segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cescotto/Ciscotto - 125 anos de Brasil!

                 Em 14 de janeiro de 2014 a família Cescotto comemora 125 anos que chegou ao Brasil. Vieram de Maron di Brugnera a bordo do vapor Pacífica. Embarcaram no porto de Gênova e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, sendo remetidos à hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores em Niterói. De lá, foram embarcados em um trem da Leopoldina Railway e levados até Rochedo de Minas, àquela época distrito de São João Nepomuceno.  Na verdade, desembarcaram em uma estação de trem que existia no interior da própria fazenda, uma vez que, naquela estação, eram embarcadas as sacas de café que a fazenda produzia e eram levadas até Juiz de Fora.
                Os membros da família Cescotto chegados ao Brasil naquela data eram dois irmãos com suas esposas e filhos. O mais velho se chamava Angelo e tinha 57 anos de idade. Veio com sua esposa Maria, de 44 anos, e seus filhos Pasissina (19), Giovachinno (16), Regina (14), Pasqualle (13), Pietro (10), Benedetto (07) e Caterina (04). O casal Angelo e Maria perdeu um filho, Giovanni, que morreu durante a viagem. O jovem Giovanni era gêmeo de Bennedetto e embarcou com a família em Gênova mas, por algum motivo desconhecido, faleceu a bordo do Pacifica e teve seu corpo lançado ao mar. O outro irmão chamava-se Felice e tinha 50 anos quando chegou ao Brasil. Veio acompanhado de sua esposa Angela de 47 anos de idade. Com eles vieram sete filhos, a mais velha, com 17 anos era Maria. Depois vinham Luizia (15), Antonia (14), Giovanni Battista (11), Anna (09), Antonio (05) e Giulietta com apenas dois anos.
                A viagem durou perto de 30 dias e os passageiros eram divididos em grupos de dez, havendo um que seria responsável pelo contato com a tripulação para organizar a alimentação do grupo. As acomodações eram no fundo do barco e os italianos dormiam em beliches de quatro andares, com várias pessoas em cada cama, que constava apenas de colchão; nada de travesseiros, roupa de cama ou banho. Devido ao medo de peste, roedores e outras pragas, passavam a maior parte do dia no convés do navio expostos primeiramente ao frio do hemisfério norte (como saíram de Gênova em meados de dezembro, saíram em pleno inverno), e depois ao calor extremo do hemisfério sul. Comiam biscoitos e sopa.
Italianos no convés do navio.

                Quando chegaram ao Brasil foram direto para a Hospedaria da Ilha das Flores onde passavam um período de quarentena para adaptação ao clima e verificação do estado de saúde dos imigrantes. Eram identificados, recebiam documentos e eram encaminhados ao seu local de destino, no caso, Rochedo de Minas.
                No caso dos Cescottos foram recebidos na Fazenda do Rochedo pelo proprietário com uma demonstração dos produtos da terra e os que mais agradaram os italianos foram os derivados da cana de açucar, uma vez que havia um grande engenho de cana. Melado, garapa, a própria cana, rapadura, açúcar e todos os derivados que provocaram grande contentamento entre os recém-chegados, principalmente as mulheres que viram a possibilidade de produção de doces em geral. As frutas da região também foram apresentadas e a goiaba foi a que mais agradou. Um dos imigrantes, o chefe de um ramo da família Cescotto, Angelo, quebrou alguns de seus dentes ao confundir uma touceira de bambu com um pé-de-cana. Cortou um bambu, descascou-o e tentou comer. Também há o caso de outro que comeu uma moranga que começava a desabrochar pensando tratar-se de uma goiaba. Tiveram também o primeiro contato com o motivo de sua vinda: o café.

                É importante ressaltar: o italiano em Minas Gerais não veio substituir o escravo, isto é um erro histórico. Veio trabalhar ao lado do escravo. Com o aumento contínuo da produção de café e a extinção da vinda de negros para o trabalho nas lavouras, a maneira de complementar a mão de obra foi a importação de europeus. Os ex-escravos foram os professores e técnicos dos italianos. Cada família recebia um lote de pés de café e era responsável pela colheita, limpeza do cafezal e entrega das frutas nos pontos onde os carros de boi recolhiam a produção para ser levada aos terreiros e armazéns na sede da fazenda. O local onde a família de Felice Cescotto se instalou chamava-se Pedra do Ôco.
A colheita do café. Até as crianças trabalhavam.


