quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um personagem do Cruzeiro: Dr. Lemos.

Dr. Francisco Lemos é uma bandeira dentro do Cruzeiro. Figura ímpar e que dedicou sua vida ao Clube que sempre amou. Criado no Barro Preto, conviveu com os italianos que fundaram o Palestra, e frequentou a sede em sua infância, adolescência, juventude e agora frequenta na sua maturidade.
Não há História do Cruzeiro sem que haja a presença do Dr. Lemos. Idealista, elegeu como causa de vida a causa do Cruzeiro. A grandeza patrimonial do Clube tem a mão do Dr. Lemos.
O texto abaixo foi retirado do blog do Bruno Vicintin, Jogos Imortais, e foi escrito pelo Conselheiro Fabrício, o Mixa.
É mais uma chance dos Cruzeirenses se inteirarem das personalidades que batalham pelas cores azuis nos bastidores.
Ótima leitura!



http://www.jogosimortais.com.br/blog/index.php?id=56

Uma Vida Pelo Bem do Cruzeiro
Este espaço, vez por outra, além de falar de jogos atuais, na "Resenha do Mixa" enfrenta a necessidade de explicar algumas coisas, apresentar personagens e fazer resenhas que não são simplesmente a de narrar Jogos Imortais.
Uma destas necessidades é a de mostrar personagens que fizeram ou que fazem a história do Cruzeiro e que não são conhecidos da maioria da torcida do Cruzeiro. O personagem da vez é o "Dr. Lemos", partícipe ativo da nossa história há mais de 50 anos.
Colocaremos aqui um pouco do que ele ajudou a construir. José Francisco Lemos Filho foi o presidente mais novo da história do Cruzeiro Esporte Clube, e acreditem foi presidente pois, segundo ele mesmo, ninguém, à época, queria assumir o cargo de presidente daquele time de futebol, fato inimaginável nos dias de hoje.
O Cruzeiro era um time de pouco dinheiro em caixa e em 1954 ninguém queria assumir a responsabilidade de tocar nosso amado clube, coube ao jovem apaixonado chamar para si a responsabilidade.
Na nossa história, existem vários ídolos dentro do campo, porém, na minha opinião, não podemos nunca esquecer de lembrar a historia das pessoas que verdadeiramente construíram nosso clube. A historia de vida do Dr. Lemos esta diretamente envolvida com todas as fases da historia do clube, nunca ele teve a vaidade de querer comandar o show. Sempre trabalhou mineiramente nos bastidores, ajudando a construir nosso patrimônio, aconselhando jovens presidentes, lutando pela união e acima de tudo pelo bem da instituição.
Foram nomes como o Dr. Lemos, Carmine Furlleti, Benito Masci entre tantos outros que fizeram nossa grandeza, que engoliram muitos sapos de torcedores quase irracionais e que dificilmente dão o devido valor ao belíssimo trabalho feito por jogadores que ajudaram a construir paredes e dirigentes que sofreram como qualquer torcedor. Se hoje o Cruzeiro é um grande clube é porque homens como eles passaram por cima da vaidade, do tempo que estariam dedicando a família pelo bem acima de tudo da instituição. São estes os exemplos que temos que seguir hoje, independente de qualquer opinião ou interesse pessoal de trabalhar pelo bem do Cruzeiro.
Porque resolvi escrever esta breve coluna?
Primeiro para poder bater um papo com o Dr. Lemos sobre o passado do nosso clube que tanto me encanta. Falar sobre o "Tanque" Niginho, sobre as mudanças na história do clube, sobre  os craques como Tostão, Piazza, Dirceu Lopes. Hoje existem dentro de nossa torcida alguns torcedores profissionais, pessoas que tomam do Cruzeiro para beneficio próprio, só pensando em interesses particulares e obscuros. Sei que hoje isto é comum em todos os times brasileiros porém dificilmente aceitaremos calado ver estas pessoas tirarem proveito de coisas que não ajudam a construir, tirar proveito sem se doar e oferecer nada em troca. O Cruzeiro somos nós e ele depende de nós para viver, não o contrário.

Dr. Lemos
José Francisco Lemos foi presidente do Cruzeiro em 1954, viveu a construção do Barro Preto, da Toca da Raposa, do Centro Administrativo, da Toca 2 e de todas as reformas que vieram nestes 54 anos.
Foi engenheiro de sucesso e de carreira na CEMIG, viveu a construção do grande time da década de 60 e 70, deixou momentaneamente o clube pelas mesmas brigas internas que nos fizeram perder o domínio estadual nos anos 80, viu de longe também o ressurgimento do gigante com a família Masci e depois voltou junto com Zezé Perrella e Alvimar Oliveira Costa para ajudá-los a conquistarem tudo que um clube pode desejar e que muitos clubes centenários jamais sonham em conquistar. Para ele o nosso futuro é belíssimo, nossa torcida continua crescendo e as covardias que ele tanto viu nosso clube sofrer na mão dos rivais no passado não acontecem mais.
Que esta breve coluna sirva de exemplo aos torcedores profissionais e para quem pensa no Cruzeiro como forma de se promover, que a biografia deste e de vários outros ex-presidentes seja sempre respeitada e que eles sejam realmente tratados como merecem, como os ídolos que construíram nosso amado clube.
Abaixo um pouco da historia de uma das pessoas que mais ajudou na construção do nosso clube escrito por ele mesmo.

