quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um personagem do Cruzeiro: Geraldo Maquiné.


        O Cruzeiro possui muitos personagens interessantes pertencentes a várias épocas de sua História. São os mais antigos, os que estão atuando mais ativamente e os de promissor futuro. Todos foram, são e serão muito importantes na gloriosa História Palestrina.
        A torcida do Cruzeiro sabe muito pouco a respeito de tais personagens, principalmente dos que atuaram no passado, apesar de todo o banho de informações que recebemos todos os dias através da internet.
        Encontrei o artigo, que copio abaixo, no site “Páginas Heróicas Digitais” (cujo link evidencio antes do texto) onde temos uma simpática e competente entrevista com uma das bandeiras Cruzeirenses dos bastidores do Clube: Geraldo Maquiné.
        Geraldo Maquine é um Cruzeirense de grande calado e até hoje atua nos bastidores do Clube, sempre polêmico quando acha que deve ser e intransigente com as tradições do Clube. Quando o Cruzeiro lançou uma camisa amarela em 2010, lutou ferrenhamente para que tal “heresia” não se consumasse.
        Peço desculpas ao Jorge Angrisano Santana por copiar seu artigo e peço sua autorização para publicá-lo, pois minha intenção, assim como a dele, é levar informação à grande Torcida Cruzeirense.
        Ótima leitura!


http://cruzeiro.org/blog/geraldo-maquine-memorias-de-um-radialista/

Memórias de Geraldo Maquiné, radialista que se tornou dirigente esportivo

Por Jorge Angrisano Santana | Em 21 de julho de 2011

Geraldo Maquiné, um dos dirigentes mais atuantes do Cruzeiro nas últimas décadas, é pouco conhecido do grande público.
Mas é um dos velhinhos que desmentem a tese de que o Cruzeiro tem dono. Nos bastidores, eles atuam e influem na condução da entidade.
Foi no bairro Castelo, na casa do amigo comum, João Luís Soares, atleticano, que entrevistei Maquiné, em 28ago10.