A segunda geração dos Cescottos já se ocupou da operação de maquinário e criação de novas técnicas de produção. O caçula de Felice, Antonio, tornou-se o administrador geral da fazenda e chegou a tal ponto sua eficiência, que foi convidado pelo Presidente da República, Arthur Bernardes, a fazer parte de uma comissão que cuidaria da fundação da Escola Agrícola de Viçosa, hoje a prestigiosa Universidade Federal de Viçosa. Em suas viagens da Capital Federal para sua terra natal (Viçosa) Bernardes passava com seu trem pela Fazenda do Rochedo e muito se impressionava. O convite para fazer parte da comissão foi feito na cozinha da casa de Antonio, pois os trilhos da Leopoldina passavam rentes à entrada da casa. Maria, a esposa de Antonio, teve o prazer de servir um café ao Presidente da República. Quando de sua vinda a Belo Horizonte para participar de uma reunião sobre a Escola Agrícola, Antonio teve o convite de participar de uma reunião da comunidade italiana. Era o dia 02 de janeiro de 1921 e Antonio compareceu à reunião que fundou a Società Sportiva Palestra Italia, que depois se transformou em Cruzeiro Esporte Clube.
Possível foto da reunião de fundação do Palestra (do livro de Palestra a Cruzeiro: uma trajetória de Glórias) 
Hoje a família Cescotto está espalhada por grande parte do território nacional: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Já virou Ciscotto, Ciscouto e até Assis Couto. Na Itália, são poucos os Cescottos remanescentes. Em recente viagem ao país de origem, fui conhecer a terra de nossos antepassados, cuja região se chama Friuli-Venezia-Giulia. Maron di Brugnera é um distrito (paese) pertencente à cidade de Brugnera, que fica na província de Pordenone. Procurei saber sobre como era a região à época da vinda da família Cescotto para o Brasil. Ficou difícil estabelecer uma causa satisfatória, pois pude constatar que, à época da vinda, não havia desemprego e que a região estava altamente industrializada, sendo uma das mais ricas do norte italiano. Havia muitas indústrias têxteis. Talvez a migração de mão de obra do campo para a indústria, tenha impulsionado a vinda dos trabalhadores agrícolas italianos. Com certeza houve um trabalho de convencimento por parte de um representante do fazendeiro Joaquim Clemente de Campos, dono da Fazenda do Rochedo. É importante ressaltar que, o Rei da Itália, recém-unificado país europeu, somente permitiu que os friulanos viessem para Minas Gerais. Após se instalarem em Rochedo as novas gerações se espalharam pelo Brasil afora.
Na data dos 125 anos de chegada da Famiglia Cescotto ao Brasil, presto esta singela homenagem a Angelo e ao Vovô Felice que tiveram a coragem de atravessar o Atlântico e vir tentar a sorte no Brasil. Escolheram bem a região onde se instalariam, pois Rochedo, terra de montanhas, em muito lembra a pequena Maron aos pés dos Alpes. A gente mineira da zona da Mata também lembra muito os italianos friulanos. Enfim, foi uma combinação que deu certo. Colocarei algumas fotos de Maron para que os interessados possam conhecer nossa terra. Aliás, colocarei um link com uma propaganda institucional sobre a Região do Friuli-Venezia-Giulia. Vale a pena assistir e colocar o Friuli como destino em um passeio pela Italia. Quem vai a Veneza com certeza pode dar uma “esticada” até Trieste (capital da reião friulana). É como Rio de Janeiro e Niterói, uma em frente à outra.
Chegada de Maron di Brugnera

Os Pré-Alpes
Matriz de Maron
Área urbana.
Centro de Maron




Matriz de Maron com o Monumento aos soldados mortos na Primeira e Segunda guerras mundiais.
Monumento aos mortos de Maron nas guerras mundiais. Os Verardos Felice, Giovanni Ricardo e Silvio eram filhos de Catterina Cescotto. http://anisiociscotto.blogspot.com.br/2012/05/os-ciscottos-na-primeira-guerra-mundial.html



               










































































terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Toca da Raposa I agora tem nome!