Decorria o ano de 1954, o Dr. José Greco que vinha exercendo a Presidência do Clube, por vários anos, manifestou o desejo de não continuar na Presidência do Cruzeiro.
Ficando vago, o cargo, o Conselho Deliberativo, através de seu Presidente, Sr. Jerônimo Corte Real, reuniu-se várias vezes, com o objetivo de eleger o novo Presidente. As reuniões de Conselho Deliberativo, eram realizadas no vestiário de Futebol do Barro Preto, pois o Cruzeiro não possuía Sede ou outro local adequado para essas reuniões. Consultados, vários Conselheiros, principalmente os mais antigos, nenhum deles aceitou a indicação.
Outras reuniões foram realizadas sem obter êxito de conseguir um Presidente. Em uma das reuniões, o Dr. Wellington Armaneli se prontificou a tornar-se Presidente, presidindo uma chapa da qual eu, José Francisco Lemos Filho, participava como um dos Vice-Presidentes.
Lamentavelmente, após pouco mais de uma semana, o Dr. Wellington Armanelli renunciou a Presidência. Voltava assim a estaca zero, e o cargo estava sem titular. Procurado e convencido principalmente pelos Srs. Jerônimo Corte Real, Miguel Morici, Bengala, Adil de Oliveira e outros, resolvi aceitar e tornei-me Presidente do Clube em 1954.
Estava terminando o último ano na escola de Engenharia, tinha pouco mais de 25 anos de idade. Naqueles momentos difíceis, havia até proposta de um dos grandes ex-Presidentes do Cruzeiro em acabar como futebol devido as dificuldades financeiras e técnicas.
Dentre as minhas metas como Presidente estavam presentes:
O incremento do esporte especializado.
O Governo do Estado de Minas Gerais, através da Diretoria de Esportes, assumia todas as despesas, como pagamento de técnico, materiais, etc. Assim ganhamos mais títulos de que qualquer outro Clube de Minas Gerais. Aqueles atletas que vencedores se tornaram cruzeirenses e participavam da vida social do Clube, e até da Diretoria.
Incremento na Sede Social
Naquela época o Estado destinou um financiamento aos três Clubes, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG, para que os mesmos construíssem as suas Sedes Sociais. O Cruzeiro tinha iniciado a obra, mas não prestou contas dos primeiros desembolsos, os outros beneficiários faziam coisas piores.
Era imprescindível, para saque das parcelas, prestação rígida de gastos realmente efetuados. Procurei três dos principais fornecedores de materiais de construção, Casa Falci, Othon de Carvalho e outro que não me lembro, e coloquei para os mesmos a situação, propondo para que recebessem que lhes era devido seria indispensável aumentar a dívida, de forma que a obra prosseguisse, e o órgão governamental liberasse as verbas.
Assim com conseguimos dar prosseguimento a obra que foi inaugurada no inicio da Gestão do Presidente Dr. Eduardo Bambirra, que me sucedeu.
A Sede Social, localizada no Barro Preto, foi o marco decisivo na evolução social e financeira do Cruzeiro Esporte Clube, de 200 sócios passamos para 2000, os aluguéis, festas, completavam a receita necessária ao equilíbrio financeiro do Clube. Na verdade foi a alavanca do desenvolvimento do Glorioso Cruzeiro Esporte Clube.
Evidentemente, como estava para iniciar a minha carreira de Engenheiro, não poderia ficar por longo tempo como Presidente. Promovi, juntamente com o Conselho Deliberativo, quando a situação administrativa e financeira estava sob controle, com salários em dia, inclusive do futebol, a eleição para Presidente.
Ocorreu uma eleição difícil com dois candidatos de peso. Saíram vitoriosos a chapa da situação, apoiada por nós, elegendo o Dr. Eduardo Bambirra.
Infelizmente, por vandalismo, negligência ou por ato obscuro, o livro de ata de Conselho com este evento, e outros de alta importância pra o Clube desapareceram. Principalmente para não aparecer os nomes dos membros, eleitos naquela época para Conselheiros Natos. Entretanto, existem jornais da época e atas de reuniões da Diretoria, que podem ajudar na confirmação desses fatos.
Estou certo e sem constrangimento, que fui escolhido para ser Presidente por falta de outra opção. Entretanto, também posso afirmar, que prestei um bom trabalho, evitando um provável, desastroso encerramento do Futebol do nosso Clube. Por outro lado, dei inicio a uma administração planejada, organizada, tirando proveito do disponível, que certamente evoluiu, cresceu e ajudou ao Cruzeiro tornar-se uma grande Potência de Clube Mineiro e Brasileiro.
Tendo sido a minha participação mais importante na Administração do Clube, tive a oportunidade de continuar servindo.
Fui Vice-Presidente, de 1959 a 1960, ocasião em que o Cruzeiro conquistou o Bi-Campeonato Mineiro de Futebol, após 14 anos sem Títulos.
Membro, Vice-Presidente e Presidente da Comissão de Obras, que administrou a construção da Sede Campestre, oportunidade que evitei o desvio de recursos financeiros destinada aquela finalidade. Como Conselheiro, lutamos para que o terreno do parque Esportivo do Barro Preto não fosse alienado como fizeram outros clubes e se aproveitaram de forma irregular da manutenção destes terrenos.
Presidente do Conselho Deliberativo, Vice-Presidente durante a gestão do Presidente Zezé Perrella e do 1º mandato do Alvimar de Oliveira Costa, participei como coordenador do projeto e construção da Toca II e da Sede Administrativa, revitalização do Barro Preto e melhoramento da Sede Campestre.
Ainda durante a gestão do Zezé Perrella, implantamos as normas administrativas e de gestão dos sócios do Clube
São muitas as atividades que considero como positivas para a construção desta história do Cruzeiro Esport Clube. Creio que o trabalho por mim realizado, sem falsa modéstia, vem ajudando durante todos estes anos a tornar o Cruzeiro uma potência como tem sido. Este relato é um pouco da vida que tenho dedicado pelo bem do Cruzeiro.

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