Haveria uma segunda sessão de perguntas, que a agenda apertada de todos nós ainda não tornou possível.
Enquanto ela não acontece, vamos conhecer a história deste faz-tudo, que virou radialista e, depois um diretor faz-tudo no Cruzeiro.
  1. Personagem – Geraldo Maquiné de Freitas nasceu na fazenda do avô, Saco dos Cochos, em Cordisburgo, em 15jun34.
  2. Família – O pai, João Henrique de Freitas Sobrinho, era agente da Central do Brasil. A mãe, Marta Silva de Freitas, dona de casa.
  3. Cidades – A família morou em Sete Lagoas, Belo Horizonte (bairro Venda Nova), Esmeraldas e Sete Lagoas. Aos 11 anos, Maquiné mudou-se com os irmãos pra Belo Horizonte. Em 1953, os pais mudaram-se, definitivamente, para Belo Horizonte e ele voltou a morar com a família.
  4. Escolas – Ginásio Tristão de Athayde, em Belo Horizonte, em 1945. Em 1961, Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, matriculado pelo DER.
  5. Empregos – Começou antes dos 10 anos como ajudante de padeiro. Quando morou em Venda Nova, foi ajudante de oleiro. Aos 11 anos, trabalhava como servente o Ginásio Tristão de Athayde. Em 1951, aos 17 anos, passou a trabalhar no DER como bilheteiro na antiga rodoviária de Belo Horizonte. Depois, foi auxiliar de escritório, técnico de administração, chefe de serviços e chefe do departamento de cargos e salários.
  6. Jornalismo – Aos 20 anos começou a trabalhar no rádio. Foi repórter e narrador das rádios Guarani e Inconfidência. Em 1958, foi contratado como locutor de futebol pela Rádio Itatiaia. Trabalhou, sem seguida, na TV Itacolomi como apresentador do repórter Esso. Também foi chefe de reportagem no Diário de Minas até 1966, quando foi promovido pelo Diretor-Geral do DER, Eliseu Resende, a Chefe de Serviço. Depois, com a fundação da Corbel, trabalhou com Maurício Bizotto na coordenação da Constru e não teve mais tempo para a atividade jornalística.
  7. Cruzeiro – Em 1957, foi escalado para setorista do Cruzeiro, cujo presidente, Manoel de Carvalho, tornou-se seu amigo. Ele associou-se ao clube e tornou-se amigo, também, de Felício Brandi, Carmine Furletti, Eduardo Bambirra, Edmundo Lambertucci e Céu Azul Soares. O clube era paupérrimo. O departamento Médico, quase uma ficção. Havia um clínico geral, mas o atendimento durante as partidas era feito por Amaury de Castro que, além de jogar, cuidava das contusões dos atletas.
  8. Maior jogo dessa épocaCruzeiro 2×1 Botafogo, sábado, 02fev57, 21h15, Estádio JK, no Barro Preto, Belo Horizonte, amistoso. Público: 6.000 (estimativa) – Renda: Cr$56.160,00 – Juiz: Honver Bilate (RJ) – Bandeiras: Manoel do Couto Ferreira Pires e Carlos Henrique Alves Lima (RJ) – Gols: Didi, 17, Gilberto, 33 e 44 do 2º tempo – Cruzeiro: Mussula, Gerson dos santos e Nozinho; Adelino Torres, Elio Lazzarotti e Pireco (Salvador); Raimundinho, Gilberto, Pelau, Cabelinho e Aírton (Dario). Tec: Colombo (interino) / Botafogo: Amauri (Pereira Natero), Orlando Maia e Nílton Santos, Bob, Pampolini e Juvenal; Neivaldo, Didi, Gato (Paulinho Valentim), Garrincha e Canete. Tec: João Saldanha – Notas: 1. A renda da partida ficou com Gerson dos Santos, como pagamento de atrasados que lhe devia o clube carioca. 2. Em 1957, o Botafogo foi campeão carioca vencendo o Fluminense, na decisão por 6×2 com 5 gols de Paulinho Valentim. 3. Pampolini e Juvenal (Cruzeiro), Neivaldo (Asas), Paulinho Valentim (Sete de Setembro e Atlético-MG) e Gato (Villa Nova) eram os mineiros do Botafogo. 4. No dia seguinte, à tarde, no Estádio Independência, o Botafogo venceu o Atlético-MG por 3×1. 5. Colombo, treinador dos juvenis estava substituindo Niginho e seria substituído na semana seguinte por Aírton Moreira.
  9. Um fanático“O repórter policial Fialho Pacheco foi dirigente do Cruzeiro. E dos mais radicais. Alto, corpulento, cigarro sempre aceso num canto da boca, ele criava caso com a imprensa se julgasse que o Cruzeiro estava sendo prejudicado. Nos Anos 50, desentendeu-se com a TV Itacolomi e, pra impedir a transmissão de um jogo no Barro Preto, espetou bambus no muro, colocou um arame por cima e esticou cobertores para impedidr que s câmeras da emissora, colocadas no telhado de um prédio vizinho, pudessem transmitir a partida.”