Em recente reunião do Conselho Deliberativo do Cruzeiro submeti à apreciação dos colegas Conselheiros a ideia de que o Centro de Treinamento das divisões de base do nosso Clube passasse a ter o nome de seu idealizador e fundador. A partir de agora, chama-se Centro de Treinamento Presidente Felício Brandi. 

Eu poderia escrever bastante sobre o tema, e ainda pretendo, mas vou copiar abaixo o texto do Anderson Olivieri que está em seu blog. Assim, serão duas homenagens ao mesmo tempo.


Ao fundador, a Toca I

Foto: acervo Cruzeiro Esporte Clube
Foto: acervo Cruzeiro Esporte Clube
Ontem, em reunião do Conselho, o presidente do Cruzeiro, Gilvan Tavares, anunciou que a Toca da Raposa I passa a se chamar Centro de Treinamento Presidente Felício Brandi.
Homenagem mais que justa ao grande cruzeirense que, no início da década de 1970, comprou o terreno para diversão e descanso da família. Ao chegar em casa, porém, se lembrou de que o Cruzeiro não tinha espaço tranqüilo como aquele para treinar. Resultado: pediu paciência à família, e o sítio virou a Toca da Raposa.
E foi com solenidade concorrida, que contou com a presença do governador de Minas da época, Rondon Pacheco, e Hino Nacional executado pela Banda da Polícia Militar, que a Toca da Raposa foi inaugurada em 3 de fevereiro de 1973.
Depois disso, só sucesso. Já nasceu considerada por toda imprensa esportiva nacional como melhor CT do país. E, por isso, serviu de base de preparação para a Seleção Brasileira nas Copas de 1982 e 86.
Por lá passaram Dirceu Lopes, Piazza, Raul, Nelinho, Joãozinho, Falcão, Zico, Renato Gaúcho, Dida, Palhinha, Muller e muitas outras feras.
Lá moraram Roberto Batata, Douglas, Nonato, Geovanni e várias outras joias celestes. A mais ilustre delas, claro, Ronaldo Fenômeno.
Com área de 60 mil metros quadrados, o local conta com estrutura de fazer inveja a grandes clubes do país, sobretudo os que não dispõem de aparato semelhante para os profissionais.
Tudo isso, desde março de 2002, quando a Toca da Raposa II foi inaugurada, está à disposição das categorias de base do Cruzeiro. O local enxergado por Seu Felício, no princípio, como fábrica de craques, enfim, destinado inteiramente à formação de futuros talentos celestes.
Nada mais justo, então, do que, ao visionário, ao grande idealizador da Toca I, ao fundador, esta homenagem: “Toca da Raposa I” vira “Centro de Treinamento Presidente Felício Brandi”.
Aplausos, portanto, ao conselheiro Anísio Ciscotto, autor da proposta pela alteração do nome. E ao Dr. Gilvan, o presidente que reverencia quem fez, do Cruzeiro, o gigante Cruzeiro.

Mensagem de Natal!

A todos os que me prestigiam diariamente no meu blog, desejo um Feliz Natal!
Saudações Palestrinas,
Anísio Ciscotto Filho.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sobre fair-play financeiro dos clubes de futebol

           
           
