiana em nosso território.
Dentro de novos paradigmas metodológicos, enfrentando todas as dificuldades inerentes à realização de pesquisas em arquivos regionais, quase sempre ainda muito desorganizados, Anísio Ciscotto Filho nos brinda com este trabalho sobre a Fazenda do Rochedo, estudando famílias italianas que para lá afluíram como trabalhadores em 1888-1889, momento da libertação dos escravos e da consolidação da implantação da mão-de-obra livre em nosso país. 
O autor, combinando uma rigorosa pesquisa empírica e o uso de novos paradigmas metodológicos, reconstrói os caminhos percorridos pelas famílias italianas fixadas na Fazenda do Rochedo, distrito de Rochedo de Minas, município de São João Nepomuceno, desvendando uma intricada rede de relações, interesses e conflitos sociais e culturais. Embora um trabalho iniciante, que prenuncia possibilidades de pesquisas bem mais aprofundadas, já revela a exatidão do pesquisador e o trabalho em si confirma a maturidade da pesquisa histórica com o recorte regional, fundamental para proporcionar um amplo e aprofundado conhecimento da sociedade estadual e da própria sociedade brasileira.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Balanços 2014 - Comparativo Cruzeiro X Atlético

Reproduzo a reportagem do jornal O Tempo que traz uma análise comparativa dos balanços do exercício de 2014 de Cruzeiro e Atlético Mineiro.
O consultor que analisou e comparou os balanços é o competente amigo Amir Somoggi.
A reportagem do jornal O Tempo está no link abaixo:

http://www.otempo.com.br/superfc/futebol/consultor-detalha-balan%C3%A7os-financeiros-de-atl%C3%A9tico-e-cruzeiro-1.1031814

RECEITAS E GASTOS

Consultor detalha balanços financeiros de Atlético e Cruzeiro

Os dois clubes juntos terminaram 2014 com um déficit de R$ 87,4 milhões, mesmo faturando dois títulos cada um