  10. Januário Carneiro“O dono da Itatiaia e torcedor do Villa Nova, Januário era isento na cobertura do futebol. A emissora funcionava no Balança Mas Não Cai, edifício na esquina de Tupis com Amazonas (que esteve fechado por motivos de segurança durante muitos e anos e está sendo reaberto, agora, em 2010). O dinheiro era curto. Quando entrava algum, Januário dividia entre os colaboradores. Os anunciantes eram Alka Seltzer (antiácido), BF Goodrich (pneus), Akamoto (vitamina). A emissora só começou a faturar bem quando teve patrocínio da Gillette para o futebol e o carnaval.”
  11. Chegada à Itatiaia“Foi o Vander de Oliveira, do Estado de Minas, quem me apresentou a Céu Azul Soares, chefe de esportes da Itatiaia, após ouvir Maquiné lendo uma carta enviada por uma professora ao jornal. Ele começou dividindo um programa às 11h com José Lino de Souza Barros. Às 18h, dividia o horário esportivo com Emanuel Carneiro.”
  12. Cobertura de carnaval “Quando começou a ser patrocinada pela Gillette, a Itatiaia ampliou sua capacidade de cobertura de eventos populares. No carnaval, ela chegou a ter oito postos na cidade: Pronto Socorro, Polícia, Avenida Afonso Pena de nos clubes que organizam bailes. Num desses carnavais, ocorreu um desastre de trem em Sarzedo e, a pedido de uma irmã de caridade, organizei uma campanha apoio à s vítimas e seus familiares. As doações foram tantas que, por problemas logísticos, a Igreja pediu que ela cessasse. Foi aí que percebi o alcance da rádio.”
  13. Colegas de trabalho“Céu Azul Soares era cruzeirense, Hamílton Macedo, americano, Jairo Anatólio Lima, atleticano. Osvaldo Faria, Lucélio Gomes,Valdir Rodrigues e outros não declaravam time de coração. Milton Colen foi o maior profissional da locução esportiva nessa época. Era sério e rígido na busca e divulgação de notícias. Foi meu ídolo no rádio mineiro até se transferir para a Bahia. Fernando Sasso foi outro grande narrador. Nenhum deles se deixava trair pela preferência clubística.”
  14. Atividades sociais“Isaac Federmam, funcionário do Banco Hipotecário (um dos antecessores do Bemge) foi o maior diretor social do Cruzeiro. Foi muito atuante nos Anos 50 e 60. Pelo palco do salão de baile da sede social do Barro Preto, passaram Mílton Nascimento, Dalva de Oliveira e Clara Nunes.”
  15. Grupo do Barro Preto“Mário Grosso e Eduardo Bambirra, ex-presidentes, Bengala, ex-jogador e treinador, Milo Nicolai, Edmundo Lambertucci, José Paulo Carioca, Miguel Morici e outros viviam no Barro Preto. Eram temidos pelos treinadores e demais dirigentes, pois cornetavam muito. Felício Brandi administrava o clube diretamente do escritório de sua empresa a Massas Orion.”
  16. Cruzeiro de Todos os tempos“Horst, Nelinho, Vavá, Procópio e Geraldino; Amaury de Castro, Dirceu Lopes e Tostão; Pelau, Evaldo Cruz e Joãozinho. Tec: Yustrich. Presidente: Benito Masci. Diretor de Futebol: Pedro Assunção.”
  17. Ídolos: “Joãozinho, Nelinho e Abelardo Flecha Azul.”
  18. Obras“Participei das comissões de construção da Toca II, de reforma da Toca I, da Sede Administrativa do Barro Preto e da revitalização do Parque JK, no Barro Preto.”
  19. Toca II “A comissão de obras era formada por mim, pelo José Francisco Lemos, vice-presidente, e pelo Nélio Lopes. A idéia inicial era a de se construir um centro de  treinamentos para as categorias de base. Mas logo verifiquei que seria difícil o acesso dos garotos ao um lugar tão ermo e sem condução. Propus ao Zezé Perrela que a construção fosse destinada aos profissionais, que têm carros, ficando a Toca I para a base. O presidente topou. Chamei o arquiteto Fernando Graça e ele alterou o projeto. José Francisco Lemos, que administrava o clube enquanto Zezé estava no Congresso Nacional, gostou do projeto. Quem não aprovou a mudança foi o treinador Levir Culpi e o supervisor Benecy Queiroz.”
  20. Uma crise“Quando Benito ficou doente, houve uma articulação para colocar em seu lugar o diretor Domingos Costa, que teria como diretor de futebol, Pedro Assunção, um adversário do treinador Ênio Andrade. Eu entrei na jogada e articulei o que era correto, a posse do vice-presidente Salvador Masci, irmão de Benito.”
Esse post foi publicado de quinta-feira, 21 de julho de 2011 às 9:25 am,

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