             Recentemente assistimos a cena do presidente do Atlético Mineiro, pateticamente, pedir socorro à Presidente Dilma para que liberasse os valores retidos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando da venda dos direitos do atleta Bernard.
            Se, a princípio, pode parecer que se trata de uma iniciativa inovadora do mandatário alvinegro, na verdade é mais um capítulo de uma novela que teve início há pouco tempo e tem outros protagonistas. O presidente do Vasco da Gama também pediu ajuda às autoridades federais com o escopo de conseguir regularizar a situação fiscal e conseguir as certidões negativas e assim, conseguir o patrocínio da Caixa Econômica Federal para seu clube. Muitos são os presidentes que estão tentando acertar a vida de suas instituições antevendo a possibilidade de receber recursos federais, seja através de patrocínios de estatais e também através da Lei de Incentivo ao Esporte.
            A grande verdade é que a bolha da impunidade estourou. E estourou com força. Estourou em um momento de ciclo virtuoso do futebol brasileiro, onde a economia e o evento Copa do Mundo inflaram os contratos, costumes e patrocínios no mundo da bola. Os contratos de transmissão estão altos, os preços de ingressos estão altíssimos e as relações entre clubes e atletas estão indecentes de caro. Atletas que atravessaram o oceano a procura do Eldorado, descobriram com atraso, que tal Eldorado sempre se localizou em terras do Novo Mundo. Ronaldos, Ronaldinhos, Freds e tantos outros deixam o Velho Mundo em troca de uma prosperidade no novo.
            A fórmula usada pelos clubes brasileiros, e que deu muito certo no Cruzeiro e São Paulo até o final do ano de 2008, foi a de revelar e vender grandes talentos para clubes europeus e com o dinheiro amealhado, montar times competitivos. Com a crise econômica mundial, que teve seu início em outubro de 2008 e perdura até hoje, os grandes clientes do futebol brasileiro (clubes europeus) tiveram o poder de compra sucateado e romperam com tal fórmula. Clubes portugueses, espanhóis, italianos entre outros passaram a ser mais seletivos na escolha dos jogadores onde investiam. No caso do Cruzeiro o grande cliente sempre foi Portugal, destino de vários jogadores formados na Toca da Raposa I. Lembro-me de ter conversado com o então Presidente Zezé Perrella sobre a mudança de postura que se mostrava necessária implementar, privilegiando o aumento de receitas em outras atividades como bilheteria e patrocínios, diminuindo a dependência da venda de jogadores. A sugestão se mostrou correta no ano de 2013 após alguns anos de penúria que quase destruíram a fama de bom dirigente que Perrella sempre teve.
            Uma grande e importante modificação nos últimos anos foi a maneira como o Governo Federal tem tratado a questão das dívidas fiscais dos clubes de futebol. Se antes havia uma grande leniência por parte das autoridades e órgãos fiscalizadores, hoje há um grande movimento de cobrança e reversão de inadimplência, o que é louvável. O brasileiro que tem 27,5% de seu salário retido em seu pagamento a título de imposto de renda, deve se revoltar com tanto carinho dispensado às instituições desportivas. Os costumes de não pagar impostos, descontar impostos na folha dos empregados e não repassar aos órgãos arrecadadores (é crime), fazer contratos de trabalho utilizando subterfúgios para burlar impostos e tantos outros artifícios agora estão levando os dirigentes a procurarem o fisco para que regularizem suas situações.
            Capítulos da novela como a venda de Bernard, Vitinho, Dedé e tantos outros estão proliferando. A possibilidade de pagar os salários astronômicos com a venda de jogadores, de solução está virando dor de cabeça com a ação peremptória da Fazenda Nacional. É sempre bom lembrar que a Fazenda e a Caixa Econômica Federal sempre estiveram abertos às negociações e se, neste exato momento, um dirigente procurar os órgãos gestores do fisco nacional, conseguirão renegociar seus débitos e conseguirão as certidões negativas de débitos federais tão sonhadas.
            Mas o que se quer, de novo, é fazer mais uma manobra para facilitar a obtenção de tais certidões e rolar a dívida. Por que o setor futebolístico precisa de um programa de saneamento específico, com perdões, prazos e condições especiais? Isto já foi feito com vários REFIS, com a Timemania e várias outras situações. O que houve? Usaram tais programas para a simples rolagem de dívida e empurrar o problema para o sucessor. Sou contra qualquer manobra de favorecimento. Que os clubes, como qualquer mortal brasileiro, procurem os órgãos competentes do Governo Federal e acertem suas contas. Movimento que tem pregado tal atitude é o Bom Senso Futebol Clube que tem exigido o fair-play fiscal. Resta saber se, a guisa de fair-play fiscal, os atletas aceitarão conversar sobre os valores exagerados de salários e premiações que recebem.
            Devo deixar claro que acho que o jogador de futebol tem que ser o melhor remunerado entre todos os que recebem dinheiro de alguma maneira no mundo da bola. Eles são os artistas e é a eles que os torcedores, telespectadores e etc. procuram assistir. São as imagens deles, em patrocínios, campanhas e chamadas de programação, que estão alavancando audiência, faturamento de bilheteria e aumento do número de sócios torcedores. Assim sendo, devem receber muito. O grande problema é a estrutura montada em torno de cada atleta: procuradores, empresários, assessores de imprensa, relações públicas, pessoal de manutenção de sites e redes sociais, Marias Chuteiras, amigos e fornecedores em geral. Cada um quer retirar uma fatia do faturamento do craque. Tal estrutura infla o salário do boleiro e detona as finanças do clube.
            Lembro-me quando Benito Masci assumiu o Cruzeiro na década de 1980 e encontrou o clube com os telefones cortados, sem luz e água, e montou uma equipe de trabalho que procurou sanear as finanças, sob a batuta do grande Conselheiro Aristóteles de Ávila. Trocou grandes craques por jogadores medianos e desconhecidos e passou alguns anos no ostracismo do futebol brasileiro. Sua atitude corajosa forjou um time vencedor, que nas mãos de seu sucessor e irmão César Masci, voltou a figurar entre os times mais importantes do futebol nacional, tornando-se o Melhor Clube de Futebol do Século XX segundo a FIFA.
            Sugiro aos mandatários que sigam o exemplo que inesquecível Benito Masci e façam planejamentos financeiros exeqüíveis com a capacidade de geração de caixa de seus clubes, levando em conta não somente as receitas, mas principalmente as despesas, que devem aumentar sobejamente se, realmente, estão levando a sério a vontade de pagar suas dívidas fiscais. Procurem a Fazenda e a Caixa e regularizem suas situações.
            Talvez o grande problema seja que tal adequação propicia resultados em médio prazo e as torcidas, os dirigentes com aspirações políticas, a mídia e enfim, o mundo futebolístico, exigem resultados imediatos!