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Gilvan de Pinho Tavares e Daniel Nepomuceno
Cruzeiro e Atlético divulgaram no mês de abril seus balanços financeiros de 2014
PUBLICADO EM 30/04/15 - 14h50
Que Cruzeiro e Atlético fecharam o ano de 2014 no vermelho, isso não é novidade. O que pode preocupar os torcedores são os gastos e os investimentos que geraram déficit na hora de fazer as contas da temporada que acabou. Os dois clubes juntos terminaram 2014 com um déficit de R$ 87,4 milhões, mesmo faturando dois títulos cada um.
O consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi analisou e detalhou os balanços financeiros dos dois maiores clubes de Minas Gerais e elucidou algumas questões importantes.
Déficit. O Cruzeiro aumentou sua conta negativa em 2014. O time celeste chegou a R$ 38,7 milhões de prejuízos. O Atlético teve desempenho pior nesse quesito e teve seu déficit total em R$ 48,4 milhões. No total, entre 2011 e 2014, a dupla mineira acumulou perdas de R$ 245,9 milhões.
Dívidas. As dívidas fiscais dos clubes mineiros também cresceram na última temporada. O Cruzeiro, que devia R$ 50,4 milhões em 2013, passou a marca de R$ 63,8 milhões, um crescimento de 27%. O Atlético retrocedeu e caiu dos R$ 258,8 milhões de 2013 para R$ 234,5 milhões no ano passado, uma queda de 9%.
No total, o Cruzeiro deve R$ 252,9 milhões de reais, um crescimento de 27% se comparados aos R$ 199,9 milhões de 2013. O Atlético também não fica atrás em relação ao aumento dessa dor de cabeça. O Galo chegou a R$ 486,6 milhões, 11% maior do que os R$ 438,4 milhões de 2013.
"O que mais me impressiona é que Cruzeiro e Atlético tiveram juntos um prejuízo de R$ 87 milhões (em 2014), sendo que o São Paulo, sozinho, teve R$ 100 milhões. Ou seja, é necessário ter uma mudança de postura no futebol", ressalta Somoggi.
Gastos. Em relação aos gastos com o futebol, os dois grandes de Minas colocaram a mão no bolso e, em 2014, desembolsaram mais do que em 2013. O Cruzeiro aumentou seus investimentos no futebol em 23%, enquanto o Atlético foi mais longe: 30%.
O clube celeste, que ao todo investiu R$ 157,5 milhões, bem menos que muitas equipes do futebol brasileiro e foi campeão nacional. Para tentar manter o elenco e a qualidade técnica, o Cruzeiro aumentou seus gastos para R$ 193,5 milhões. O Alvinegro seguiu o mesmo caminho. Gastou R$ 146,4 milhões, terminando 2014 com os vencimentos em R$189,6 milhões. Com os custos do futebol sobre a receita, o Cruzeiro cresceu em 87% e o Atlético em 106%, efeito do crescimento do valor para se fazer futebol.
"O Cruzeiro montou o time campeão brasileiro de 2013 com menos do que investiu no ano seguinte. Para manter o elenco e aumentar a qualidade, o time celeste investiu mais, porque isso teve um déficit maior e o Atlético teve um custo maior, e ainda exigiu mais das cotas de TV, coisas que todos os clubes fazem para bancar o futebol e as dívidas", explicou Somoggi.
Receitas.  O consultor verificou que o Cruzeiro teve evolução em relação as suas receitas de 2013. Em contrapartida, o Atlético, mesmo com um ano vitorioso, teve uma queda acentuada em suas receitas.
O Cruzeiro terminou 2014 com R$ 223,2 milhões e apresentou um crescimento de 19% se comparado a 2013, quando terminou a temporada com a marca de R$ 187,9 milhões. O fator preponderante para este crescimento foram as bilheterias, que renderam ao clube celeste R$ 85,8 milhões aos cofres azuis, 38% da receita cruzeirense. Em segundo lugar, as cotas de TV, que renderam R$ 66,3 milhões, 30% da composição financeira do clube.
O Atlético encerrou a temporada 2014 com R$ 178,9 milhões, tendo uma queda 21% em comparação a 2013, onde o clube teve R$ 227,9 milhões de receita total. As cotas de televisão deram ao Alvinegro R$ 80,4 milhões, 45% da receita. Em seguida, vem a bilheteria, que rendeu R$ 29,6 milhões, apenas 17%. As negociações de jogadores renderam R$ 1,6 milhão, 1% do lucro do clube.

* Supervisão Cândido Henrique Silva

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Demonstrações contábeis do ano de 2014

Demonstrações contábeis, do ano de 2014, do Cruzeiro aprovadas em reunião de 23/04/2015.

Ítens relevantes:

  1. Aumento considerável das receitas: destaque para Publicidade e transmissões de TV (10%) e bilheterias e premiação (30%)
  2. Aumento de 40% em gastos com futebol;
  3. Diminuição dos valores de patrocínio;
  4. Aumento de gastos com pagamentos de juros bancários;
  5. Aumento da dívida tributária;
  6. Aumento do valor do Plantel de jogadores.

















sexta-feira, 17 de abril de 2015

Memória - 2012: 70 anos de Cruzeiro!

Reproduzo aqui, a título de memória, a reportagem da Rede Globo feita pelo competente repórter Marcos Astoni, sobre os 70 anos de mudança de nome de Sociedade Esportiva Palestra Itália para Cruzeiro Esporte Clube.

O link da reportagem é:  http://globoesporte.globo.com/futebol/times/cruzeiro/noticia/2012/10/ex-palestra-italia-cruzeiro-festeja-os-70-anos-da-nova-identidade.html 

Boa leitura!


- Atualizado em

Ex-Palestra Itália, Cruzeiro festeja
os 70 anos da nova identidade

Fundado para ser somente um clube de colonos italianos, sócios
foram obrigados a mudar de nome por causa da Segunda Guerra Mundial