            

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Minha opinião: Primeiro a se profissionalizar em 2014!

Não sou responsável pelas divisões de base do Cruzeiro e muito menos influencio na escolha dos que se profissionalizarão.
Entretanto, Eurico se destaca no time há muito tempo! Estivemos juntos em torneios da Holanda por dois anos seguidos e tenho certeza que Eurico, que faz parte da "Geração Terborg", brilhará no profissional! De tal geração já temos Élber, Alisson, Vinícius Araújo, Lucas Silva, Wallace e Bonatini!
Parabéns ao Márcio Rodrigues, Bruno Vicintin, Raul Plasmann, Claudiomir Rattes, Paulo Ricardo e tantos outros que trabalham em prol do futuro Cruzeirense, sempre sob a cura do Dr. Gilvan!


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A primeira vez que levei meu filho ao Mineirão!

                
                Não me lembro da data e nem o placar. Me lembro do adversário que era o América Mineiro. O ano era de 1999, o dia da semana era um domingo.
                Para variar, após o almoço, beijava minha esposa e ia para o Mineirão bater o ponto em mais um jogo do Cruzeiro. Aquele domingo era um domingo especial, afinal, seria a primeira vez que levaria o Tiago, meu filho caçula, ao Mineirão. Detalhe: ele ainda não tinha completado um ano de vida. É lógico que aquele beijo que dei na Beatriz foi um beijo dramático, pois, como qualquer mãe zelosa, tentava de toda maneira me fazer desistir do passeio com o pequenino. Chorou, emburrou, ameaçou fazer greve, ligou para a sogra, prometeu queimar minha coleção de camisas, mas nada me convenceu de que não deveria levar o Tiago ao jogo. Afinal de contas, o primeiro jogo que assisti no Mineirão eu tinha seis anos. Comecei muito tarde. Queria que meu filho começasse bem cedo.
                Vesti nele um uniforme da torcida Baby, amarrei-o na cadeirinha do carro e fomos os dois, só os dois para o programa que após aquele dia se tornou um ritual para nós nos dias de jogos.
                Ao chegar no Mineirão, parei meu carro no estacionamento e me dirigi à bilheteria para comprar nossos ingressos. Apesar de ser um bebê, Tiago deveria colocar aquele ingresso em um quadro e preservá-lo para sempre. Aquele ingresso seria a marca de um ritual de iniciação.
                Logo que cheguei à bilheteria, com o Tiaguinho no colo, entrei na fila e, como de costume, havia uma confusão generalizada com as filas se misturando e pessoas empurrando. O fato de estar com um bebê no colo me facilitava, pois algumas pessoas, gentilmente, me deixavam passar na frente. Quando cheguei ao guichê, senti que uma mão estranha estava dentro do meu bolso esquerdo. Foi a conta de gritar que estava sendo assaltado e a mão se retirou. A sorte era que o dinheiro dos ingressos já estava nas mãos do bilheteiro, pois senão, teria voltado para casa.
                Perto das bilheterias ficavam os soldados da cavalaria com suas montarias, monitorando o movimento. Fui até um deles e comuniquei o assalto. Me respondeu que não havia o que fazer, resposta que me irritou muito.