Por Belo Horizonte
 
O dia 7 de outubro é especial para o Cruzeiro. Afinal, foi nesta data que, há 70 anos, o clube passou a ter esse nome, em substituição ao original Palestra Itália, que era utilizado desde a fundação. Uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, na sede do clube, em 1942, referendou a mudança, que foi obrigatória e imposta pelo governo.
MONTAGEM - Cruzeiro 70 anos (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)Cruzeiro comemora 70 anos do atual nome (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)
Um decreto federal, baixado uma semana antes, obrigava que quaisquer símbolos de Itália, Alemanha e Japão, nações em guerra com o Brasil, fossem usados no país. A mudança, porém, não foi tão simples como parece hoje em dia. Ela foi repleta de episódios de violência e intolerância, dos quais os italianos e seus descendentes foram vítimas.
Palestra Itália
Anisio Ciscotto, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro e da ACIBRA-MG (Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)Anisio Ciscotto conta histórias do Palestra Itália
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
A Societá Sportiva Palestra Itália foi fundada no dia 2 de janeiro de 1921, como clube da colônia italiana em Belo Horizonte, assim como o Palestra Itália de São Paulo, atual Palmeiras, que emprestou o primeiro estatuto para o homônimo mineiro. Em uma época em que a influência dos italianos era grande na capital de Minas Gerais, o clube não demorou a se tornar popular, como conta o historiador Anísio Ciscotto, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro e da Associação Cultural Ítalo-Brasileira de Minas Gerais.
- Houve uma época que, em Belo Horizonte, havia mais italianos e descendentes do que brasileiros de outras origens. O Palestra Itália foi uma criação do consulado da Itália. O país investia muito nos italianos que viviam nos Estados Unidos, na Argentina e no Brasil, por exemplo, para que as pessoas não perdessem a identidade com a Itália. Os italianos tinham muitas atividades em Belo Horizonte e existia um orgulho muito grande disso.
O ‘time dos italianos’ conseguiu fazer frente aos maiores clubes da cidade na época, Atlético-MG e América-MG, e conquistou cinco títulos estaduais como Palestra Itália, em 1926, o tri entre 1928 e 1930 e em 1940, até que um certo conflito mundial mudou para sempre a pacata história do clube e da colônia.
Segunda Guerra Mundial
O Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do eixo, Itália, Alemanha e Japão, em janeiro de 1942. Depois disto, 19 navios brasileiros foram torpedeados no Atlântico, o que causou a morte de mais de 700 pessoas e fez com que Getúlio Vargas, o presidente da época, se juntasse aos aliados na Segunda Guerra Mundial.
A partir deste momento, a situação dos italianos em Belo Horizonte ficou complicada, já que agressões e perseguições a seus estabelecimentos comerciais passaram a ser fato comum. Além disso, muitos deles achavam que o Brasil deveria entrar ao lado da Itália na guerra, o que gerou ainda mais conflitos, como relatou Anísio Ciscotto.
- Quando o Brasil declarou guerra à Itália, para muitos italianos, foi uma traição. Aconteceram embates tremendos, brigas nas escolas. Muitos filhos de italianos foram agredidos, e o consulado foi queimado. Os brasileiros foram em cima dos italianos para se vingarem dos torpedeamentos contra os submarinos, que foi o motivo para o Brasil entrar na guerra.
Bruno Falci, ao lado da foto do avô Antônio Falci, ex-presidente do Cruzeiro (Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)Bruno Falci, ao lado da foto do avô Antônio Falci
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
O empresário Bruno Falci, neto de Antônio Falci, presidente do Palestra Itália em 1927 e entre 1929 e 1930, contou um episódio interessante, em que a loja da família escapou de ser incendiada, o que poderia ter resultado em uma tragédia de grandes proporções, já que o estoque estava repleto de dinamite.
- Houve uma retaliação muito grande contra as colônias italiana e alemã. Nossa empresa tem origem italiana, e todo mundo sabia disso. Na época, alguns vândalos incendiavam comércios e tentaram fazer isso conosco. Algumas pessoas amigas tiveram essa informação antes e, empunhando bandeiras do Brasil, conseguiram impedir, dizendo que era uma casa brasileira. Com isso, eles se dispersaram e não puseram fogo na loja. Na época, vendíamos dinamite e, se houvesse um incêndio, ele não só destruiria nosso negócio, mas o quarteirão inteiro e mataria muita gente que estivesse por perto.
De Palestra a Cruzeiro
Baixado em 31 de agosto de 1942, um decreto-lei obrigou a extinção de símbolos e nomes relacionados aos três países do eixo. A imposição atingiu em cheio o Palestra Itália, que teve que providenciar a mudança de nome, não sem confusão e mais problemas. Anísio Ciscotto falou sobre as divergências dentro do clube.
- Trinta dias depois que o Brasil entrou na guerra, saiu a lei. Isso foi demais para os italianos. Os mais sensatos concordaram, e os mais exaltados não queriam de jeito nenhum. Um conselheiro do Palestra chegou a sugerir que se pegasse em armas para que o clube se tornasse um foco de resistência. Foi uma coisa muito séria, não foi simplesmente chegar e mudar o nome do clube. Isto mexeu com a vida das pessoas.
Bruno Falci lembrou os relatos do pai, que contou o drama vivido pelo avô e como eles se viraram para sobreviver e escapar das perseguições.
- O clube teve que mudar de nome, o que não findou o problema, mas amenizou. O uniforme do Palestra era nas cores da bandeira italiana, o que teve que ser mudado. Meu avô e vários amigos dele, da colônia, eram muito conhecidos. Não havia como apagar essa identificação com a Itália do dia para a noite. O que eles conseguiram foi dar uma abrandada. Disseram que moravam aqui e já se consideravam brasileiros. O italiano já tem todo aquele jeito e aquele jogo de cintura de administrar situações de conflito, tipo o brasileiro.
Após usar, provisoriamente, os nomes Palestra Mineiro e Ypiranga, os conselheiros finalmente decidiram por Cruzeiro. Um ex-presidente do clube usou um jeitinho de agradar a italianos e brasileiros, ao usar um símbolo do Brasil, a constelação do Cruzeiro do Sul, em uma camisa idêntica à da Itália.
- Um conselheiro, Osvaldo Pinto Coelho, ex-presidente do clube, sugeriu o nome Cruzeiro. E ele foi muito político. Pra agradar à ala italiana, falou: “olha, nós vamos deixar de ser Palestra Itália e vamos virar Cruzeiro. Nós vamos mostrar para o governo brasileiro que nós somos brasileiros. Somos patriotas, porque o Cruzeiro, as cinco estrelas, está presente na bandeira nacional, nas armas da república, no selo da república. Tudo o que representa o Brasil é o Cruzeiro do Sul. A principal honraria que o governo brasileiro dá para uma pessoa, um estrangeiro, é a ordem do Cruzeiro do Sul. Então, o Cruzeiro é o Brasil. Então vamos botar o nome Cruzeiro. Agora, vamos colocar em uma camisa azul. Agora, para nós, italianos, é o uniforme da seleção italiana. Vai ser um tapa de luvas”. Os italianos se sentiram valorizados e aprovaram o nome Cruzeiro.
Clube do mundo
Antes restrito à colônia italiana, o Cruzeiro virou um clube do mundo, com torcida estimada em quase oito milhões de pessoas e com um currículo de conquistas invejável, que conta com duas Taças Libertadores, duas Supercopas, uma Recopa Sul-Americana, dois Campeonatos Brasileiros e quatro Copas do Brasil, além de vários torneios interestaduais e estaduais. Para Anísio Ciscotto, o 7 de outubro, data em que surgiu o Cruzeiro, deve ser comemorado com a mesma intensidade do 2 de janeiro, data de fundação do Palestra Itália.
torcida cruzeiro comemora título mineiro (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Torcida do Cruzeiro comemora um dos títulos de sua história (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
- O 7 de outubro é tão importante quanto o 2 de janeiro. No dia 2 de janeiro nasceu o clube, a instituição, e, no dia 7 de outubro, a instituição assumiu sua personalidade, não de clube italiano, não de clube de Belo Horizonte, mas de um clube do Brasil, que, depois, virou um clube do mundo.
De fato, o torcedor cruzeirense tem muito que comemorar, pois o clube é símbolo de união, já que agregou todas as raças e classes sociais em torno de si, sendo um dos mais populares do Brasil. O Cruzeiro foi forte e venceu um episódio de intolerância, saindo fortalecido de uma guerra mundial.
Parabéns ao Cruzeiro, que começou como um clube somente de italianos, mas que hoje é de milhões de brasileiros de todas as origens.