                Entrei para o estádio e encontrei o Presidente Zezé Perrella, que sempre ficava tomando uma cerveja em um bar em frente ao portão de número dois, que era ponto de encontro dos Conselheiros do Cruzeiro e onde a cornetagem corria solta. Ele me perguntou se eu não era louco de ir ao campo com um bebê de colo, ao que respondi que era sua primeira experiência em um estádio e que já havia tido também sua primeira experiência de ser assaltado. Zezé ficou muito assustado com o ocorrido e, por coincidência naquele momento, passou o Coronel responsável pelo policiamento do estádio. Zezé chamou-o e contei o ocorrido, inclusive sobre afalta de iniciativa de seu comandado montado. O Coronel disse que sentia muito o ocorrido e que, eu deveria procurar uma delegacia e relatar o caso à Polícia.
                Naquele momento, Tiago esteve prestes de ter sua primeira experiência de ser preso, pois, incontinenti, perguntei ao Coronel onde ele havia comprado aquela fantasia de policial. Ele fez cara de que não havia entendido e, para desespero do Zezé Perrella, expliquei que, um militar fardado que me manda procurar a polícia, não devia estar vestido com uma farda e sim como uma fantasia.  Os militares acompanhantes do Coronel quiseram me prender, mas o oficial boa praça viu que eu estava muito nervoso e relevou.
                Após ter brigado com a esposa, ser assaltado e quase ser preso, subi para as arquibancadas e assisti nosso Cruzeiro escrever mais uma página heroica e imortal vencendo o Coelho, não sem antes, no intervalo ter levado o Tiago para comer um tropeirão.
                À saída do estádio me dirigi ao carro e no meio do caminho dei de cara com um arrastão. A galera me encurralou no muro e aos gritos me exigiram que passasse tudo o que tinha nos bolsos. Expliquei que não tinha nada mais, pois havia sido assaltado na entrada e só tinha o garotinho. Já no limite da paciência disse que podiam levar o garoto, pois era só o que faltava. Naquele momento, para meu assombro, chegou um malaco e me reconheceu. Disse aos colegas que eu falava a verdade, pois ele, pessoalmente, havia me assaltado na entrada e levado sessenta reais... Naquele momento entendi o significado do termo “crime organizado”!

                Enfim, foi uma estreia digna de um verdadeiro Cruzeirense. Após aquele dia, já fomos juntos ao Mineirão uma quantidade enorme de vezes e ele, antes de completar cinco anos, já tinha mais títulos importantes comemorados do que muitos times que se acham importantes!

domingo, 22 de setembro de 2013

Sic transit gloria mundi

Não gosto de me manifestar com a cabeça quente. Geralmente falamos/escrevemos o que não queremos/devemos.
Fiquei chateado com o que foi publicado sobre Bruno Vicintin em blog que trata de divisões de base. O autor acusou-o de ser antiético.
Deu a entender que Bruno fez doação ao Cruzeiro com escopo de comprar cargo na diretoria do Clube. Acusou, por tabela, Gilvan de vendilhão.
A relação de Bruno com o Cruzeiro vem de muitos anos, pois já está no segundo mandato como conselheiro do Clube.É sócio há mais de 10.
Frequenta a Confraria San Sebastian há muito tempo. Já patrocinava as festas e eventos do Clube desde que entrou como sócio.
Escreveu e publicou um livro que rendeu e rende um bom valor para o Clube desde 2007. É um benemérito querido por todos.
O fato de ter patrocinado viagem para as divisões de base, depois de ser apoiador do Cruzeiro há muito tempo fez dele diretor?
O fato de pretender ser um dia presidente do Cruzeiro (todo torcedor sonha ser um dia) deveria impedir de ajudar? Sonhar é antiético?
O problema é que, no afã de dar uma boa notícia, e com a velocidade que as redes sociais estão exigindo dos que nelas escrevem muitos incautos esquecem de pesquisar para depois publicar. Uma pena que tenha acontecido.